ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Tolerância Nesta hora da verdade do cinema brasileiro, o talento e a competência dos gaúchos da Casa de Cinema de Porto Alegre num filme com argumento e roteiro de alta qualidade, direção segura de Carlos Gerbase e elenco sempre nivelado por cima. Instigante mistura de trhiller policial e crônica existencial, temperada por agudas e certeiras farpas sociais.
A Filha da Luz Cuidado crianças nascidas em 16 de dezembro: há um serial killer à solta matando menininhas com seis anos. O assassino é na verdade um satanista atrás da garotinha certa para os propósitos do Mal. Indigesto coquetel à base de Profecia, Fim dos Dias, Estigmata e que tais. Kim Bassinger, ultimamente em papéis equivocados, deve despedir com urgencia seu agente. Perda de tempo geral, do espectador inclusive.
Suando Frio Desde os tempos de ouro de Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Silvester Stallone não se via ação em tão elevado grau de nonsense. Cuba Gooding Jr. e Skeet Ulrich formam a dupla do barulho tentando impedir que vilões façam uso de arma biológica letal para a saúde da humanidade. Viu um, viu todos.
Shaft Trinta anos separam o Shaft ideologizado pelo black power do diretor Gordon Parks desta reedição menos comprometida assinada por John Singleton. O personagem detetive é agora vivido por Samuel L. Jackson, às voltas com o assassinato de um negro por um branco. Ação de cara limpa, o que equivale dizer que os efeitos ficam de fora. Os saudosistas vão delirar com volta do vozeirão de Isaac Hayes, que levou um Oscar (71) com a canção-tema, agora reciclada pelo próprio autor.
Endiabrado Da interminável série Em Algum Lugar do Passado Hollywoodiano, a refilmagem de uma comédia de 67 dirigida por Stanley Donen, O Diabo é Meu Sócio. Introvertido desajeitado faz pacto com bela diaba para conquistar colega de trabalho. Mas cada um dos sete desejos satisfeitos leva a equívocos e confusões. Elizabeth Hurley faz o pacto valer a pena. Brendan Fraser vem se especializando no tipo, o que é perigoso. No geral, inofensiva.
Saló Os 120 Dias de Sodoma O último e mais controvertido filme do poeta e cineasta Pier Paolo Pasolini, lançado pouco depois de seu assassinato, em 1975. Violento, apocalíptico, repulsivo para alguns, Saló é vagamente baseado na fantasia sexual e explicita do Marquês de Sade. A brutalidade do fascismo italiano, segundo Pasolini. Quatro representantes do poder um juiz, um nobre, um religioso e um banqueiro são submetidos à torturas diversas numa espécie de villa isolada. O resultado é irregular, em que pese momentos isolados de brilho.
DivulgaçãoA Cela:explorando a mente de um assassino
A Cela Psicóloga desenvolve técnica revolucionária e acaba entrando na mente de psicopata serial killer. Sair de lá com saude mental é que são elas. Pretensioso exercício que mistura citações cinematográficas, literárias e de videoclipe. Jennifer Lopez, pasmem, está sendo trabalhada para ser uma das divas do século 21. O filme leva fácil o troféu Claustrofobia.
E Aí Meu Irmão, Cadê Você? Dos irmãos Coen, Joel e Ethan,
é possível esperar tudo, até este divertido pastichão da Odisséia de Homero, misto de fantasia, comédia e musical adaptada para o Mississipi durante os anos da Depressão. Três homens fogem do presídio e voltam para casa. No caminho, o encontro com o cíclope, com as sereias e com uma enfurecida Penélope. Os Coen já fizeram melhor, mas dá bem para o gasto.
DivulgaçãoCowboys do Espaço:brincadeira geriátrica de Clint Eastwood
Cowboys do Espaço Eficiente brincadeira geriátrica de e com Clint Eastwood, espécie de hora do recreio para o cineasta que sem dúvida já assinou trabalhos bem melhores. Mas a aventura do quarteto de velhinhos passando apertos durante resgate de satélite russo carregado de mísseis é uma diversão leve, que nem eles e nem você podem levar a sério.
DivulgaçãoKiriku e a Feiticeira:animação inteligente sobre lenda africana
Kiriku e a Feiticeira Desenho animado francês sobre lenda do folclore africano. Belo e inteligente, o filme de Michel Ocelot é um bom exemplo da independência e criatividade de animadores livres da opulenta influência americana no setor
U-571 Ressurge o antigo subgênero filme de submarino. Com muita ação e suspense, este drama de guerra sobre missão aliada para neutralizar código secreto alemão se ressente de atores carismáticos e de um texto com mais consistência.
Eu, Eu Mesmo e Irene Depois do escracho de Quem Vai Ficar com Mary, os irmãos Farrely voltam à carga com mais uma comédia destemperada. Os abusos já começam a incomodar e o riso é mais de constrangimento do que propriamente fruto de situações de humor saudável.
O Auto da Compadecida Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha.
Duas Vidas Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia.
Todo Mundo em Pânico Outra comédia, desta vez completamente desregrada. Vendo o filme, cabe ao espectador decidir se a afirmação é elogio ou não. Enxurrada de piadas de todo o tipo infames, chulas, espirituosas em cima da onda de terror teen que assolou o cinema nos 90, particularmente através de Pânico e Eu Sei o que Você Fizeram no Verão Passado. Mas há referências a outros títulos recentes e famosos. Os americanos adoraram esta paródia anarquista, produzida pela mesma empresa da série Pânico.
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