ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
O Jantar No último filme memorável de Vittorio Gassman, um banquete de gala para o espectador. O diretor Ettore Scola recupera aquilo que sempre teve de melhor e que andava meio enferrujado: o toque de mestre quando compõe um generoso afresco humanista, sensível, perspicaz, solidário, bem-humorado. Um jantar numa trattoria romana é pretexto para esplêndido desfile sócio-político da classe média italiana. PPPP
Galinhas em Fuga O melhor presente que o exibidor poderia oferecer para encerrar ano, século e milênio. Animação à moda antiga, com personagens moldados em silicone e látex. Lideradas pela valente Ginger, galinhas tentam fugir de granja para não virar recheio de torta. Bela homenagem às mulheres, à liberdade e a clássicos do cinema, como Inferno 17 e Fugindo do Inferno. Arte e diversão em perfeita harmonia. *****
Um Homem de Família Fantasia adulta em chave natalina. Super corretor de Wall Street, workaholic, solteirão e anestesiado, vive de repente realidade paralela. Um dia acorda em cama de casa de subúrbio, casado, dois filhos e empregado do sogro. O espírito do filme é mais ou menos o do cinema otimista de Frank Capra, idos de 30 e 40, expurgados os excessos de sentimentalismo. ***
Xuxa Popstar e Um Anjo Trapalhão - Os dois filmes, que poderiam passar na tevê como velhos especiais de Natal dos respectivos personagens, oferecem o de sempre, isto é, muito pouco de quase nada. A Globo Filmes deixa bem claro quais suas prioridades para ajudar o cinema brasileiro. *
Zona de Guerra - Na estréia como diretor, o ator Tim Roth faz incisão profunda e dolorosa em universo familiar fraturado e toca sem meias medidas em temas que felizmente vão deixando de ser tabu: o incesto e o abuso sexual. Filme penoso, para digestão lenta. Mas necessário e realizado com honestidade. ***
Sexo, Pudor e Lágrimas Um curiosa comédia mexicana sobre a moral dos anos 90. Seis personagens, vizinhos de apartamento (um triângulo em cada imóvel), vivem situações muito parecidas com certa dramaturgia tipicamente mexicana, aqui filtrada por um olhar mais crítico. Amor, sexo, trabalho em chave de sitcom. O filme é sobre o estilo latino de fazer rir e chorar, e deve ser visto neste contexto. ***
O Grinch - Muito popular nos EUA e inteiramente desconhecido do público brasileiro, este Grinch representa o anti-espírito natalino. Nesta história, dirigida pelo sempre edificante Ron Howard, uma menininha tenta fazer a cabeça do estranho personagem verde e peludo, inoculando nele as melhores intenções. O filme atende pelo nome de Jim Carrey, que faz misérias por trás da pesada maquiagem. As cópias dubladas não ajudam muito, mas somente o impressionante trabalho do ator supera qualquer problema e justifica a cotação. PPP
E aí meu irmão, cadê você? Dos irmãos Coen, Joel e Ethan,
é possível esperar tudo, até este divertido pastichão da Odisséia de Homero, misto de fantasia, comédia e musical adaptada para o Mississipi durante os anos da Depressão. Três homens fogem do presídio e voltam para casa. No caminho, o encontro com o cíclope, com as sereias e com uma enfurecida Penélope. Os Coen já fizeram melhor, mas dá bem para o gasto.
Meu Nome é Joe Ativista de um cinema de cunho social, o diretor Ken Loach vai outra vez fundo na radiografia do processo de marginalização do individuo. O Joe do título é produto das distorções de uma sociedade perversa, e a ele só resta mesmo o nome como traço de dignidade. Mas ainda assim ele tenta, ajudado por uma assistente social. A novidade no cinema de Loach é que aqui nasce uma inédita relação afetiva mais profunda. O ator Peter Mullan levou fácil o prêmio de melhor ator em Cannes-98. PPPP
102 Dálmatas O filme chega com cara de escola, adeus; viva as férias. Nesta retomada dos personagens do sucesso de 96, quando havia um dálmata a menos, a vilã Cruella sai das grades aparentemente regenerada e disposta a amar e ajudar cães sem-teto. Mas para alegria geral ela logo volta a perseguir e raptar dálmatas para a confecção de um casaco, agora com a ajuda de outro vilão (Depardieu). O primeiro (o desenho, 66) era melhor que o segundo (101, 96) que era melhor que este. Glenn Close continua valendo o ingresso. PP
FN27> As Panteras Reinventadas pela ótica video-music-fashion-descartável do entretenimento hollywoodiano sub-23, as personagens que fizeram historia nos anos 70 com a série televisiva voltam com novos nomes e novas caras. Praticamente inexiste um roteiro, e a direção de McG (??) serve só como amarração de clipagem eletrônica disfarçada de ação eletrizante. O charme de Farraw, Jacklin e Kate deixa a anos luz Cameron, Drew e Lucy.
Outono em Nova York Comédia melo-romântica, uma Love Story requentada, com outono mais rigoroso e musica menos insolente. Playboy Richard Gere, cinquentão, se apaixona por Winona Ryder, uma despachada garota de 22 (!?).O problema é que ela está doente e vai morrer. E morre de fato. Não existe química, nem afetiva, nem sexual entre os dois personagens, o que desanda o molho da diretora Joan Chen. Teste rápido de memória: quantos filmes Hollywood já fez com essa mesma receita?
A Filha da Luz Cuidado crianças nascidas em 16 de dezembro: há um serial killer à solta matando menininhas com seis anos. O assassino é na verdade um satanista atrás da garotinha certa para os propósitos do Mal. Indigesto coquetel à base de Profecia, Fim dos Dias, Estigmata e que tais. Kim Bassinger, ultimamente em papéis equivocados, deve despedir com urgência seu agente. Perda de tempo geral, do espectador inclusive.
Duas Vidas Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia.
Cotação (fraco) (razoável) (bom) (ótimo) (hors concours)





