Escritor lança romance 'noir' baiano
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quinta-feira, 20 de março de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um velho sonho da juventude de Nelson Motta está realizado. Passados 40 anos de sua entrada nos mercados jornalístico e musical brasileiros somente agora ele se sentiu maduro para deixar emergir sua veia para ficção. Esta semana o escritor, jornalista e produtor musical esteve em Curitiba para autografar na Livrarias Curitiba seu primeiro romance ''O canto da Sereia - um noir baiano''.
Para escrever a obra, Motta pincelou todas suas experiências de vida e as lançou em uma tela de computador. Como resposta obteve de sua imaginação uma teia que envolve o Carnaval baiano, uma musa cantora e um detevive chamado Augustão que é malandro, bêbado e maconheiro. Um pulo difícil para quem saiu da experiência vitoriosa de ''Noites Tropicais'', 80 mil exemplares vendidos, onde contou todo seu conhecimento sobre uma época áurea vivida pela elite artística carioca nas décadas de 60 e 70.
''Adorei a experiência libertadora. A tela de um computador aberta, branca a sua frente e você escreve o que quiser. Você não precisa de nada. É uma sensação fabulosa'', diz o escritor. Em época de estréia e tardes de autógrafos, o ''iniciado'' nos caminhos romanceados da trama policial já recebeu convites significativos da novelista Glória Perez e do amigo Euclides Marinho para adaptação da trama à televisão. A idéia é fazer alguns capítulos do romance como uma continuidade das aventuras do detevive Augustão.
O interesse, segundo Motta, veio da riqueza de detalhes que a obra tem. Uma narrativa cinematográfica passada no Carnaval em uma Salvador lotada, trios elétricos e uma cantora chamada Sereia que, no auge de sua carreira, aos 22 anos, é assassinada. Esses componentes trazem uma infinita possibilidade de criar imagens boas casadas com uma trama bem-humorada. ''Fiquei lisonjeado pelos elogios da Glória. Ela que sabe tudo de tramas e suspenses me diise que até o final do livro não havia conseguido achar o assassino.''
A facilidade com a qual Motta trabalhou as palavras nesse romance mostra um amadurecimento de quem já transitou por diferentes áreas do jornalismo e não denuncia um fato interessante na sua biografia. Parece mentira mas ele já reprovou duas vezes em português. ''Aprendi a escrever lendo muito. Era muito ruim em português. Tanto que reprovei duas vezes e tive que repetir o ano uma vez no primeiro grau e outra no segundo.'' O aprender lendo serve como estímulo para quem não tem muita facilidade com a nossa língua. ''Ler é meio caminho andado.''
Agora em plena fase de colheita de louros por seu novo livro, Motta já prepara outro: é dele uma das 13 obras sobre os times brasileiros que a editora DBA está lançando. Calcada na história do grande time que o Fluminense formou nos anos de 1975, 1976 e 1977, onde nomes como Rivelino se fizeram no panorama mundial do futebol, a obra traz histórias verídicas e outras nem tanto ''nem tudo é mentira, mas nem tudo é verdade''. A ''Máquina de Jogar Bola'' deve ser lançada em pouco tempo. ''Eu estou com o trabalho bem adiantado. Era para ser o último, mas como teve gente que atrasou para entregar acho que deva ser lançado em breve.''
Para conseguir se desdobar em tantas áreas, Nelson Motta dá uma lição que talvez só a experiência traga para o ser humano: assim como dirigiu grandes estrelas como Marisa Monte e Daniela Mercury em seus discos e influenciou fortemente no resultado final de seus trabalhos, ele se deixa levar pela editora Iza Pessoa. ''Aceito sugestões o tempo todo. Se ela me diz para melhorar eu mudo o texto. Como não sou burro aceito 95% das sugestões que recebo.''


