ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
''A.I, Inteligência Artificial'': aventuras de um garoto andróide sentimental
A.I, Inteligência Artificial - Dirigido por Steven Spielberg a partir de uma idéia de Stanley Kubrick, filme é uma triste fantasia futurista que mostra uma família apartada do convívio do filho em coma. Neste vazio, surge a figura de um garoto robotizado e programado para amar, que mais tarde é descartado por se mostrar incomodamente afetivo. Começa aí a aventura de um andróide sentimental, sempre em busca de um mundo que o considere mais do que um amontoado de fios e cabos. PPP
Amor à Flor da Pele - Filme do diretor chinês Wong Kar-wai é uma incursão poética que toma o espectador como voyer de uma clássica história de amor. Pode ser considerado o ''Casablanca'' do século 21, com dois personagens apenas insinuando que têm um caso clandestino. Com narrativa que trabalha em cima da repetição - mostrando a mesma situação, a mesma música, os mesmos lugares - é suntuoso e também minimalista, uma verdadeira obra-prima. PPPPP
Gatos Numa Roubada - Atenção: a roubada é com vocês, platéia potencial deste filminho ordinário, sexista, comediota crua e desprezível sobre sete boas-vidas - o sentido aqui é pejorativo - que apostam mil dólares (o dinheiro é investido e cresce para U$ 500 mil) para ver quem resistirá por último ao casamento. Tentativa de reeditar a remediada originalidade de ''American Pie'', ''Porky's'' ou ''South Park''. P
O Diário de Bridget Jones - Na linha simpática de ''Quatro Casamentos e um Funeral'' , porém menos inspirada, uma comédia de situações existenciais envolvendo a engraçada garota do título, em crise de auto-estima. René Zelwegger está afiada na pele da inglesa atrapalhada. Hugh Grant cada vez mais interpreta a sim mesmo. O filme é o mais rentável do ano na Inglaterra. PPP
''Moulin Rouge'': musical nada ortodoxo dirigido por Baz Luhrmann
Moulin Rouge - Entretenimento de primeira em sua metade inicial, este musical nada ortodoxo que abriu em maio a competição do Festival de Cannes perde um pouco o fôlego na parte final. Mas ainda assim extravagância dirigida por Baz Luhrmann (''Romeu + Julieta''), livremente inspirada no mito de Orfeu, pode ser desfrutada com interesse e fascínio. Nada a ver, claro, com os clássicos de John Huston ou Jean Renoir sobre o famoso cabaré francês. Nicole Kidman e Ewan McGregor até que estão bem afinados. PPP
Shrek - A obrigação de levar as crianças à matinê aqui transformada em deliciosa travessura de adulto - seu filho menor deve gostar do filme bem menos que você. Não há como não encarar o monstrengo verde e ''bom-mau-caráter'' Shrek com certa dose de cumplicidade. Afinal, quem não desejou um dia subverter a ordem natural e bem comportada do reino das fadas, alterando as regras magicamente corretas? Entregue-se sem medo a esta inspirada, hilária e tecnicamente prodigiosa jornada. PPPP
O Planeta dos Macacos - Decepcionante revisita do quase sempre interessante Tim Burton a material que serviu de base para um clássico irrepreensível da ficção científica, ''O Planeta dos Macacos'' realizado há 33 anos por Franklin J. Schaffner. O visual sempre inovador, marca registrada de Burton, bate de frente com um roteiro subdramatizado, inflacionado por bobagens sentimentais e tramas paralelas e inconsistentes. Desapareceram a discussão interracial e a crítica ao militarismo fascista do Estado. A ironia final do filme de 68 continua um achado em originalidade e permanente advertência. Já a surpresinha barata de Burton... PP
Final Fantasy - Uma produção permanentemente abaixo de zero. Se o futuro dos padrões femininos nas telas for espelhado pela heroína Aki deste filme, cem por cento virtual, e pela macaca Ari de ''Planeta dos Macacos'', a coisa vai decididamente mal. Tem gente que acha o filme ótimo, mas é bom não esquecer: o dia em que o cinema perder de vez sua alma, o espectador vai ser um zumbi, vagando de sala em sala à procura de sua fantasia final. PP
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