ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
DivulgaçãoLimite Vertical:adrenalina pura que testa os batimentos cardíacos dos espectadores
Limite Vertical O filme é um teste para os batimentos cardíacos do espectador, tantas são frequentes as vertigens causadas por uma bateria de efeitos digitalizados. Equipe de montanhistas fica presa no temível K2. Outra equipe tenta o resgate, apesar do mau tempo e das dificuldades. Em meio às peripécias regadas a nitroglicerina, um conflito familiar entre irmão que sacrificou o pai e irmã que foi salva no sacrifício, em outra montanha. Previsibilidade é o que não falta. Recomenda-se assistir entre as refeições.
Poucas e Boas Penúltimo filme de Woody Allen lançado no Brasil, Sweet e Lowdown tem o jazz no centro das atenções, desta vez explicitamente. Ele não está de corpo presente, mas presta bela homenagem a um de seus ídolos, o guitarista Django Reinhardt. A comédia agridoce é uma cinebiografia deslavadamente fictícia de um músico nova-iorquino que nunca existiu, interpretado por Sean Penn. Mas o destaque é a revelação Samantha Morton, que interpreta uma muda-musa (ou vice-versa). Bom, como sempre. Mas vem melhor por aí: Pequenos Ladrões, ou Ladrões de Segunda, seja o título que a distribuidora vai dar para Small Time Crooks
A Bruxa de Blair 2 - O Livro das Sombras Lá vão eles de novo, estes jovens curiosos e suas câmeras maravilhosas em busca da mesma bruxa de Maryland que dizimou uma equipe de estudantes de cinema enquanto faziam vídeo-documento sobre estranhos crimes ocorridos na região. Limitado somente a causar efeito sobre adolescentes, o filme deixa de lado a pretensão de ser original e instigante como o primeiro e sai em busca de banalidade e dólares.
Contos Proibidos do Marquês de Sade O diretor Philip Kaufman, calejado no inventário existencial de personagens de filmes anteriores (A Insustentável Leveza do Ser, Henry e June) conseguiu aqui a fórmula, se não ideal, pelo menos a possível, para o equilíbrio entre as coisas do corpo (sexo e perversões sádicas) e do espírito (a luta desesperada pela liberdade de expressão). Cinebiografia bem aceitável sobre os últimos dias do controvertido aristocrata. Há possibilidade de Oscar.
DivulgaçãoA Nova Onda do Imperador:filme da Disney com história original e bem-humorada
A Nova Onda do Imperador Ao lado de A Fuga das Galinhas, outra animação imperdível. Sem se preocupar com tecnologias sofisticadas, a velha magia Disney recupera o melhor da graça e da espontaneidade de sua galeria de clássicos, nesta história original e muito bem-humorada sobre o megalomaníaco imperador Kuzco, que faz de tudo para recuperar o trono usurpado pelo conselheiro imperial Yzma.
Entrando Numa Fria Comédia simpática e frequentemente engraçada sobre enfermeiro apaixonado que tenta pedir a mão da namorada durante fim de semana na casa dos pais dela. De Niro como pai da noiva e ex-agente da CIA rouba a metade das cenas. A outra metade quem leva é Ben Stiller, que a partir de agora deve dividir com Jim Carrey o legado do humor no cinema americano. O diretor Jay Roach surpreende, depois dos descartáveis Austin Powers.
DivulgaçãoO 6º Dia:roteiro poderia ousar mais ao tratar de questões existenciais
O 6º Dia O velho republicano Schwarzy parece não estar mesmo em seus melhores dias. Depois de brigar feio com o diabo em O Fim dos Dias, agora entra em sério atrito consigo mesmo, isto é, com seu clone. Que aliás não é uma ovelhinha Dolly qualquer, mas alguém a serviço de um malvado industrial da área biológica, cheio de maquinações. O roteiro bem poderia ousar um pouquinho e flertar com a questão existencial (o acerto de contas do homem consigo mesmo), mas acaba caindo na trivialidade das correrias e dos efeitos especiais.
E aí meu irmão, cadê você? Dos irmãos Coen, Joel e Ethan,
é possível esperar tudo, até este divertido pastichão da Odisséia de Homero, misto de fantasia, comédia e musical adaptada para o Mississipi durante os anos da Depressão. Três homens fogem do presídio e voltam para casa. No caminho, o encontro com o cíclope, com as sereias e com uma enfurecida Penélope. Os Coen já fizeram melhor, mas dá bem para o gasto.
Náufrago Embora hesitante e insatisfatório no desenlace, esta história do acerto de contas entre civilizado e civilização numa ilha deserta tem hora e meia de grande e generoso cinema. Como são 144 minutos de extensão, o saldo é até muito positivo. Aos 45 anos, Tom Hanks prova uma vez mais que é ator cinematográfico por excelência. Sua solitária intimidade com a câmera o coloca entre os melhores de uma geração que não tem lá muitos eleitos.
Lenda Urbana 2 Os fãs do primeiro episódio podem desarmar expectativas. O tema das lendas urbana, sem dúvida original na primeira parte, chega aqui escamoteado, um mero pretexto. Depois de um início até animador para os gastos ordinários do gênero, o restante é descartável. E o tema do filme dentro do filme, de tão surrado, se transforma aqui em
meta-bobagem.
Corpo Fechado Mais um filme fora do comum assinado por M. Night Shyamalan. Na trilha sobrenatural aberta por O Sexto Sentido, uma das virtudes notáveis do filme está na decisão radical de abraçar o sofrimento como forma lucida e piedosa de edificar idéias e atingir o conhecimento. Na história de opostos o super-homem inquebrável e o vulnerável homem de vidro algumas possibilidades interessantes para extrair lições de vida.
A Fuga das Galinhas O melhor presente que o exibidor poderia oferecer para encerrar ano, século e milênio. Animação à moda antiga, com personagens moldados em silicone e látex. Lideradas pela valente Ginger, galinhas tentam fugir de granja para não virar recheio de torta. Bela homenagem às mulheres, à liberdade e a clássicos do cinema, como Inferno 17 e Fugindo do Inferno. Arte e diversão em perfeita harmonia.
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