ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
''A Fuga das Galinhas'': arte e diversão perfeitas para crianças e adultos
A Fuga das Galinhas - O melhor presente que o exibidor poderia oferecer para encerrar ano, século e milênio. Animação à moda antiga, com personagens moldados em silicone e látex. Lideradas pela valente Ginger, galinhas tentam fugir de granja para não virar recheio de torta. Bela homenagem às mulheres, à liberdade e a clássicos do cinema, como ''Inferno 17'' e ''Fugindo do Inferno''. Arte e diversão em perfeita harmonia. PPPPP
Memórias Póstumas - Não o Machado de Assis ideal, mas o escritor possível para o cinema. A complexa riqueza literária é alegre e superficialmente ilustrada por André Klotzel, que ainda não fez nada melhor que ''A Marvada Carne''. A produção é competente. A notar a habitual e sintomática recorrência de nossos cineastas à fontes escritas mais ilustres. Já os roteiros originais... ***
Os Queridinhos da América - Casal de astros famosos se divorcia mas ainda tem superprodução para lançar. O estúdio se movimenta para não perder o investimento, e prepara reatamento forjado. O que poderia ser um grande, eficiente escracho em cima do star system fica reduzido a uma discretra comédia, apenas parcialmente concretizada. **
Amnésia - Ex-detetive de seguros procura assassino da mulher. Um dos muitos problemas é que ele se lembra de tudo ocorrido antes de crime, mas tudo o que ocorre depois ele esquece imediatamente. Thriller (?!) original, desafiador, requintado, escrito e dirigido por Christopher Nolan - guardem este nome. Há muito mais, para quem estiver procurando um filme instigante na pura acepção da palavra. ****
A Hora do Rush 2 - Inevitável continuação das peripécias da dupla de policiais Carter e Lee (Chris Tucker e Jackie Chan), agora envolvidos em missão em Hong Kong. Pancadaria estilizada, em coreografias marciais adaptadas a públicos de menor idade. A comédia até que se comporta com razoável pique, apoiada principalmente nos dois personagens trapalhões. ***
Como Cães e Gatos - Os bichanos são vilões e os cachorros os heróis, nesta comédia amável que usa e abusa de efeitos especiais. A guerra é pela posse de fórmula química que vai livrar os cães de qualquer tipo de alergia, tornando-os anda mais atraentes como animais de estimação. O filme não deixa de ser uma provocação contra felinófilos em geral. Há piadas engraçadas, muita ação e o que é melhor, tudo em curta duração. ***
Coração de Cavaleiro - Na Idade Média, plebeu falsifica título de nobre para participar de circuito de duelos em arenas da Europa. A novidade é um jovial trilha sonora com muito rock. Inteligente sem presunção, sensível sem ser derramado e bem-humorado na medida certa, o filme de Brian Helgeland é boa diversão familiar com direito a pipoca. ***
Fast Food, Fast Women - Seleção oficial em Cannes-2000, este filme independente é retrato agridoce e irreverente de pessoas solitárias em busca de amor na noite impessoal de Nova York . Ao contrário de bobagens hollywoodianas camufladas como comédias românticas, esta é uma autêntica, realizada pelo israelense Amos Kollek com evidente influência do cinema de John Cassavetes. A interpretação da atriz Anna Thompson é espetáculo à parte. ****
Velozes e Furiosos - Pilotos anabolizados tiram rachas milionários em bólidos importados na noite de Los Angeles. Policial camuflado entra em cena para investigar gang de ladrões de carga. Muito barulho por nada, no vácuo de ''60 Segundos''. *
Ricos, Bonitos e Infiéis - Parece um filme de Woody Allen, mas com esteróides anabolizantes. Tudo é grande, barulhentto e caro entre os nova-iorquinos desta comédia mais ou menos romântica. E que sofre de falta de sincronia. Os personagens são casais classe média alta e suas inevitáveis variações ditadas pelo título. Atores carismáticos (Warren Beatty, Diane Keaton, Goldie Hawn) não fazem muito para melhorar as coisas. O filme foi realizado há dois anos e meio, passou por muito problemas durante e depois da produção, passando por lento e penoso processo de edição. Talvez explique, mas não justifica. **
[Retr-Foto:CD3 Y 12 {Grade: ;Pessoa: ;Evento: ;Lugar: ;Chave: Data: 2/10/2001 }]
Reprodução
''A.I. Inteligência Artificial'': filme sobre garoto robotizado, mas programado para amar
A.I. Inteligência Artificial - Dirigido por Steven Spielberg a partir de uma idéia de Stanley Kubrick, filme é uma triste fantasia futurista que mostra uma família apartada do convívio do filho em coma. Neste vazio, surge a figura de um garoto robotizado e programado para amar, que mais tarde é descartado por se mostrar incomodamente afetivo. Começa aí a aventura de um andróide sentimental, sempre em busca de um mundo que o considere mais do que um amontoado de fios e cabos. PPP
Shrek - A obrigação de levar as crianças à matinê aqui transformada em deliciosa travessura de adulto - seu filho menor deve gostar do filme bem menos que você. Não há como não encarar o monstrengo verde e ''bom-mau-caráter'' Shrek com certa dose de cumplicidade. Afinal, quem não desejou um dia subverter a ordem natural e bem comportada do reino das fadas, alterando as regras magicamente corretas? Entregue-se sem medo a esta inspirada, hilária e tecnicamente prodigiosa jornada. PPPP
Moulin Rouge - Entretenimento de primeira em sua metade inicial, este musical nada ortodoxo que abriu em maio a competição do Festival de Cannes perde um pouco o fôlego na parte final. Mas ainda assim extravagância dirigida por Baz Luhrmann (''Romeu + Julieta''), livremente inspirada no mito de Orfeu, pode ser desfrutada com interesse e fascínio. Nada a ver, claro, com os clássicos de John Huston ou Jean Renoir sobre o famoso cabaré francês. Nicole Kidman e Ewan McGregor até que estão bem afinados. PPP
Pecado Original - No início do século, fazendeiro cubano encomenda noiva pelo correio, quer dizer, por correspondência. Ela chega, mas não bate com a descrição. Mesmo assim rola a paixão, até que a moça desaparece levando um bom dinheiro. Nem a boataria fabricada sobre safadezas nos bastidores entre Antonio Banderas e Angelina Jolie conseguiu empurrar o filme, que se arrasta nas bilheterias americanas. Cheio de reviravoltas e indeciso entre drama romântico e thriller, o filme é muito menos atraente do que entediante. **
''Todo mundo em pânico 2'' - Esta infeliz sequela jamais consegue criar sequências de comédia maluca ou pastelão. O argumento-roteiro, escrito a 14 mãos, não é sátira, não é paródia, não é irreverância e o humor é de atroz grosseria. Os responsáveis por esta inutilidade são de uma mesma família, os quatros irmãos Wayans. Uma quadrilha como se vê.





