A partir deste mês, a Criativa Centro de Artes abre mais um espaço para se trabalhar a criatividade. Na Oficina de Textos, que será ministrada pela educadora Maria Fiorato, a ferramenta para dar vazão ao processo criativo será a escrita.
Segundo a educadora, todo ser humano é criativo por natureza. Para realizar seu trabalho, ela parte do princípio de que ‘‘uma pessoa pode desenvolver esse potencial criativo ou bloqueá-lo, dependendo das experiências que vivenciar.’’
A escassez de experiências ricas, que ofereçam elementos para a criança estar manifestando a sua criatividade, é cada vez mais presente no cotidiano. Maria Fiorato afirma que a vivência e as experiências infantis são comprometidas por atividades que pouco ou nada contribuem para o crescimento da criança.
O tempo passado em frente à televisão (para não entrar no mérito de conteúdo dos programas); os jogos virtuais; a influência de propagandas interferindo no imaginário; a incrível quantidade de brinquedos disponível no mercado (brinquedos que, muitas vezes, não suscitam o brincar, mas apelam para o consumo); a pobreza de espaços a ser explorados; são alguns dos fatores apontados por Maria Fiorato que ‘‘empobrecem a vivência e as experiências infantis’’.
Neste contexto, na avaliação da educadora, a educação é fundamental. Educação, segundo ela, que ‘‘inclui tanto experiências vividas em casa, na comunidade, como no espaço formal da escola’’. Para ela, a escola deveria ser um lugar onde estas questões fossem pensadas e superadas. ‘‘Ao invés disso, tem sido um local de atividades mecânicas, repetitivas; onde se privilegia a memorização, não a criação.’’
A alfabetização das crianças, de acordo com a educadora, acontece neste contexto, ‘‘com métodos arcaicos, onde o conteúdo de cartilhas e livros didáticos nada significam culturalmente para o público a que são destinados’’. Maria Fiorato aponta também para a ‘‘excessiva preocupação com a forma e a gramática, não permitindo que a criança use criativamente a linguagem escrita que começa a dominar, ficando restrita somente à técnica’’; como elementos que boicotam o prazer da criança em escrever.
Ela constata que ‘‘o prazer de descobrir e criar não encontra lugar na escola e também perde espaço fora dela’’. E é com o objetivo de resgatar o lado lúdico de criar tendo como matéria-prima a escrita, que a educadora está promovendo a Oficina de Textos. ‘‘O espaço é para a criança experimentar e crescer com o potencial de expressão através da escrita’’, explica. ‘‘E para jovens e adultos é uma oportunidade de resgatar e desenvolver esse potencial.’’ A proposta também é voltada para vestibulandos que, muitas vezes, encontram sérias dificuldades quando têm que escrever uma redação. ‘‘É como se uma bomba estivesse nas mãos deles. É preciso fazer pontos na redação, mas eles ‘não têm nenhuma idéia na cabeça’, ou ‘não sabem colocar as idéias no papel’’’, afirma Maria Fiorato.
A idéia, segundo a educadora, é promover um espaço onde é primordial a preocupação com o desenvolvimento da criação. ‘‘Os alunos irão aproveitar experiências de montagem vindas de criações literárias, do teatro, do cinema e das histórias em quadrinhos’’, afirma Maria Fiorato.Mario CesarMaria Fiorato: ‘‘A excessiva preocupação com a forma não permite que a criança utilize criativamente a escrita’’Érika Pelegrino

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