Escritor tem mais três livros a serem lançados
Pus o ponto final hoje. É assim que Pellegrini se refere ao seu texto mais recente, Os Meninos no Poder, ainda sem editora definida. As últimas eleições municipais são o tema do livro em que os protagonistas são dois candidatos, um a prefeito e outro a vice. Seu estilo realista mostra as incongruências, contradições, todos os problemas de corrupção, de legislação, tão íntimos do processo eleitoral brasileiro. O escritor, que já trabalhou em campanhas eleitorais, espera que a publicação ocorra antes da eleição de 2002, que será presidencial. Há semelhanças entre as duas esferas, a federal e a municipal. No Brasil, tudo é feito para facilitar a vida dos picaretas e para dificultar a vida dos cidadãos honestos.
Outro livro é sobre as revoluções. No Coração das Perobas já tem editora garantida, a Record, e deve ser o primeiro a sair dos novos projetos. Trata-se de um romance épico, assim como Terra Vermelha, o relato recente de Pellegrini sobre a terra roxa de paixão como versava o poeta e jornalista Nilson Monteiro. O romance mostra as revoluções brasileiras desde a Coluna Prestes até as marchas contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Revolução de 22, a Revolta Trabalhista, o golpe de 64, todos esses marcos políticos são relatados a partir da memória de um velho residente em Foz do Iguaçu. O autor ainda pretende reescrever o livro - apurar a linguagem e a verossimilhança.
O terceiro livro mistura o certo com o incerto, o seguro ao imprevisto, o risco à comodidade. Enfim, o quadrado com o redondo. A simbiose Quadrondo mostra um antropólogo que vai à Europa e assiste à queda do Muro de Berlim, no final da década perdida - os anos 80. Exila-se em uma ilha, junta-se aos pescadores e transforma o cotidiano dos nativos. Vive em um universo de utopia, e não vislumbra qualquer solução para o mundo. Retorna à sociedade, vai à Brasília e detona uma CPI. É um livro crítico contra a direita, esquerda e o neonazismo. Esse último, uma tática insidiosa, permanente e crescente no mundo, qualifica. Pellegrini crê que a crise de valores por que passa a humanidade permite soluções rápidas e fáceis para tudo, características tão bem aceitas por nosso povo e muito próximas aos sistemas totalitários, como o nazismo.(R.S.G.)





