Divulgação‘‘Alguém como Voc꒒:filme com diálogos afiados





Alguém como Você – Da interminável série ‘‘comédia romântica adulta com pretensões cerebrais’’. Aqui temos a talentosa coordenadora de um talk show televisivo, Jane (Ashley Judd) que, afetivamente desencontrada, é agora adepta da teoria segundo a qual homens são como gado: o touro jamais é fiel a uma única vaca – acreditem, a história está toda lá no filme, que originalmente até se chamava ‘‘Animal Husbandry’’. Alguns diálogos mais afiados quase conseguem colocar o roteiro no bom caminho. Quase. ••
Na Teia da Aranha – O grande Morgan Freeman desperdiçado nesta retomada do personagem Alex Cross, dublê de detetive e psicólogo visto anteriormente em ‘‘Beijos que Matam’’. Atormentado pela recente perda de sua parceira de investigações, ele agora tenta por as mãos num professor que rapta a filha de um senador, em Washington. O título, óbvio, se refere às maquinações do criminoso. Filme sem brilho e decepcionante pela assinatura do neo-zelandês Lee Tamahori, tão vigoroso em ‘‘O Amor e a Fúria’’. ••
Rede de Corrupção – Dando visíveis mostras de esgotamento físico, o garanhão do aikidô, Steven Seagal, interpreta seu filme de ação mais vulnerável, depois de uma sólida carreira construída nos anos 90. Ele é uma espécie de Serpico, o tira honesto que ajudou a dar fama a Al Pacino nos anos 70. Cercado de corrupção por todos os lados, o personagem de Segal faz o de sempre, só que desta vez menos, e não deixa clichê sobre clichê. ••
Encontrando Forrester – Quem anda devendo coisas melhores é Gus Van Sant (‘‘Psicose’’), um diretor de reconhecido talento autoral como demonstra o estimulante primeiro terço deste filme afinal vitimado por uma sucessão de banalidades que aos poucos vai tomando conta da narrativa. Escritor de um livro só, famoso e recluso, conhece um precoce talento literário e vira especie de mentor. Mas há quem a atrapalhe a ascensão do rapaz. Sean Connery aparece vacilante no papel. ••
Pearl Harbor – Em tempos de George Bush e republicanos no poder, filmes como ‘‘Pearl Harbor’’ são não apenas ruins enquanto cinema, como arte e até como entretenimento, mas são também ideologicamente incômodos. Sessenta anos depois, reviver a extremada atitude expansionista japonesa não é inventariar o passado, mas forma sutil rearmar o presente. •



Divulgação‘‘Quase Famosos’’:sedutor, divertido e irresistível









Quase Famosos – Através deste muito simpático afresco dos anos 70, o diretor Cameron Crowe realizou seu trabalho mais ambicioso e pessoal. Não é para menos: o roteiro, dele mesmo, é autobiográfico e retrata suas experiências como ‘‘foca-quase-jornalista’’ da revista Rolling Stone. Homenagem crítica e por vezes idealizada do heterogêneo universo do rock há três décadas – o argumento é quase todo passado em 73 – ‘‘Almost Famous’’ é sempre sedutor, divertido e quase irresistível. ••••
Amor à Flor da Pele – Seleção de Cannes-2000, este ‘‘In the Mood for Love’’ inclui o diretor Wong Kar-wai entre o escasso e seletíssimo time de poetas genuínos que estão por aí a fazer grande cinema contemporâneo. Ambientada na Hong-Kong do início dos 60, esta é a história de amor romântico sobre um homem e uma mulher que se conhecem casualmente, se seduzem, se desejam, se amam, mas nunca ficarão juntos. Maggie Cheung e Tony Leung, atores-fetiche de Kar-wai, são os perfeitos e irredutíveis intérpretes. •••••
Snatch – Porcos e Diamantes – O inglês Guy Ritchie, Mr. Madonna em pessoa, pega o bonde-legado de Quentin Tarantino. Aqui ele repete a fórmula de ‘‘Jogos , Trapaças e Dois Canos Fumegantes’’, de 98, e reforça a dose de testosterona, misturando ladrões de diamantes, gangsters americanos, boxeadores, máfias russas, cachorros e granjas de porcos. Humor de ‘‘porrada’’ e virulência verbal. ••
Billy Elliot – Mais um bom flagrante das diferenças que devem ser respeitadas num meio dominado por estereópicos culturais. O garoto Billy, filho de áspero mineiro em greve, treina boxe mas gosta mesmo é de dançar. Animado pela professora e disposto a enfrentar a família em crise, Billy cresce para seu ideal. Com emoção e humor, o filme do estreante Stephen Daldry renova o gênero da comédia social à inglesa, flertando com sucessos recentes como ‘‘Ou Tudo ou Nada’’. •••
O Retorno da Múmia – Segunda dose desta história que o cineasta brasileiro Ivan Cardoso chamaria de ‘‘terrir’’, um mix de comédia, aventura e terror. Mais do mesmo, e até um pouquinho melhor enquanto diversão absolutamente ‘‘pipoca das quatro’’. O público adolescente, em especial, vaise fartar com mais criaturas excêntricas, mais correrias, mais perigos. Brendan Fraser repete o aventureiro que enfrenta maldições diversas, agora para livrar o filho em perigo. •••
Cotação • (fraco) •• (razoável) ••• (bom) •••• (ótimo) ••••• (hors concours)

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