Náufrago – Embora hesitante e insatisfatório no desenlace, esta história do acerto de contas entre civilizado e civilização numa ilha deserta tem hora e meia de grande e generoso cinema. Como são 144 minutos de extensão, o saldo é até muito positivo. Aos 45 anos, Tom Hanks prova uma vez mais que é ator cinematográfico por excelência. Sua solitária intimidade com a câmera o coloca entre os melhores de uma geração que não tem lá muitos eleitos.•••

‘‘Corpo Fechado’’: filme com Bruce Willis percorre a trilha sobrenatural
Corpo Fechado – Mais um filme fora do comum assinado por M. Night Shyamalan. Na trilha sobrenatural aberta por ‘‘O Sexto Sentido’’, uma das virtudes notáveis do filme está na decisão radical de abraçar o sofrimento como forma lucida e piedosa de edificar idéias e atingir o conhecimento. Na história de opostos – o super-homem inquebrável e o vulnerável homem de vidro – algumas possibilidades interessantes para extrair lições de vida. •••
Entrando Numa Fria – Comédia simpática e frequentemente engraçada sobre enfermeiro apaixonado que tenta pedir a mão da namorada durante fim de semana na casa dos pais dela. De Niro como pai da noiva e ex-agente da CIA rouba a metade das cenas. A outra metade quem leva é Ben Stiller, que a partir de agora deve dividir com Jim Carrey o legado do humor no cinema americano. O diretor jay Roach surpreende, depois dos descartáveis Austin Powers. •••
O 6º Dia – O velho republicano Schwarzy parece não estar mesmo em seus melhores dias. Depois de brigar feio com o diabo em ‘‘O Fim dos Dias’’, agora entra em sério atrito consigo mesmo, isto é, com seu clone. Que aliás não é uma ovelhinha Dolly qualquer, mas alguém a serviço de um malvado industrial da área biológica, cheio de maquinações. O roteiro bem poderia ousar um pouquinho e flertar com a questão existencial (o acerto de contas do homem consigo mesmo), mas acaba caindo na trivialidade das correrias e dos efeitos especiais. ••
Lenda Urbana 2 – Os fãs do primeiro episódio podem desarmar expectativas. O tema das lendas urbana, sem dúvida original na primeira parte, chega aqui escamoteado, um mero pretexto. Depois de um início até animador para os gastos ordinários do gênero, o restante é descartável. E o tema do filme dentro do filme, de tão surrado, se transforma aqui em
meta-bobagem. •
Um Diabo Diferente – O filho caçula de Satã é enviado pelo pai a Nova York para encontrar os dois irmãos mais velhos. No roteiro, uma paixão e muito boa vida. Voltar fica difícil. Comédia para quem gosta de Adam Sandler, que os americanos adoram. Quem viu o trailer já conhece a maioria das piadas do filme. O grande Harvey Keitel aparece como Satã, obviamente em canoa furada. ••
O Pequeno Vampiro – Garoto americano vai para a Escócia com os pais e é escolhido por garoto-vampiro da mesma idade como companheiro de aventuras. O diretor Uli Edel fez um curioso filme de miniterror – vale dizer, o traços do genero estão todos por aqui, mas filtrados por um olhar infanto-juvenil. Nada de mais, mas também nada de muito menos. Aceitável, para o gasto das férias escolares. ••
Alta Fidelidade – Na aparência, uma pequena história sobre as dificuldades que homens na faixa dos 35 têm em comprometer-se afetivamente. Mas esta outra incursão do inglês Stephen Frears ao cinema americano é mais profunda e complexa do que aparenta. O filme é uma espécie de ‘‘Annie Hall’’ dos anos 90, e se concentra nas penúrias românticas de Rob, vivido por John Cusack ••••
A Fuga das Galinhas – O melhor presente que o exibidor poderia oferecer para encerrar ano, século e milênio. Animação à moda antiga, com personagens moldados em silicone e látex. Lideradas pela valente Ginger, galinhas tentam fugir de granja para não virar recheio de torta. Bela homenagem às mulheres, à liberdade e a clássicos do cinema, como ‘‘Inferno 17’’ e ‘‘Fugindo do Inferno’’. Arte e diversão em perfeita harmonia. •••••
Dominação – Exorcistas à solta, o que às vezes é coisa pior que o próprio demônio. Wynona Rider, agora uma sensitiva, vem de um mortal outono em Nova York para combater um provável anti-Cristo rondando a humanidade. O diretor estreante é Januz Kaminski, o mestre da iluminação dos últimos filmes de Spielberg. Como profissional, bem melhor por trás das câmeras. Para liquidar as pretensões de quem pensa estar tratando o tema à altura, vem aí a versão definitiva – com 11 minutos a mais – de ‘‘O Exorcista’’, o clássico que William Friedkin assinou em 71. ••
A Nova Onda do Imperador – Ao lado de ‘‘A Fuga das Galinhas’’, outra animação imperdível. Sem se preocupar com tecnologias sofisticadas, a velha magia Disney recupera o melhor da graça e da espontaneidade de sua galeria de clássicos, nesta história original e muito bem-humorada sobre o megalomaníaco imperador Kuzco, que faz de tudo para recuperar o trono usurpado pelo conselheiro imperial Yzma. ••••
Um Homem de Família – Fantasia adulta em chave natalina. Super corretor de Wall Street, workaholic, solteirão e anestesiado, vive de repente realidade paralela. Um dia acorda em cama de casa de subúrbio, casado, dois filhos e empregado do sogro. O espírito do filme é mais ou menos o do cinema otimista de Frank Capra, idos de 30 e 40, expurgados os excessos de sentimentalismo. •••
Cotação • (fraco) •• (razoável) ••• (bom) •••• (ótimo) ••••• (hors concours)

mockup