Em Londrina, as escolas buscam alternativas para driblar a falta de interesse e dificuldade de aprendizado entre as crianças. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a maioria das escolas municipais da cidade contam com aulas de reforço batizadas de ''contra-turno''. Os alunos vão ao colégio em horário alternativo e recebem orientação dos professores.
Na Escola Municipal Maria Irene Vicentini, na zona leste de Londrina, a diretora Maria Helena Barros Fernandes aponta que há alguns casos de crianças que se negam a fazer atividades, às vezes até dentro da sala de aula. Para minimizar os impasses, Maria Helena destaca que primeiro procura os pais para conversar e integra o aluno no ''contra-turno''. Ao todo, 40 estudantes vão à escola nesses horários alternativos. Não necessariamente todos apresentam resistência à execução das tarefas. ''Durante dois ou três dias por semana, eles têm aula de reforço por duas horas e isso é uma ajuda muito grande'', detalha a diretora. Porém, ela se queixa da falta de espaço para atender as crianças. O contra-turno, por exemplo, acontece no salão da igreja por falta de sala de aula.
Além do reforço escolar, o colégio conta com outra alternativa, a inclusão de seus alunos em projetos desenvolvidos em parcerias com clubes e grupos da sociedade. Dos 280 alunos, 80 estão integrados à Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), onde participam de atividades lúdicas; 30 fazem parte de oficinas desenvolvidas pela Infraero e outros 30 participam do futebol promovido pela Carambeí. A diretora acrescenta ainda que a situação da criança em casa é primordial para um bom desempenho. ''A família pesa muito, o apoio e incentivo dela é fundamental'', afirma.
No Cemepe, escola particular no centro de Londrina, as professoras também recorrem ao reforço para incentivar seus alunos. Duas vezes por semana pela manhã, os alunos vão à escola e fazem a tarefa dirigida com o auxílio de uma pedagoga. ''Sentimos dois tipos de melhora. As crianças tiram suas dúvidas e quando chegam em casa podem aproveitar o tempo livre com os pais'', descreve a psicóloga do Cemepe, Juliana Naves.
A escola atende crianças de 1 à 4 série e Juliana descreve que entre os mais velhos é mais comum encontrar resistências às tarefas escolares. ''Até porque as tarefas passam a ser maiores e mais difíceis'', justifica. Para a psicóloga, os pais podem contribuir para que a criança tenha vontade de estudar em casa. Ela aponta que primeiro é preciso definir o horário da tarefa de acordo com o ritmo do estudante. ''A criança tem que concordar com o horário. É preciso dar preferência pelo horário em que ela é mais produtiva'', ensina.
Juliana cita ainda que se a tarefa de casa for vista como cobrança vai gerar uma repulsa nas crianças. Segundo ela, a resistência pode vir ainda do não conhecimento do assunto. ''A criança não faz a tarefa quando acha que não vai saber fazer. A tarefa tem que ser de assuntos que já foram amplamente discutidos em sala de aula'', orienta.
Para a psicóloga, os pais jamais devem fazer as tarefas pelos filhos e sim orientar. ''Recomendo que quando a criança não sabe, a tarefa deve ir para a escola sem ser feita porque a mãe vai dar uma explicação diferente da professora e a criança vai continuar com a dúvida'', frisou Juliana. Ela lembrou ainda a velha mania que as crianças tem de chamar a atenção. ''Muitas vezes a hora de fazer a tarefa de casa é a hora em que as crianças estão com os pais. Daí, a birra pode ser simplesmente para chamar a atenção'', finalizou.

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