Quem conhece Tezza como escritor e professor, jamais imaginaria que ele passou por um período de experiência no teatro durante a adolescência, tanto nos palcos quanto nos bastidores. ''Eu fazia de tudo, de sonoplastia a assistência de direção. Só fui ator poucas vezes. O teatro nos anos 60 e 70 era uma aventura existencial, não exatamente uma atividade profissional'', comenta.
Apesar de não se considerar bom ator, trabalhou com nomes expressivos das artes cênicas, entre eles Denise Stoklos, o grupo XPTO e Antônio Carlos Kraide, responsável pelo primeiro convite para ensaiar uma peça. ''Era uma criação coletiva sobre Curitiba. Depois de algumas semanas, percebi que estava no lugar errado e saí.''
Recentemente, o escritor voltou a atuar, desta vez diante de uma câmera, quando participou do curta-metragem ''João e Maria'', dirigido por Rafael Urban, repórter da FOLHA. O cinema, aliás, é uma das formas de arte admiradas pelo autor. ''Vejo muitos filmes em casa. Dos clássicos, tenho uma lembrança maravilhosa de todos os Fellini que vi'', avalia.
Relacionado ao tema, Tezza tem o hábito de fazer filmagens caseiras. ''Apenas brinco com uma filmadora. Gosto de fotografar e de filmar, que são atividades relaxantes para mim. Mas sou o mais absoluto amador. São só imagens caseiras, um passatempo; jamais fiz um curta-metragem e nem penso em fazê-los'', admite.
Quando perguntado se gostaria de ver algum de seus livros adaptados para o cinema, o escritor se empolga com a idéia. ''Acho que seria interessante. Minha literatura é profundamente visual; costumo dizer que só escrevo o que vejo. 'O Fantasma da Infância' daria um bom policial, quem sabe. 'Juliano Pavollini', uma boa história de suspense. Já me falaram que 'O Fotógrafo' seria um bom filme, mas não tenho tanta certeza, ninguém conversa naquele livro. O romance é um 'filme mental', do tipo que, eu acho, só funciona mesmo na literatura. Mas quem sabe?'' (R.J.D.)

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