Divulgação‘‘As Panteras’’:falta o charme da série televisiva











As Panteras – Reinventadas pela ótica video-music-fashion-descartável do entretenimento hollywoodiano sub-23, as personagens que fizeram historia nos anos 70 com a série televisiva voltam com novos nomes e novas caras. Praticamente inexiste um roteiro, e a direção de McG (??) serve só como amarração de clipagem eletrônica disfarçada de ação eletrizante. O charme de Farraw, Jacklin e Kate deixa a anos luz Cameron, Drew e Lucy.
Vidas Secas – Perto de completar 40 anos, a adaptação primorosa que Nelson Pereira dos Santos fez do clássico de Graciliano Ramos resiste a cada nova revisão. Cinema e literatura em comunhão solene, o realismo crítico do escritor captado nas imagens poderosas do cineasta. Esta fecunda relação teria mais um momento excepcional com ‘‘Memórias do Cárcere’’, de 84.
Outono em Nova York – Comédia melo-romântica, uma ‘‘Love Story’’ requentada, com outono mais rigoroso e musica menos insolente. Playboy Richard Gere, cinquentão, se apaixona por Winona Ryder, uma despachada garota de 22 (!?).O problema é que ela está doente e vai morrer. E morre de fato. Não existe química, nem afetiva, nem sexual entre os dois personagens, o que desanda o molho da diretora Joan Chen. Teste rápido de memória: quantos filmes Hollywood já fez com essa mesma receita?







Divulgação‘‘Tolerância’’:filme com argumento e roteiro de qualidades









Tolerância – Nesta hora da verdade do cinema brasileiro, o talento e a competência dos gaúchos da Casa de Cinema de Porto Alegre num filme com argumento e roteiro de alta qualidade, direção segura de Carlos Gerbase e elenco sempre nivelado por cima. Instigante mistura de trhiller policial e crônica existencial, temperada por agudas e certeiras farpas sociais.••••
A Filha da Luz – Cuidado crianças nascidas em 16 de dezembro: há um serial killer à solta matando menininhas com seis anos. O assassino é na verdade um satanista atrás da garotinha certa para os propósitos do Mal. Indigesto coquetel à base de ‘‘Profecia’’, ‘‘Fim dos Dias’’, ‘‘Estigmata’’ e que tais. Kim Bassinger, ultimamente em papéis equivocados, deve despedir com urgência seu agente. Perda de tempo geral, do espectador inclusive.•
Suando Frio – Desde os tempos de ouro de Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Silvester Stallone não se via ação em tão elevado grau de nonsense. Cuba Gooding Jr. e Skeet Ulrich formam a dupla do barulho tentando impedir que vilões façam uso de arma biológica letal para a saúde da humanidade. Viu um, viu todos.••
Shaft – Trinta anos separam o Shaft ideologizado pelo black power do diretor Gordon Parks desta reedição menos comprometida assinada por John Singleton. O personagem detetive é agora vivido por Samuel L. Jackson, às voltas com o assassinato de um negro por um branco. Ação de cara limpa, o que equivale dizer que os efeitos ficam de fora. Os saudosistas vão delirar com volta do vozeirão de Isaac Hayes, que levou um Oscar (71) com a canção-tema, agora reciclada pelo próprio autor. •••













Divulgação‘‘Endiabrado’’:refilmagem que se transformou em comédia inofensiva











Endiabrado – Da interminável série ‘‘Em Algum Lugar do Passado Hollywoodiano’’, a refilmagem de uma comédia de 67 dirigida por Stanley Donen, ‘‘O Diabo é Meu Sócio’’. Introvertido desajeitado faz pacto com bela diaba para conquistar colega de trabalho. Mas cada um dos sete desejos satisfeitos leva a equívocos e confusões. Elizabeth Hurley faz o pacto valer a pena. Brendan Fraser vem se especializando no tipo, o que é perigoso. No geral, inofensiva. •••
A Cela – Psicóloga desenvolve técnica revolucionária e acaba entrando na mente de psicopata serial killer. Sair de lá com saude mental é que são elas. Pretensioso exercício que mistura citações cinematográficas, literárias e de videoclipe. Jennifer Lopez, pasmem, está sendo trabalhada para ser uma das divas do século 21. O filme leva fácil o troféu ‘‘Claustrofobia’’. ••
E Aí Meu Irmão, Cadê Você? – Dos irmãos Coen, Joel e Ethan,
é possível esperar tudo, até este divertido pastichão da ‘‘Odisséia’’ de Homero, misto de fantasia, comédia e musical adaptada para o Mississipi durante os anos da Depressão. Três homens fogem do presídio e voltam para casa. No caminho, o encontro com o cíclope, com as sereias e com uma enfurecida Penélope. Os Coen já fizeram melhor, mas dá bem para o gasto. •••
Eu, Eu Mesmo e Irene – Depois do escracho de ‘‘Quem Vai Ficar com Mary’’, os irmãos Farrely voltam à carga com mais uma comédia destemperada. Os abusos já começam a incomodar e o riso é mais de constrangimento do que propriamente fruto de situações de humor saudável. ••
O Auto da Compadecida – Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha. •••
Duas Vidas – Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia. •••
Todo Mundo em Pânico – Outra comédia, desta vez completamente desregrada. Vendo o filme, cabe ao espectador decidir se a afirmação é elogio ou não. Enxurrada de piadas de todo o tipo – infames, chulas, espirituosas – em cima da onda de terror teen que assolou o cinema nos 90, particularmente através de ‘‘Pânico’’ e ‘‘Eu Sei o que Você Fizeram no Verão Passado’’. Mas há referências a outros títulos recentes e famosos. Os americanos adoraram esta ‘‘paródia’’ anarquista, produzida pela mesma empresa da série ‘‘Pânico’’. •••
Cotação • (fraco) •• (razoável) ••• (bom) •••• (ótimo) ••••• (hors concours)

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