ESCOLHA O FILME - Carlos Eduardo Lourenço Jorge
DivulgaçãoO Auto da Compadecida:filme simpático, mas o que é da tevê pertence à tevê
O Auto da Compadecida Quando se fala que televisão deve ter papel importante na produção cinematográfica, a coisa não é bem assim, condensando minissérie e soando trombetas como se a salvação do setor estivesse garantida por mágica e instantânea transmutação global. O filme até que é bem simpático, tem empatia, é fiel ao espírito Suassuna. Mas o que é da tevê pertence à telinha. A diferença? Ora, Eu, Tu, Eles, ainda em cartaz.
Kiriku e a Feiticeira Desenho animado francês sobre lenda do folclore africano. Belo e inteligente, o filme de Michel Ocelot é um bom exemplo da independência e criatividade de animadores livres da opulenta influência americana no setor
U-571 Ressurge o antigo sub-gênero filme de submarino. Com muita ação e suspense, este drama de guerra sobre missão aliada para neutralizar código secreto alemão se ressente de atores carismáticos e de um texto com mais consistência.
Quase Nada Um dos melhores momentos do cinema brasileiro neste ano ainda nebuloso em termos de retomada de produção. O diretor Sérgio Rezende deixa o registro over de Canudos e Mauá e parte para obra intimista sobre algumas atribulações da alma humana.
Eu, Eu Mesmo e Irene Depois do escracho de Quem Vai Ficar com Mary, os irmãos Farrely voltam à carga com mais uma comédia destemperada. Os abusos já começam a incomodar e o riso é mais de constrangimento do que propriamente fruto de situações de humor saudável.
Duas Vidas Crise dos 40, versão Disney. Bruce Willis faz yuppie sem coração. Ele recebe visita dele mesmo quando criança, e a convivência vai mudar seu comportamento. Para melhor, como o espectador já sabe há muito. Mas esta fórmula aparentemente simplista tem charme e bom humor, evita as armadilhas mais açucaradas e acaba agradando. Willis devia cultivar mais a comédia.
Todo Mundo em Pânico - Outra comédia, desta vez completamente desregrada. Vendo o filme, cabe ao espectador decidir se a afirmação é elogio ou não. Enxurrada de piadas de todo o tipo infames, chulas, espirituosas em cima da onda de terror teen que assolou o cinema nos 90, particularmente através de Pânico e Eu Sei o que Você Fizeram no Verão Passado. Mas há referências a outros títulos recentes e famosos. Os americanos adoraram esta paródia anarquista, produzida pela mesma empresa da série Pânico.
DivulgaçãoO Homem sem Sombra:a consistência do argumento é invisível
O Homem Sem Sombra Muita pirotecnia para embrulhar um roteiro inexpressivo. O diretor Paul Verhoeven tropeça pela terceira vez seguida depois de Showgirls e Tropas Estelares e não retoma aqui a originalidade de Instinto Selvagem e Robocop. A consistência do argumento, a influencia de H. G. Wells, tudo aqui é invisível. Menos a parafernália digital, que confirma a fórmula do novo milênio: muito engenho, quase nenhuma arte.
DivulgaçãoRevelação:filme com questionável repertório de sustos
Revelação Harrison Ford parece menos à vontade que Michelle Pfeiffer, nesse filme que decola para uma viagem arrepiante mas com um questionável repertório de sustos. Mesmo assim, mantém o clima e ritmo que deixam retesada ao máximo a vigilância do espectador.
Mar em Fúria A tempestade é assombrosa, graças ao departamento digital da Warner. O som e a fúria do mar acabam compensando a inconsistência da dramaturgia. Não faltam clichês proféticos para esta pescaria mal-sucedida.
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