ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
ReproduçãoA Cela:filme pretensioso põem em cena um serial killer e uma psicóloga
A Cela Psicóloga desenvolve técnica revolucionária e acaba entrando na mente de psicopata serial killer. Sair de lá com saude mental é que são elas. Pretensioso exercício que mistura citações cinematográficas, literárias e de videoclipe. Jennifer Lopez, pasmem, está sendo trabalhada para ser uma das divas do século 21. O filme leva fácil o troféu Claustrofobia.
E Aí Meu Irmão, Cadê Você? Dos irmãos Coen, Joel e Ethan,
é possível esperar tudo, até este divertido pastichão da Odisséia de Homero, misto de fantasia, comédia e musical adaptada para o Mississipi durante os anos da Depressão. Três homens fogem do presídio e voltam para casa. No caminho, o encontro com o cíclope, com as sereias e com uma enfurecida Penélope. Os Coen já fizeram melhor, mas dá bem para o gasto.
ReproduçãoSantitos:melodrama reciclado de maneira crítica e com boa dose de romantismo
Santitos Um bom momento do moderno cinema mexicano. Na via sacra de viúva que não aceita a morte da filha, um retrato da cultura latina, com seus excessos de telenovela e sua herança kitsch. O melodrama reciclado de maneira crítica, temperado pelo romantismo e por uma boa pitada de realismo mágico. Um dos destaques é a bela atriz Dolores Herédia.
Cowboys do Espaço Eficiente brincadeira geriátrica de e com Clint Eastwood, espécie de hora do recreio para o cineasta que sem dúvida já assinou trabalhos bem melhores. Mas a aventura do quarteto de velhinhos passando apertos durante resgate de satélite russo carrregado de mísseis é uma diversão leve, que nem eles e nem você podem levar a sério.
Super Nova É ótimo que este filme inútil esteja entre as estréias da semana ao lado das travessuras especiais dos Cowboys do Espaço. Super Nova talvez seja a maior antologia do tédio já disparada de uma plataforma hollywoodiana. O que é, no mínimo e com tanto dinheiro, pura incompetência.
Garotas de Futuro Realizado por Mike Leigh entre Segredos e Mentiras e Topsy Turvy, o filme é sobre duas mulheres inglesas na faixa dos 30, ex-colegas de quarto, que se reencontram depois de seis anos. Passam a limpo as antigas expectativas e concluem que não chegaram onde queriam. Talvez nem cheguem. Mas roteiro e direção de Leigh são sempre suficientes para que estes e outros personagens existencialmente irresolvidos provoquem reflexão. Talvez porque não alcancem o sucesso, ou porque não sejam fracassados.
ReproduçãoCelebrity:filme de Woody Allen é uma tragicomédia desabusada
Celebrity Ultimamente desaparecido das telas brasileiras, Woody Allen afinal reencontra a boa vontade dos distribuidores. Inédito há dois anos, Celebrity é uma tragicomédia desabusada, mais uma entre os muitos momentos de lucidez na filmografia do diretor. Aqui, o pequeno mundo de gente célebre e de gente que gostaria de ser. Um mundo em que as nervuras narcisistas buscam a exposição a qualquer custo. Aqui, nenhuma comiseração pelos fracos. Kenneth Branagh é o ventríloquo, a marionete, o alter ego, o avatar de Allen. Com grande competência, diga-se.
Garotos Incríveis Resolvido pela metade, este filme sobre escritor em crise existencial e criativa poderia render bem mais. Curtis Hanson é sempre bom com os atores, o que acaba salvando um pouco as aparências, mas precisa de roteiro rigoroso para deslanchar como no neo-noir Los Angeles Confidential. Michael Douglas recupera o timing de Um Dia de Fúria e Tobey Maguire, de As Regras da Vida, mostra que a amizade com Di Caprio não interrompeu o seu crescimento como ator.
Kiriku e a Feiticeira Desenho animado francês sobre lenda do folclore africano. Belo e inteligente, o filme de Michel Ocelot é um bom exemplo da independência e criatividade de animadores livres da opulenta influência americana no setor
U-571 Ressurge o antigo sub-gênero filme de submarino. Com muita ação e suspense, este drama de guerra sobre missão aliada para neutralizar código secreto alemão se ressente de atores carismáticos e de um texto com mais consistência.
Eu, Eu Mesmo e Irene Depois do escracho de Quem Vai Ficar com Mary, os irmãos Farrely voltam à carga com mais uma comédia destemperada. Os abusos já começam a incomodar e o riso é mais de constrangimento do que propriamente fruto de situações de humor saudável.
O Auto da Compadecida Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha.
Duas Vidas Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia.
Todo Mundo em Pânico Outra comédia, desta vez completamente desregrada. Vendo o filme, cabe ao espectador decidir se a afirmação é elogio ou não. Enxurrada de piadas de todo o tipo infames, chulas, espirituosas em cima da onda de terror teen que assolou o cinema nos 90, particularmente através de Pânico e Eu Sei o que Você Fizeram no Verão Passado. Mas há referências a outros títulos recentes e famosos. Os americanos adoraram esta paródia anarquista, produzida pela mesma empresa da série Pânico.
O Homem Sem Sombra Muita pirotecnia para embrulhar um roteiro inexpressivo. O diretor Paul Verhoeven tropeça pela terceira vez seguida depois de Showgirls e Tropas Estelares e não retoma aqui a originalidade de Instinto Selvagem e Robocop. A consistência do argumento, a influência de H. G. Wells, tudo aqui é invisível. Menos a parafernália digital, que confirma a fórmula do novo milênio: muito engenho, quase nenhuma arte.
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