ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Ricos, Bonitos e Infiéis - Parece um filme de Woody Allen, mas com esteróides anabolizantes. Tudo é grande, barulhentto e caro entre os nova-iorquinos desta comédia mais ou menos romântica. E que sofre de falta de sincronia. Os personagens são casais classe média alta e suas inevitáveis variações ditadas pelo título. Atores carismáticos (Warren Beatty, Diane Keaton, Goldie Hawn) não fazem muito para melhorar as coisas. O filme foi realizado há dois anos e meio, passou por muito problemas durante e depois da produção, passando por lento e penoso processo de edição. Talvez explique, mas não justifica. **
O Dom da Premonição - Parece coisa já vista, e de fato é. Cate Blanchett é a dona de casa clarividente que ajuda a polícia a descobrir corpo de mulher assassinada. A roda viva de suspeitos gravita em torno dos fatos. E entre todos o principal é Keannu Reeves. O diretor Sam Raimi tenta evitar a clicheria de sempre dotando os habituais estereótipos com cérebro e sentimentos. Apesar dos esforços, prevalecem as melhores intenções. **
O Diário de Bridget Jones - Na linha simpática de ''Quatro Casamentos e um Funeral'' , porém menos inspirada, uma comédia de situações existenciais envolvendo a engraçada garota do título, em crise de auto-estima. René Zelwegger está afiada na pele da inglesa atrapalhada. Hugh Grant cada vez mais interpreta a sim mesmo. O filme é o mais rentável do ano na Inglaterra. PPP
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Divulgação
''Coração de Cavaleiro'': história inteligente, sensível e sobretudo bem-humorada
Coração de Cavaleiro - Na Idade Média, plebeu falsifica título de nobre para participar de circuito de duelos em arenas da Europa. A novidade é um jovial trilha sonora com muito rock. Inteligente sem presunção, sensível sem ser derramado e bem-humorado na medida certa, o filme de Brian Helgeland é boa diversão familiar com direito a pipoca. ***
''Todo mundo em pânico 2'' - Esta infeliz sequela jamais consegue criar sequências de comédia maluca ou pastelão. O argumento-roteiro, escrito a 14 mãos, não é sátira, não é paródia, não é irreverância e o humor é de atroz grosseria. Os responsáveis por esta inutilidade são de uma mesma família, os quatros irmãos Wayans. Uma quadrilha como se vê. *
A.I. Inteligência Artificial - Dirigido por Steven Spielberg a partir de uma idéia de Stanley Kubrick, filme é uma triste fantasia futurista que mostra uma família apartada do convívio do filho em coma. Neste vazio, surge a figura de um garoto robotizado e programado para amar, que mais tarde é descartado por se mostrar incomodamente afetivo. Começa aí a aventura de um andróide sentimental, sempre em busca de um mundo que o considere mais do que um amontoado de fios e cabos. PPP
Moulin Rouge - Entretenimento de primeira em sua metade inicial, este musical nada ortodoxo que abriu em maio a competição do Festival de Cannes perde um pouco o fôlego na parte final. Mas ainda assim extravagância dirigida por Baz Luhrmann (''Romeu + Julieta''), livremente inspirada no mito de Orfeu, pode ser desfrutada com interesse e fascínio. Nada a ver, claro, com os clássicos de John Huston ou Jean Renoir sobre o famoso cabaré francês. Nicole Kidman e Ewan McGregor até que estão bem afinados. PPP
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Reprodução
''Pecado Original'': Antonio Banderas e Angelina Jolie protagonizam drama romântico
Pecado Original - No início do século, fazendeiro cubano encomenda noiva pelo correio, quer dizer, por correspondência. Ela chega, mas não bate com a descrição. Mesmo assim rola a paixão, até que a moça desaparece levando um bom dinheiro. Nem a boataria fabricada sobre safadezas nos bastidores entre Antonio Banderas e Angelina Jolie conseguiu empurrar o filme, que se arrasta nas bilheterias americanas. Cheio de reviravoltas e indeciso entre drama romântico e thriller, o filme é muito menos atraente do que entediante. **
Bicho de 7 Cabeças - É impressionante a capacidade de resistência do cinema brasileiro, espremido por toda sorte de obstáculos. Prova disso é este multipremiado filme de Laís Bondanzky, lançado na fogueira de uma temporada de lazer inócuo nos cinemas. Ironicamente, a história do personagem vivido por Rodrigo Santoro, metido literalmente em camisa-de-força, vítima da intolerância familiar e do sistema, é metáfora sob medida para o filme brasileiro, metido na camisa-de-força de uma economia perversa, vítima de uma política audiovisual insana e buscando não sair, mas entrar neste manicômio que é o mercado exibidor. PPP
O Planeta dos Macacos - Decepcionante revisita do quase sempre interessante Tim Burton a material que serviu de base para um clássico irrepreensível da ficção científica, ''O Planeta dos Macacos'' realizado há 33 anos por Franklin J. Schaffner. O visual sempre inovador, marca registrada de Burton, bate de frente com um roteiro subdramatizado, inflacionado por bobagens sentimentais e tramas paralelas e inconsistentes. Desapareceram a discussão interracial e a crítica ao militarismo fascista do Estado. A ironia final do filme de 68 continua um achado em originalidade e permanente advertência. Já a surpresinha barata de Burton





