ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
DivulgaçãoUm Homem de Família:filme remete ao cinema de Frank Capra sem os excessos de sentimentalismo
Um Homem de Família Fantasia adulta em chave natalina. Super corretor de Wall Street, workaholic, solteirão e anestesiado, vive de repente realidade paralela. Um dia acorda em cama de casa de subúrbio, casado, dois filhos e empregado do sogro. O espírito do filme é mais ou menos o do cinema otimista de Frank Capra, idos de 30 e 40, expurgados os excessos de sentimentalismo.
O 6º Dia O velho republicano Schwarzy parece não estar mesmo em seus melhores dias. Depois de brigar feio com o diabo em O Fim dos Dias, agora entra em sério atrito consigo mesmo, isto é, com seu clone. Que aliás não é uma ovelhinha Dolly qualquer, mas alguém a serviço de um malvado industrial da área biológica, cheio de maquinações. O roteiro bem poderia ousar um pouquinho e flertar com a questão existencial (o acerto de contas do homem consigo mesmo), mas acaba caindo na trivialidade das correrias e dos efeitos especiais.
O Caminho para Casa Uma trama simples, poética e emocionante é o centro deste novo filme de Zhang Yimou, o diretor de Lanternas Vermelhas e A História de Qiu Ju. Um homem de cidade grande volta ao distante povoado natal para assistir ao enterro do pai, e deve respeitar as antigas tradições funerárias. O filho acaba envolvido em recordações dos tempos em os pais ainda eram noivos.
DivulgaçãoA Nova Onda do Imperador:história original e bem-humorada com a qual a Disney recupera a espontaneidade
A Nova Onda do Imperador Ao lado de A Fuga das Galinhas, outra animação imperdível. Sem se preocupar com tecnologias sofisticadas, a velha magia Disney recupera o melhor da graça e da espontaneidade de sua galeria de clássicos, nesta história original e muito bem-humorada sobre o megalomaníaco imperador Kuzco, que faz de tudo para recuperar o trono usurpado pelo conselheiro imperial Yzma.
A Fuga das Galinhas O melhor presente que o exibidor poderia oferecer para encerrar ano, século e milênio. Animação à moda antiga, com personagens moldados em silicone e látex. Lideradas pela valente Ginger, galinhas tentam fugir de granja para não virar recheio de torta. Bela homenagem às mulheres, à liberdade e a clássicos do cinema, como Inferno 17 e Fugindo do Inferno. Arte e diversão em perfeita harmonia.
O Auto da Compadecida Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha.
Dominação Exorcistas à solta, o que às vezes é coisa pior que o próprio demônio. Wynona Rider, agora uma sensitiva, vem de um mortal outono em Nova York para combater um provável anti-Cristo rondando a humanidade. O diretor estreante é Januz Kaminski, o mestre da iluminação dos últimos filmes de Spielberg. Como profissional, bem melhor por trás das câmeras. Para liquidar as pretensões de quem pensa estar tratando o tema à altura, vem aí a versão definitiva com 11 minutos a mais de O Exorcista, o clássico que William Friedkin assinou em 71.
102 Dálmatas O filme chega com cara de escola, adeus; viva as férias. Nesta retomada dos personagens do sucesso de 96, quando havia um dálmata a menos, a vilã Cruella sai das grades aparentemente regenerada e disposta a amar e ajudar cães sem-teto. Mas para alegria geral ela logo volta a perseguir e raptar dálmatas para a confecção de um casaco, agora com a ajuda de outro vilão (Depardieu). O primeiro (o desenho, 66) era melhor que o segundo (101, 96) que era melhor que este. Glenn Close continua valendo o ingresso.
DivulgaçãoO Implacável:remake estrelado por Sylvester Stalone sob encomenda para platéias pouco exigentes
O Implacável Refilmagem pouco inspirada de famoso filme inglês de gangster do início dos 70, Carter, o Vingador . Sylvester Stalone está de volta à ativa, mas a julgar pelas bilheterias do filme nos Estados Unidos a carreira do velho Rocky anda precisando de novo agenciamento. Ele aqui é Jack Carter, um coletor de dívidas de volta a Seattle natal para investigar a morte do irmão supostamente morto em acidente. Violência para atender o gosto de platéias pouco exigentes.
O Grinch - Muito popular nos EUA e inteiramente desconhecido do público brasileiro, este Grinch representa o anti-espírito natalino. Nesta história, dirigida pelo sempre edificante Ron Howard, uma menininha tenta fazer a cabeça do estranho personagem verde e peludo, inoculando nele as melhores intenções. O filme atende pelo nome de Jim Carrey, que faz misérias por trás da pesada maquiagem. As cópias dubladas não ajudam muito, mas somente o impressionante trabalho do ator supera qualquer problema e justifica a cotação.
As Panteras Reinventadas pela ótica video-music-fashion-descartável do entretenimento hollywoodiano sub-23, as personagens que fizeram historia nos anos 70 com a série televisiva voltam com novos nomes e novas caras. Praticamente inexiste um roteiro, e a direção de McG (??) serve só como amarração de clipagem eletrônica disfarçada de ação eletrizante. O charme de Farraw, Jacklin e Kate deixa a anos luz Cameron, Drew e Lucy.
Outono em Nova York Comédia melo-romântica, uma Love Story requentada, com outono mais rigoroso e musica menos insolente. Playboy Richard Gere, cinquentão, se apaixona por Winona Ryder, uma despachada garota de 22 (!?).O problema é que ela está doente e vai morrer. E morre de fato. Não existe química, nem afetiva, nem sexual entre os dois personagens, o que desanda o molho da diretora Joan Chen. Teste rápido de memória: quantos filmes Hollywood já fez com essa mesma receita?





