ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
ReproduçãoPearl Harbor:produção sobre ataque japonês à base americana soa ideologicamente incômoda
Pearl Harbor Em tempos de George Bush e republicanos no poder, filmes como Pearl Harbor são não apenas ruins enquanto cinema, como arte e até como entretenimento, mas são também ideologicamente incômodos. Sessenta anos depois, reviver a extremada atitude expansionista japonesa não é inventariar o passado, mas forma sutil rearmar o presente.
Amor à Flor da Pele Seleção de Cannes-2000, este In the Mood for Love inclui o diretor Wong Kar-wai entre o escasso e seletíssimo time de poetas genuínos que estão por aí a fazer grande cinema contemporâneo. Ambientada na Hong-Kong do início dos 60, esta é a história de amor romântico sobre um homem e uma mulher que se conhecem casualmente, se seduzem, se desejam, se amam, mas nunca ficarão juntos. Maggie Cheung e Tony Leung, atores-fetiche de Kar-wai, são os perfeitos e irredutíveis intérpretes. Definitivamente a Palma de Ouro foi para mãos erradas.
Quase Famosos Através deste muito simpático afresco dos anos 70, o diretor Cameron Crowe realizou seu trabalho mais ambicioso e pessoal. Não é para menos: o roteiro, dele mesmo, é autobiográfico e retrata suas experiências como foca-quase-jornalista da revista Rolling Stone. Homenagem crítica e por vezes idealizada do heterogêneo universo do rock há três décadas o argumento é quase todo passado em 73 Almost Famous é sempre sedutor, divertido e quase irresistível.
O Estranho Figura-chave do neo-noir (a recuperação e releitura do policial clássico por jovens diretores surgidos nos anos 80 e 90), Steven Soderbergh consegue um dos melhores momentos desse movimento. É um pequeno grande ôthriller#, austero e melancólico, sobre fora-da-lei inglês (Terence Stamp, simplesmente magnífico) que sai da prisão depois de nove anos e vai a Los Angeles vingar a filha morta por um empresário discográfico ligado ao submundo (Peter Fonda, em afiado duelo com Stamp). Soderbergh deita e rola na iluminação e em especial na edição, quebrando com classe e estilo os tempos narrativos convencionais. Seleção oficial em Cannes-99.
Os Xeretas A boa estréia do curta-metragista A.S. Cecílio Neto no longa. A história saborosa de três garotos amigos no interior de São Paulo. Aventuras, descobertas, rito de passagem, nostalgia. Tudo narrado com bom humor e sensibilidade. O filme, por ser brasileiro e não apadrinhado, recebeu dura sentença. Pronto há três anos, curtiu o castigo do injusto ineditismo, à espera de uma brecha no sufocante mercado dominado pelo similar americano não-animado, para menores, via de regra bobo e dispensável.
Snatch - Porcos e Diamantes O inglês Guy Ritchie, Mr. Madonna em pessoa, pega o bonde-legado de Quentin Tarantino. Aqui ele repete a formula de Jogos , Trapaças e Dois Canos Fumegantes, de 98, e reforça a dose de testosterona, misturando ladrões de diamantes, gangsters americanos, boxeadores, máfias russas, cachorros e granjas de porcos. Humor de porrada e virulência verbal.
Encontrando Forrester Quem anda devendo coisas melhores é Gus Van Sant (Psicose), um diretor de reconhecido talento autoral como demonstra o estimulante primeiro terço deste filme afinal vitimado por uma sucessão de banalidades que aos poucos vai tomando conta da narrativa. Escritor de um livro só, famoso e recluso, conhece um precoce talento literário e vira especie de mentor. Mas há quem a atrapalhe a ascensão do rapaz. Sean Connery aparece vacilante no papel.
ReproduçãoBilly Elliot:filme conta história de menino que lute boxe, mas sonha em ser bailarino
Billy Elliot Mais um bom flagrante das diferenças que devem ser respeitadas num meio dominado por estereópicos culturais. O garoto Billy, filho de áspero mineiro em greve, treina boxe mas gosta mesmo é de dançar. Animado pela professora e disposto a enfrentar a família em crise, Billy cresce para seu ideal. Com emoção e humor, o filme do estreante Stephen Daldry renova o gênero da comédia social à inglesa, flertando com sucessos recentes como Ou Tudo ou Nada.
Sob Suspeita Depois de um começo auspicioso, este policial refilmado de um thriller francês do anos 80 não confirma a boa expectativa e envereda pelo terreno do improvável. Gene Hackman é advogado rico e famoso suspeito de violentar e matar duas garotas. Morgan Freeman é o policial que leva com rigor o interrogatório. Monica Bellucci é a porção de sensualidade que tempera este filme que poderia ser muito mais do que é.
15 Minutos Mesmo recheado de lugares-comuns e carregado de obviedades, este thriller sobre dois psicopatas europeus que barbarizam Nova York brinca com a metalinguagem do cinema, faz referências abusadas e sem muita sutileza ao american way of crime e acaba acertando no que não mirou: a televisão sanguinolenta e a capacidade do veículo de banalizar a violência na busca dos tais 15 minutos de fama, como gostava de brincar a sério o precoce multimídia Andy Warhol. Robert De Niro, superexposto e burocrata, é outro que de vez em quando precisa dar um tempo.
O Retorno da Múmia Segunda dose desta história que o cineasta brasileiro Ivan Cardoso chamaria de terrir, um mix de comédia, aventura e terror. Mais do mesmo, e até um pouquinho melhor enquanto diversão absolutamente pipoca das quatro. O público adolescente, em especial, vaise fartar com mais criaturas excêntricas, mais correrias, mais perigos. Brendan Fraser repete o aventureiro que enfrenta maldições diversas, agora para livrar o filho em perigo.
A Fuga das Galinhas O melhor presente que o exibidor poderia oferecer para encerrar ano, século e milênio. Animação à moda antiga, com personagens moldados em silicone e látex. Lideradas pela valente Ginger, galinhas tentam fugir de granja para não virar recheio de torta. Bela homenagem às mulheres, à liberdade e a clássicos do cinema, como Inferno 17 e Fugindo do Inferno. Arte e diversão em perfeita harmonia.
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