Divulgação‘‘Poucas e Boas’’:comédia em que Woody Allen presta reverência ao guitarrista Django Reinhardt








Poucas e Boas – Penúltimo filme de Woody Allen lançado no Brasil, ‘‘Sweet e Lowdown’’ tem o jazz no centro das atenções, desta vez explicitamente. Ele não está de corpo presente, mas presta bela homenagem a um de seus ídolos, o guitarista Django Reinhardt. A comédia agridoce é uma cinebiografia deslavadamente fictícia de um músico nova-iorquino que nunca existiu, interpretado por Sean Penn. Mas o destaque é a revelação Samantha Morton, que interpreta uma muda-musa (ou vice-versa). Bom, como sempre. Mas vem melhor por aí: ‘‘Pequenos Ladrões’’, ou ‘‘Ladrões de Segunda’’, seja o título que a distribuidora vai dar para ‘‘Small Time Crooks’’ •••
Limite Vertical – O filme é um teste para os batimentos cardíacos do espectador, tantas são frequentes as vertigens causadas por uma bateria de efeitos digitalizados. Equipe de montanhistas fica presa no temível K2. Outra equipe tenta o resgate, apesar do mau tempo e das dificuldades. Em meio às peripécias regadas a nitroglicerina, um conflito familiar entre irmão que sacrificou o pai e irmã que foi salva no sacrifício, em outra montanha. Previsibilidade é o que não falta. Recomenda-se assistir entre as refeições. ••
A Bruxa de Blair 2 - O Livro das Sombras – Lá vão eles de novo, estes jovens curiosos e suas câmeras maravilhosas em busca da mesma bruxa de Maryland que dizimou uma equipe de estudantes de cinema enquanto faziam vídeo-documento sobre estranhos crimes ocorridos na região. Limitado somente a causar efeito sobre adolescentes, o filme deixa de lado a pretensão de ser original e instigante como o primeiro e sai em busca de banalidade e dólares. ••
Contos Proibidos do Marquês de Sade – O diretor Philip Kaufman, calejado no inventário existencial de personagens de filmes anteriores (‘‘A Insustentável Leveza do Ser’’, ‘‘Henry e June’’) conseguiu aqui a fórmula, se não ideal, pelo menos a possível, para o equilíbrio entre as coisas do corpo (sexo e perversões ‘‘sádicas’’) e do espírito (a luta desesperada pela liberdade de expressão). Cinebiografia bem aceitável sobre os últimos dias do controvertido aristocrata. Há possibilidade de Oscar. •••



Divulgação‘‘A Nova Onda do Imperador’’:a Disney recupera a velha e boa magia dos filmes de animação






A Nova Onda do Imperador – Ao lado de ‘‘A Fuga das Galinhas’’, outra animação imperdível. Sem se preocupar com tecnologias sofisticadas, a velha magia Disney recupera o melhor da graça e da espontaneidade de sua galeria de clássicos, nesta história original e muito bem-humorada sobre o megalomaníaco imperador Kuzco, que faz de tudo para recuperar o trono usurpado pelo conselheiro imperial Yzma. ••••
Entrando Numa Fria – Comédia simpática e frequentemente engraçada sobre enfermeiro apaixonado que tenta pedir a mão da namorada durante fim de semana na casa dos pais dela. De Niro como pai da noiva e ex-agente da CIA rouba a metade das cenas. A outra metade quem leva é Ben Stiller, que a partir de agora deve dividir com Jim Carrey o legado do humor no cinema americano. O diretor Jay Roach surpreende, depois dos descartáveis Austin Powers. •••




Divulgação‘‘E aí meu irmão, cadê você?’’:pastiche que mistura fantasia, comédia e musical







E aí meu irmão, cadê você? – Dos irmãos Coen, Joel e Ethan,
é possível esperar tudo, até este divertido pastichão da ‘‘Odisséia’’ de Homero, misto de fantasia, comédia e musical adaptada para o Mississipi durante os anos da Depressão. Três homens fogem do presídio e voltam para casa. No caminho, o encontro com o cíclope, com as sereias e com uma enfurecida Penélope. Os Coen já fizeram melhor, mas dá bem para o gasto. •••
O 6º Dia – O velho republicano Schwarzy parece não estar mesmo em seus melhores dias. Depois de brigar feio com o diabo em ‘‘O Fim dos Dias’’, agora entra em sério atrito consigo mesmo, isto é, com seu clone. Que aliás não é uma ovelhinha Dolly qualquer, mas alguém a serviço de um malvado industrial da área biológica, cheio de maquinações. O roteiro bem poderia ousar um pouquinho e flertar com a questão existencial (o acerto de contas do homem consigo mesmo), mas acaba caindo na trivialidade das correrias e dos efeitos especiais. ••
Náufrago – Embora hesitante e insatisfatório no desenlace, esta história do acerto de contas entre civilizado e civilização numa ilha deserta tem hora e meia de grande e generoso cinema. Como são 144 minutos de extensão, o saldo é até muito positivo. Aos 45 anos, Tom Hanks prova uma vez mais que é ator cinematográfico por excelência. Sua solitária intimidade com a câmera o coloca entre os melhores de uma geração que não tem lá muitos eleitos. •••
Lenda Urbana 2 – Os fãs do primeiro episódio podem desarmar expectativas. O tema das lendas urbana, sem dúvida original na primeira parte, chega aqui escamoteado, um mero pretexto. Depois de um início até animador para os gastos ordinários do gênero, o restante é descartável. E o tema do filme dentro do filme, de tão surrado, se transforma aqui em
meta-bobagem. •
Corpo Fechado – Mais um filme fora do comum assinado por M. Night Shyamalan. Na trilha sobrenatural aberta por ‘‘O Sexto Sentido’’, uma das virtudes notáveis do filme está na decisão radical de abraçar o sofrimento como forma lucida e piedosa de edificar idéias e atingir o conhecimento. Na história de opostos – o super-homem inquebrável e o vulnerável homem de vidro – algumas possibilidades interessantes para extrair lições de vida. •••
A Fuga das Galinhas – O melhor presente que o exibidor poderia oferecer para encerrar ano, século e milênio. Animação à moda antiga, com personagens moldados em silicone e látex. Lideradas pela valente Ginger, galinhas tentam fugir de granja para não virar recheio de torta. Bela homenagem às mulheres, à liberdade e a clássicos do cinema, como ‘‘Inferno 17’’ e ‘‘Fugindo do Inferno’’. Arte e diversão em perfeita harmonia. •••••
Cotação • (fraco) •• (razoável) ••• (bom) •••• (ótimo) ••••• (hors concours)

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