ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
13 Dias que Abalaram o Mundo Versão hollywoodiana e portanto perigosa da famosa crise do mísseis entre EUA e URSS, no início dos 60, quase mergulhando o mundo na terceira e ultima guerra mundial. Em cena a famosa diplomacia dos Kennedy: bandalheiras pessoais à parte, os irmãos John e Robert eram bons de diplomacia. Fica faltando um filme cubano sobre o assunto. **
Final Fantasy Uma produção permanentemente abaixo de zero. Se o futuro dos padrões femininos nas telas for espelhado pela heroína Aki deste filme, cem por cento virtual, e pela macaca Ari de ''Planeta dos Macacos'', a coisa vai decididamente mal. Tem gente que acha o filme ótimo, mas é bom não esquecer: o dia em que o cinema perder de vez sua alma, o espectador vai ser um zumbi, vagando de sala em sala à procura de sua fantasia final. **
O Diário de Bridget Jones Na linha simpática de ''Quatro Casamentos e um Funeral'' , porém menos inspirada, uma comédia de situações existenciais envolvendo a engraçada garota do título, em crise de auto-estima. René Zelwegger está afiada na pele da inglesa atrapalhada. Hugh Grant cada vez mais interpreta a sim mesmo. O filme é o mais rentável do ano na Inglaterra. ***
Doce Novembro Refilmagem de interessante comédia dramática realizada em 68 sobre mulher com vários namorados e sem nenhuma ligação afetiva por causa de doença terminal. O resultado aqui é menos interessante. Primeiro porque Charlize Theron, apesar de linda e iluminada, não tem o talento da já falecida Sandy Dennis do filme anterior. Segundo e mais grave , porque observar Keanu Reeves na frente da câmera é o mesmo que presenciar a iminente colisão entre dois trens em alta velocidade: o espectador sabe que aquilo é terrível, mas não há o que fazer, não há como pedir que o moço se retire. O cinema ainda não inventou nada que possa evitar uma interpretação desastrosa. PP
Jurassic Park 3 Novos monstros pré-históricos bem-dotados e novo diretor (Joe Johnston, de ''Jumanji'' e ''Querida, Encolhi as Crianças'') contaminado pela síndrome de Peter Pan que volta e meia acomete Spielberg, aqui somente produtor executivo. O melhor da história é o tempo que ela dura, hora e meia, o que praticamente impede qualquer conversa mole que comprometa a ação vertiginosa. ***
Dançando no Escuro Impossível ficar indiferente diante desta extravagância hollywoodiana-escandinava assinada por um dos maiores egos do cinema, Mr. Dogma-95 em pessoa, Lars von Trier. Entre satanizar as contradições da América e homenagear (?) o musical norte-americano, ''Dancer in the Dark'' vai ser lembrado mesmo é pela audaciosa e original proposta estética filmado em vídeo digital e pela desconcertante estréia no cinema da diva pós-punk Bjork, idolatrada pelos europeus mas de circulação restrita por aqui. Discutível, sob todos os aspectos, a Palma de Ouro em Cannes-2000. PPP
Atlantis, o Reino Perdido Do empório Disney direto para a arena do grande circo do lazer. Valente contra-ataque da marca mais famosa, de olho na oponente DreamWorks que produziu o campeão de rendas ''Shrek''. O mito da Atlântida filtrado pela ótica da aventura que o estúdio costumava fazer nos anos 60, com personagens de carne e osso ''A Cidadela dos Robinsons'', ''20 Mil Léguas Submarinas''. O espírito Disney ainda mantém a convivência, por enquanto harmoniosa, entre a arte do traço à mão e a vanguarda da ''engenhoca'' computadorizada. PPP
Bicho de 7 Cabeças É impressionante a capacidade de resistência do cinema brasileiro, espremido por toda sorte de obstáculos. Prova disso é este multipremiado filme de Laís Bondanzky, lançado na fogueira de uma temporada de lazer inócuo nos cinemas. Ironicamente, a história do personagem vivido por Rodrigo Santoro, metido literalmente em camisa-de-força, vítima da intolerância familiar e do sistema, é metáfora sob medida para o filme brasileiro, metido na camisa-de-força de uma economia perversa, vítima de uma política audiovisual insana e buscando não sair, mas entrar neste manicômio que é o mercado exibidor. PPP
Que Mulher é Esta? Liv Tyler é a femme fatale neste desfrutável neo-noir sobre mulher manipuladora de três homens que têm por ela interesses diversos. O enunciado do diretor e ex-clipeiro Harald Zwart é óbvio: todo homem é vítima das próprias ilusões românticas, e daí ao inferno... Na trilha aberta por Quentin Tarantino, a galeria de personagens e respectivas interações físicas e verbais são mais importantes que o roteiro. Mais carnal que talentosa, Liv está sempre sob o fio da navalha, em frágil equilíbrio entre a fêmea insuportável e a frágil desajustada. ***
Shrek A obrigação de levar as crianças à matinê aqui transformada em deliciosa travessura de adulto seu filho menor deve gostar do filme bem menos que você. Não há como não encarar o verde e ''bom-mau-caráter'' Shrek com certa dose de cumplicidade. Afinal, quem não desejou um dia subverter a ordem natural e bem comportada do reino das fadas, alterando as regras magicamente corretas? Entregue-se sem medo a esta inspirada, hilária e tecnicamente prodigiosa jornada. PPPP
A Partilha Hora e meia de agradável incursão aos meandros da classe média, mais carioca que brasileira. O roteiro sabe extrair da situação metafórica quatro irmãs dividindo bens materiais depois da morte da mãe um certo travo agridoce, uma certa amável e quase sempre bem-humorada melancolia. Não é preciso muito tempo de projeção para encontrar um subtexto nelsonrodrigueano. E isso talvez seja o maior elogio para Miguel Falabella e Daniel Filho. PPP
Billy Elliot Mais um bom flagrante das diferenças que devem ser respeitadas num meio dominado por estereótipos culturais. O garoto Billy, filho de áspero mineiro em greve, treina boxe mas gosta mesmo é de dançar. Animado pela professora e disposto a enfrentar a família em crise, Billy cresce para seu ideal. Com emoção e humor, o filme do estreante Stephen Daldry renova o gênero da comédia social à inglesa, flertando com sucessos recentes como ''Ou Tudo ou Nada''. PPP
Cotação P (fraco) PP (razoável) PPP (bom) PPPP (ótimo) PPPPP (hors concours)





