Narradora do desamparo e voz das minorias alemãs que vivem nos países da Europa central - foram tais qualidades que garantiram à escritora alemã nascida na Romênia, Herta Muller, o prêmio Nobel de literatura este ano. ''Sua obra desenha as paisagens dos desamparados com a concentração da poesia e a objetividade do prosa'', justificou a Real Academia de Ciências.
Herta surpreendeu-se com a notícia. ''Estou feliz e nem consigo acreditar'', afirmou ela. Aos 56 anos, Herta é a 12 mulher a receber o Nobel de literatura (e 13º autor de língua alemã). A cerimônia de entrega acontece no dia 10 de dezembro, na Suécia, onde lhe será entregue o prêmio de US$ 1,4 milhão.
Com apenas uma obra publicada em português, ''O Compromisso'', editada pela Globo em 2004, Herta vive em Berlim desde 1987, quando fugiu devido aos excessos do regime comunista da Romênia, que exigia sua participação no serviço secreto além de impedi-la de publicar seus livros. Ela nasceu na cidade de Nytzkydorf em 1953, em uma família alemã, minoria no país.
Estabelecer uma ponte entre essas duas culturas é o que move a literatura de Herta que, ainda jovem, estudou filologia germânica e romena, na Universidade de Timisoara, onde teve seu primeiro contato com jovens escritores que falavam alemão, opostos ao regime de Nicolae Ceausescu.
Na Alemanha, para onde Herta se mudou ao lado do marido, Richard Wagner, sentiu-se livre. Aos poucos, tornou-se conhecida pela militância literária em histórias como ''A Terra das Ameixas Verdes'', dedicada aos amigos romenos assassinados pelas forças do ditador Ceausescu; e ''O Compromisso'', que acompanha a trajetória de uma mulher que costura bilhetes com dizeres amorosos (''Case comigo'') nos trajes de homens que viajam para a Itália.

mockup