Divulgação‘‘Kiriku e a Feiticeira’’:bom exemplo de criatividade em animação





Kiriku e a Feiticeira – Desenho animado francês sobre lenda do folclore africano. Belo e inteligente, o filme de Michel Ocelot é um bom exemplo da independência e criatividade de animadores livres da opulenta influência americana no setor ••••
Duas Vidas – Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia. •••



Divulgação‘‘Celebrity’’:Woody Allen dando mais um sinal de lucidez e competência



Celebrity - Ultimamente desaparecido das telas brasileiras, Woody Allen afinal reencontra a boa vontade dos distribuidores. Inédito há dois anos, ‘‘Celebrity’’ é uma tragicomédia desabusada, mais uma entre os muitos momentos de lucidez na filmografia do diretor. Aqui, o pequeno mundo de gente célebre - e de gente que gostaria de ser. Um mundo em que as nervuras narcisistas buscam a exposição a qualquer custo. Aqui, nenhuma comiseração pelos fracos. Kenneth Branagh é o ventríloco, a marionete, o alter ego, o avatar de Allen. Com grande competência, diga-se.••••
Garotos Incríveis –- Resolvido pela metade, este filme sobre escritor em crise existencial e criativa poderia render bem mais. Curtis Hanson é sempre bom com os atores, o que acaba salvando um pouco as aparências, mas precisa de roteiro rigoroso para deslanchar – como no neo-noir ‘‘Los Angeles Confidential’’. Michael Douglas recupera o timing de ‘‘Um Dia de Fúria’’ e Tobey Maguire, de ‘‘As Regras da Vida’’, mostra que a amizade com Di Caprio não interrompeu o seu crescimento como ator.••
Beautiful People –- Bem ao estilo ‘‘soltar a câmera’’ de Robert Altman, o estreante bósnio Jasmin Dizdar fez uma comédia de humor negro sobre o caos do dia-a-dia seja lá onde for. Elenco enorme de amadores e profissionais para viver os muitos incidentes entrecruzados. Na Londres de agora, refugiados da guerra na Bósnia se misturam aos ingleses para trocar figurinhas sobre o absurdo da guerra do cotidiano.•••
U-571 – Ressurge o antigo sub-gênero ‘‘filme de submarino’’. Com muita ação e suspense, este drama de guerra sobre missão aliada para neutralizar código secreto alemão se ressente de atores carismáticos e de um texto com mais consistência. ••
Quase Nada – Um dos melhores momentos do cinema brasileiro neste ano ainda nebuloso em termos de retomada de produção. O diretor Sérgio Rezende deixa o registro over de ‘‘Canudos’’ e ‘‘Mauᒒ e parte para obra intimista sobre algumas atribulações da alma humana. ••••




Divulgação‘‘Eu, Eu Mesmo e Irene’’:comédia destemperada com ausência de humor saudável






Eu, Eu Mesmo e Irene – Depois do escracho de ‘‘Quem Vai Ficar com Mary’’, os irmãos Farrely voltam à carga com mais uma comédia destemperada. Os abusos já começam a incomodar e o riso é mais de constrangimento do que propriamente fruto de situações de humor saudável. ••
O Auto da Compadecida – Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha. A diferença? Ora, ‘‘Eu, Tu, Eles’’, ainda em cartaz. •••
Todo Mundo em Pânico - Outra comédia, desta vez completamente desregrada. Vendo o filme, cabe ao espectador decidir se a afirmação é elogio ou não. Enxurrada de piadas de todo o tipo – infames, chulas, espirituosas – em cima da onda de terror teen que assolou o cinema nos 90, particularmente através de ‘‘Pânico’’ e ‘‘Eu Sei o que Você Fizeram no Verão Passado’’. Mas há referências a outros títulos recentes e famosos. Os americanos adoraram esta ‘‘paródia’’ anarquista, produzida pela mesma empresa da série ‘‘Pânico’’. •••
O Homem Sem Sombra – Muita pirotecnia para embrulhar um roteiro inexpressivo. O diretor Paul Verhoeven tropeça pela terceira vez seguida depois de ‘‘Showgirls’’ e ‘‘Tropas Estelares’’ e não retoma aqui a originalidade de ‘‘Instinto Selvagem’’ e ‘‘Robocop’’. A consistência do argumento, a influencia de H. G. Wells, tudo aqui é invisível. Menos a parafernália digital, que confirma a fórmula do novo milênio: muito engenho, quase nenhuma arte.••
Revelação – Harrison Ford parece menos à vontade que Michelle Pfeiffer, nesse filme que decola para uma viagem arrepiante mas com um questionável repertório de sustos. Mesmo assim, mantém o clima e ritmo que deixam retesada ao máximo a vigilância do espectador. •••
Cotação• (fraco) •• (razoável) •••• (bom) •••• (ótimo) ••••• (hors concours)