O Homem Sem Sombra – Muita pirotecnia para embrulhar um roteiro inexpressivo. O diretor Paul Verhoeven tropeça pela terceira vez seguida depois de ‘‘Showgirls’’ e ‘‘Tropas Estelares’’ e não retoma aqui a originalidade de ‘‘Instinto Selvagem’’ e ‘‘Robocop’’. A consistência do argumento, a influencia de H. G. Wells, tudo aqui é invisível. Menos a parafernália digital, que confirma a fórmula do novo milênio: muito engenho, quase nenhuma arte.••
Quando Tudo Começa – Ágil e didático, urgente e necessário, o cinema de Bertrand Tavernier é aquele que cabe no rótulo ‘‘social’’ na medida certa. Uma escola. Pais, alunos, professores, problemas, dificuldades. Não desesperar, não recuar. Uma profissão de fé no homem que não se entrega e no cinema sem artifícios, a serviço comunitário.••••



ReproduçãoShow Bar:fantasia romântica para cabeças jovens e sonhadoras





Show Bar – De volta aos tempos de ‘‘Flahsdance’’. Várias garotas trabalham no bar ‘‘Coyote Ugly’’. Entre elas, destaque para Violet, aspirante a compositora. A estréia de David McNally na direção é de fato um filme apenas sofrível, para calejados conhecedores de produtos do gênero. Mas acaba agradavelzinho como peça de fantasia romântica para cabecinhas jovens e sonhadoras. As caras novas e bonitas do elenco em breve devem entrar na fila do Oscar, dependendo do potencial de bilheteria a ser conferido nos próximos filmes de cada uma.••
Rocco e Seus Irmãos – Agora quarentão, este clássico de Luchino Visconti não perde a jovialidade. Na história dos cinco irmãos Parondi, transplantados da Sicilia rural e miserável para uma Milão industrializada e próspera, o mais aristocrata dos artistas de esquerda traça um painel social rigoroso e violento, mixando à perfeição Marx, Dostoievsky, drama bíblico e tragédia operística. Soberbo controle de atores, especialmente do então muito jovem Alain Delon. A cópia em exibição no cine Ritz é a original de 1960, com 175 minutos, sem os cortes da versão comercial mutilada que ainda circula.•••••



ReproduçãoRevelação:filme tem clima e ritmo que deixam o espectador ligado




Revelação – Harrison Ford parece menos à vontade que Michelle Pfeiffer, nesse filme que decola para uma viagem arrepiante mas com um questionável repertório de sustos. Mesmo assim, mantém o clima e ritmo que deixam retesada ao máximo a vigilância do espectador. •••
Feitiço do Coração - Comédia inofensiva e com dose certa de charme sobre romance entre viúvo recente e mulher com coração recém-transplantado. Adivinhe de quem é o coração. O grande veterano Carrol O’Connor faz um avô irlandês que vale o ingresso. No fundo, filme para dar mais vida às campanhas de doação de orgãos.•••
Professor Aloprado 2 – A volta do professor Sherman Klump e sua família em mais uma comédia intestinal. E quem já viu, este e o anterior, sabe do que se trata. Humor juvenil e grosseiro. Eddie Murphy repete todos os disfarces, mas os méritos vão para Rick Baker, o mago da maquiagem. •
Mar em Fúria – A tempestade é assombrosa, graças ao departamento digital da Warner. O som e a fúria do mar acabam compensando a inconsistência da dramaturgia. Não faltam clichês proféticos para esta pescaria mal-sucedida.••





ReproduçãoEu, Tu, Eles:ainda em cartaz um filme imperdível do cinema brasileiro



Eu, Tu, Eles – O cinema brasileiro tenta recuperar espaço no mercado interno com a história picante e muito bem contada do quarteto amoroso formado por dona Darlene e seus três maridos. Elenco afiado, direção segura do jovem Andrucha Waddington.••••
X-Men – Quem não curte os quadrinhos também pode viajar sem sustos nesta espécie de épico habitado por mutantes magnéticos e telepáticos. Efeitos da escola ‘‘Matrix’’, o que garante (ainda) um olhar espantado. O tema ‘‘mutação genética’’, via genoma, vai perdendo a cerimônia e começa a se instalar no sofá das casas. Mas ‘‘X-Men’’ resiste bem aos novos fatos da ciência. •••
O Patriota – Épico de Roland Emmerich, ambientado em 1776, na Carolina do Sul. Mel Gibson é Benjamin Martin, ex-combatente que se vê obrigado a voltar à guerra ao lado do filho onde lidera um exército destemido contra tropas britânicas. O filme bem que poderia ser batizado como ‘‘A Apologia da América’’. Em duas horas e quarenta de duração, o que não faltam são bons sentimentos, valores heróicos e personagens perfeitos. ••
Dinossauro - Animação. Quem se lembra da série ‘‘Em Busca do Vale Encantado’’ vai achar tudo meio parecido. E é mesmo. A grande diferença aqui é a técnica muito mais sofisticada. Há milhões de anos, um pequeno iguanodonte é adotado por família de lemures. Depois de uma destruidora chuva de meteoros, quem consegue sobreviver sai em busca de um vale-paraíso. ••• Cotação• (fraco) •• (razoável) •••• (bom) •••• (ótimo) ••••• (hors concours)

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