Escritora curitibana processa Rede Globo
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terça-feira, 30 de março de 1999
Ranulfo Pedreiro 
A escritora curitibana Heloísa Kohler entrou com ação de procedimento ordinário contra a Rede Globo de Televisão, acusando a emissora de basear a novela Andando nas Nuvens no livro O Lado Oculto, de sua autoria. A história é cheia de detalhes e remete a fatos ocorridos há vários anos.
Segundo Heloísa, em 1989 o livro foi terminado. Como ela havia trabalhado com Hans Donner - designer gráfico da emissora - em algumas palestras em Curitiba, pediu, em 1991, para que ele encaminhasse o texto ao núcleo de criação e dramaturgia da Globo para uma avaliação.
O texto teria sido encaminhado a Lúcio Carlos Maciel, que trabalhava sob orientação de Mario Lúcio Vaz, responsável pelo departamento. Ainda conforme Heloísa, Vaz achou que o texto poderia se tornar um Caso Especial, e enviou a informação por fax a Donner. A autora do texto exime tanto Hans Donner quanto Mario Vaz da culpa dos acontecimentos que teriam ocorrido em seguida.
Heloísa não teria recebido mais informações sobre a utilização de seu texto. Mas ficou surpresa ao assistir o programa Vídeo Show entre os dias 20 e 24 de janeiro deste ano, que enfocava a nova produção do horário das sete horas. Heloísa Kohler diz ter reconhecido uma adaptação de O Lado Oculto.
Eu fiquei três anos montando o livro para ser editado, depois desisti e engavetei. Em 98 encaminhei o texto para a Editora Ática. Mas, para a publicação, eu precisaria aumentar as páginas. Como entrei com o processo, não posso mexer na obra, portanto não posso editar o livro, comenta Kohler.
A escritora entrou com processo na 17ª Vara Cível do Rio de Janeiro pela falta de crédito da idéia original da novela. Antes de entrar na Justiça, Heloísa conta que procurou a Globo: Me enrolaram por três semanas e me deram esperanças de que faríamos um acordo. Eu queria só o reconhecimento público de que a idéia era minha. Mas depois eles me ameaçaram para que eu não comentasse com a imprensa, pois eu iria ver com quem eu estava me metendo.
Agora Heloísa Kohler procura patrocínio para fazer uma publicação do texto original em formato popular, para ser vendida em bancas: Com essa edição popular o País inteiro ficaria sabendo que estou com a razão. Quero que o Brasil faça uma avaliação.
Ela afirma reconhecer vários personagens, além da trama central da novela - que teria sido alterada. Eles misturaram meu texto em 13 personagens, mas a idéia e o perfil são os mesmos, eu identifico os personagens que criei. Não quero fazer barulho, quero me defender porque levaram uma coisa minha e ainda me ameaçaram. Só quero que reconheçam que a novela foi baseada em texto meu, completa.
A reportagem da Folha2 foi orientada pela assessoria da Rede Globo a entrar em contato via fax com a gerente de relações com a imprensa da empresa, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.


