ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
DivulgaçãoDuas Vidas:fórmula simplista, mas cheia de charme e bom humor
Duas Vidas Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia.
O Grinch - Muito popular nos EUA e inteiramente desconhecido do público brasileiro, este Grinch representa o anti-espírito natalino. Nesta história, dirigida pelo sempre edificante Ron Howard, uma menininha tenta fazer a cabeça do estranho personagem verde e peludo, inoculando nele as melhores intenções. O filme atende pelo nome de Jim Carrey, que faz misérias por trás da pesada maquiagem. As cópias dubladas não ajudam muito, mas somente o impressionante trabalho do ator supera qualquer problema e justifica a cotação. ***
Meu Nome é Joe Ativista de um cinema de cunho social, o diretor Ken Loach vai outra vez fundo na radiografia do processo de marginalização do individuo. O Joe do título é produto das distorções de uma sociedade perversa, e a ele só resta mesmo o nome como traço de dignidade. Mas ainda assim ele tenta, ajudado por uma assistente social. A novidade no cinema de Loach é que aqui nasce uma inédita relação afetiva mais profunda. O ator Peter Mullan levou fácil o prêmio de melhor ator em Cannes-98. ****
102 Dálmatas O filme chega com cara de escola, adeus; viva as férias. Nesta retomada dos personagens do sucesso de 96, quando havia um dálmata a menos, a vilã Cruella sai das grades aparentemente regenerada e disposta a amar e ajudar cães sem-teto. Mas para alegria geral ela logo volta a perseguir e raptar dálmatas para a confecção de um casaco, agora com a ajuda de outro vilão (Depardieu). O primeiro (o desenho, 66) era melhor que o segundo (101, 96) que era melhor que este. Glenn Close continua valendo o ingresso. **
DivulgaçãoA Cela:pretensiosas citações cinematográficas, literárias e videoclipes
A Cela Psicóloga desenvolve técnica revolucionária e acaba entrando na mente de psicopata serial killer. Sair de lá com saúde mental é que são elas. Pretensioso exercício que mistura citações cinematográficas, literárias e de videoclipe. Jennifer Lopez, pasmem, está sendo trabalhada para ser uma das divas do século 21. O filme leva fácil o troféu Claustrofobia.
E aí meu irmão, cadê você? Dos irmãos Coen, Joel e Ethan,
é possível esperar tudo, até este divertido pastichão da Odisséia de Homero, misto de fantasia, comédia e musical adaptada para o Mississipi durante os anos da Depressão. Três homens fogem do presídio e voltam para casa. No caminho, o encontro com o cíclope, com as sereias e com uma enfurecida Penélope. Os Coen já fizeram melhor, mas dá bem para o gasto.
As Panteras Reinventadas pela ótica video-music-fashion-descartável do entretenimento hollywoodiano sub-23, as personagens que fizeram historia nos anos 70 com a série televisiva voltam com novos nomes e novas caras. Praticamente inexiste um roteiro, e a direção de McG (??) serve só como amarração de clipagem eletrônica disfarçada de ação eletrizante. O charme de Farraw, Jacklin e Kate deixa a anos luz Cameron, Drew e Lucy.
Outono em Nova York Comédia melo-romântica, uma Love Story requentada, com outono mais rigoroso e musica menos insolente. Playboy Richard Gere, cinquentão, se apaixona por Winona Ryder, uma despachada garota de 22 (!?).O problema é que ela está doente e vai morrer. E morre de fato. Não existe química, nem afetiva, nem sexual entre os dois personagens, o que desanda o molho da diretora Joan Chen. Teste rápido de memória: quantos filmes Hollywood já fez com essa mesma receita?
A Filha da Luz Cuidado crianças nascidas em 16 de dezembro: há um serial killer à solta matando menininhas com seis anos. O assassino é na verdade um satanista atrás da garotinha certa para os propósitos do Mal. Indigesto coquetel à base de Profecia, Fim dos Dias, Estigmata e que tais. Kim Bassinger, ultimamente em papéis equivocados, deve despedir com urgência seu agente. Perda de tempo geral, do espectador inclusive.
Todo Mundo em Pânico:enxurrada de piadas de todos os tipos
Todo Mundo em Pânico Outra comédia, desta vez completamente desregrada. Vendo o filme, cabe ao espectador decidir se a afirmação é elogio ou não. Enxurrada de piadas de todo o tipo infames, chulas, espirituosas em cima da onda de terror teen que assolou o cinema nos 90, particularmente através de Pânico e Eu Sei o que Você Fizeram no Verão Passado. Mas há referências a outros títulos recentes e famosos. Os americanos adoraram esta paródia anarquista, produzida pela mesma empresa da série Pânico.
Endiabrado Da interminável série Em Algum Lugar do Passado Hollywoodiano, a refilmagem de uma comédia de 67 dirigida por Stanley Donen, O Diabo é Meu Sócio. Introvertido desajeitado faz pacto com bela diaba para conquistar colega de trabalho. Mas cada um dos sete desejos satisfeitos leva a equívocos e confusões. Elizabeth Hurley faz o pacto valer a pena. Brendan Fraser vem se especializando no tipo, o que é perigoso. No geral, inofensiva.
O Auto da Compadecida Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha.
Cotação (fraco) (razoável) (bom) (ótimo) (hors concours)





