Escritora defende sua obra
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quinta-feira, 25 de julho de 2002
Agência Efe 
Santiago do Chile - A escritora chilena Isabel Allende, autora de ''A Casa dos Espíritos'' e ''Paula'', defendeu na terça-feira, a qualidade literária de sua obra e rejeitou as críticas que atribuem só à publicidade o sucesso de vendas de seus romances.
''As pessoas acham que com marketing se pode vender areia no deserto, isso é uma estupidez, uma coisa muito primitiva. Todos os editores tentam vender todos os livros que imprimem e fazem publicidade de todos os livros: alguns vendem e outros não'', destacou.
Em declarações da Califórnia, onde mora, à rádio chilena Cooperativa, Allende ironizou o fato de que muita gente também acha que ela vende seus romances porque tem o mesmo sobrenome do falecido Sama coisa ridícula'', afirmou a sobrinha do ex-presidente chileno.
A autora de ''Amor e de Sombra'', ''Os Contos de Eva Luna'', ''O Plano Infinito'' e ''Afrodita'' disse que espera publicar no próximo ano um livro sobre o Chile, país que teve que deixar durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
''Não é um romance, mas é uma espécie de memória sentimental de um país que eu chamo de Chile, que talvez seja um país inventado, um país que levo no coração'', destacou uma das escritoras latino-americanas mais lidas do mundo.
Ela comentou que começou a escrever um livro sobre o Chile para confrontar se sua imagem sentimental do país tem a ver com o Chile real.
Sobre seu primeiro romance juvenil, ''A Cidade dos Animais'', uma obra de aventuras, magia e humor na selva amazônica que convida ao respeito à natureza, Isabel Allende disse que espera que seus leitores frequentes não achem que ficou ''louca''.
Os editores ''o promoveram como se fosse um romance para todas as idades, coisa que me dá um pouco de medo com meus leitores frequentes que vão achar que fiquei louca ou algo assim'', disse a jornalista de 60 anos, cuja novela juvenil será lançada mundialmente no próximo dia 12 de setembro,
Consultada sobre a polêmica gerada no Chile por sua postulação ao Prêmio Nacional de Literatura, disse que no início a recebeu com muito orgulho e alegria, mas depois com preocupação pelas críticas que suscitou.
''Não sabia que ia me meter entre as patas dos cavalos'', disse em referência à polêmica nacional que este prêmio suscita todo ano.


