Divulgação‘‘Santitos’’:cinema mexicano em boa forma




Santitos – Um bom momento do moderno cinema mexicano. Na via sacra de viúva que não aceita a morte da filha, um retrato da cultura latina, com seus excessos de telenovela e sua herança kitsch. O melodrama reciclado de maneira crítica, temperado pelo romantismo e por uma boa pitada de realismo mágico. Um dos destaques é bela atriz Dolores Herédia. •••




Divulgação‘‘Cowboys do Espaço’’:diversão leve conduzida por Clint Eastwood



Cowboys do Espaço – Eficiente brincadeira geriátrica de e com Clint Eastwood, espécie de hora do recreio para o cineasta que sem dúvida já assinou trabalhos bem melhores. Mas a aventura do quarteto de ‘‘velhinhos’’ passando apertos durante resgate de satélite russo carrregado de mísseis é uma diversão leve, que nem eles e nem você podem levar a sério.•••
Super Nova – É ótimo que este filme inútil esteja entre as estréias da semana ao lado das travessuras especiais dos ‘‘Cowboys do Espaço’’. ‘‘Super Nova’’ talvez seja a maior antologia do tédio já disparada de uma plataforma hollywoodiana. O que é, no mínimo e com tanto dinheiro, pura incompetência.•
Garotas de Futuro – Realizado por Mike Leigh entre ‘‘Segredos e Mentiras‘‘e ‘‘Topsy Turvy’’, o filme é sobre duas mulheres inglesas na faixa dos 30, ex-colegas de quarto, que se reencontram depois de seis anos. Passam a limpo as antigas expectativas e concluem que não chegaram onde queriam. Talvez nem cheguem. Mas roteiro e direção de Leigh são sempre suficientes para que estes e outros personagens existencialmente irresolvidos provoquem reflexão. Talvez porque não alcancem o sucesso, ou porque não sejam fracassados. •••
Celebrity – Ultimamente desaparecido das telas brasileiras, Woody Allen afinal reencontra a boa vontade dos distribuidores. Inédito há dois anos, ‘‘Celebrity’’ é uma tragicomédia desabusada, mais uma entre os muitos momentos de lucidez na filmografia do diretor. Aqui, o pequeno mundo de gente célebre – e de gente que gostaria de ser. Um mundo em que as nervuras narcisistas buscam a exposição a qualquer custo. Aqui, nenhuma comiseração pelos fracos. Kenneth Branagh é o ventríloquo, a marionete, o alter ego, o avatar de Allen. Com grande competência, diga-se.••••
Garotos Incríveis – Resolvido pela metade, este filme sobre escritor em crise existencial e criativa poderia render bem mais. Curtis Hanson é sempre bom com os atores, o que acaba salvando um pouco as aparências, mas precisa de roteiro rigoroso para deslanchar – como no neo-noir ‘‘Los Angeles Confidential’’. Michael Douglas recupera o timing de ‘‘Um Dia de Fúria’’ e Tobey Maguire, de ‘‘As Regras da Vida’’, mostra que a amizade com Di Caprio não interrompeu o seu crescimento como ator.••
Beautiful People – Bem ao estilo ‘‘soltar a câmera’’ de Robert Altman, o estreante bósnio Jasmin Dizdar fez uma comédia de humor negro sobre o caos do dia-a-dia seja lá onde for. Elenco enorme de amadores e profissionais para viver os muitos incidentes entrecruzados. Na Londres de agora, refugiados da guerra na Bósnia se misturam aos ingleses para trocar figurinhas sobre o absurdo da guerra do cotidiano.•••
Kiriku e a Feiticeira – Desenho animado francês sobre lenda do folclore africano. Belo e inteligente, o filme de Michel Ocelot é um bom exemplo da independência e criatividade de animadores livres da opulenta influência americana no setor ••••






U-571 – Ressurge o antigo sub-gênero ‘‘filme de submarino’’. Com muita ação e suspense, este drama de guerra sobre missão aliada para neutralizar código secreto alemão se ressente de atores carismáticos e de um texto com mais consistência. ••
Quase Nada – Um dos melhores momentos do cinema brasileiro neste ano ainda nebuloso em termos de retomada de produção. O diretor Sérgio Rezende deixa o registro over de ‘‘Canudos’’ e ‘‘Mauᒒ e parte para obra intimista sobre algumas atribulações da alma humana. ••••
Eu, Eu Mesmo e Irene – Depois do escracho de ‘‘Quem Vai Ficar com Mary’’, os irmãos Farrely voltam à carga com mais uma comédia destemperada. Os abusos já começam a incomodar e o riso é mais de constrangimento do que propriamente fruto de situações de humor saudável. ••
O Auto da Compadecida – Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha. A diferença? Ora, ‘‘Eu, Tu, Eles’’, ainda em cartaz. •••
Duas Vidas – Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia. •••
Todo Mundo em Pânico – Outra comédia, desta vez completamente desregrada. Vendo o filme, cabe ao espectador decidir se a afirmação é elogio ou não. Enxurrada de piadas de todo o tipo – infames, chulas, espirituosas – em cima da onda de terror teen que assolou o cinema nos 90, particularmente através de ‘‘Pânico’’ e ‘‘Eu Sei o que Você Fizeram no Verão Passado’’. Mas há referências a outros títulos recentes e famosos. Os americanos adoraram esta ‘‘paródia’’ anarquista, produzida pela mesma empresa da série ‘‘Pânico’’. •••
O Homem Sem Sombra – Muita pirotecnia para embrulhar um roteiro inexpressivo. O diretor Paul Verhoeven tropeça pela terceira vez seguida depois de ‘‘Showgirls’’ e ‘‘Tropas Estelares’’ e não retoma aqui a originalidade de ‘‘Instinto Selvagem’’ e ‘‘Robocop’’. A consistência do argumento, a influência de H. G. Wells, tudo aqui é invisível. Menos a parafernália digital, que confirma a fórmula do novo milênio: muito engenho, quase nenhuma arte.••
Cotação• (fraco) •• (razoável) •••• (bom) •••• (ótimo) ••••• (hors concours)