Eram quatro, agora são oito escolas de samba a disputarem, em 2003, a preferência do público em especial da comissão julgadora no carnaval de rua de Londrina. Todas vão exibir plasticidade e suingue no Autódromo Internacional Ayrton Senna transformado, por decreto do rei gordo e soberano, em sambódromo. Os desfiles das agremiações acontecem amanhã e domingo, a partir das 21 horas, precedidos por apresentações do Afoxé Ilê Ogum, do carro alegórico de Prevenções a Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids), coordenador pela Ong Adé-Fidan, e bloco ''Recordar é Viver'', composto por cerca de 200 pessoas da terceira idade. Mas antes da folia tomar conta do sambódromo, o rei Momo Ricardo Prochet, em seu terceiro ano consecutivo de realeza, recebe a chave da cidade do prefeito Nedson Micheleti.
O desfile de rua deste ano será muito acirrado. É que por terem se multiplicado, as escolas de samba foram divididas em dois grupos e estão sujeitas ao ascensão e rebaixamento na hierarquia carnavalesca. Amanhã o baticum fica, em ordem de apresentação, por conta das novatas Sangue Azul, Império da Zona Norte, Unidos do Jardim Paulista e Explode Coração. No domingo, é a vez das tradicionais Unidos do Jardim do Sol, Quilombo dos Palmares, Gaviões Londrinense e Garotos Unidos da Zona Sul. A última colocada do grupo A cede a vez para a campeã do grupo B no carnaval do próximo ano. A primeira escola a abrir o carnaval de amanhã é a Sangue Azul, integrada por torcedores do Londrina Esporte Clube.
Para os desfiles das escolas de samba, a Secretaria Municipal de Cultura destinou uma verba de R$ 102 mil, provenientes do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Por consenso, cada uma das escolas do Grupo A recebeu R$ 15 mil enquanto as do grupo B embolsaram R$ 10,5 mil. ''Do ponto de vista de organização, nosso produto carnavalesco cresceu muito. E apesar de ter crescido, não se tornou mais caro'', frisou Bernardo Pellegrini, secretário municipal de Cultura durante entrevista realizada ontem de manhã, no Autódromo-Sambódromo.
Quando fala em produto, Bernardo vislumbra um cenário cada vez mais elaborado. Pensa ele, por exemplo, em oferecer o carnaval de Londrina do próximo ano como uma atração turística, principalmente para as cidades da região. ''Temos o sonho de transformar o carnaval em um projeto auto-sustentável'', diz. Nesse ponto, um passo importante já foi dado com a criação da liga das escolas de samba de Londrina, cujo presidente vem a ser o rei momo, Ricardo Prochet. A liga tem formato jurídico de uma Ong. ''Houve incentivo cultural para que novas escolas de samba surgissem'', afirma Prochet. A intenção, como explica, é modelar os próximos carnavais de rua e oferecê-lo em forma de projeto à secretaria municipal de Cultura. As primeiras reuniões nesse sentido devem começar a ser feitas em setembro.
De fato, nos dois últimos anos o carnaval de rua de Londrina tem caminhado firmemente rumo à profissionalização. Para 2003, de acordo com o regulamento da secretaria de cultura, as escolas do grupo A devem ter pelo menos 180 integrantes. Já as escolas do grupo B, o número mínimo aceitável é de 130 componentes. A comissão julgadora será formada por dois membros que irão analisar os seguintes quesitos: bateria, harmonia, enredo, fantasias, mestre sala e porta bandeira, samba enredo, evolução, alegorias e adereços, comissão de frente e conjunto.
A apuração dos votos será realizada segunda-feira, a partir das 14 horas, no Ginásio de Esportes do Motingão. Os vencedores receberão os prêmios na terça-feira, às 18h30, na Concha Acústica. Os troféus serão confeccionados pelo artista plástico Carlos Vinicius Sato, responsável também pela decoração do sambódromo. Para o carnaval de rua 2003, ele escolheu as máscaras como mote.
Serviço:
Desfiles das escolas de samba de Londrina. Sábado e domingo no Autódromo Ayrton Senna (veja programação completa na página 2). Ingressos a R$ 2,00 e 1,00 (estudante, aposentados). Crianças até doze anos não pagam. Menores de 18 anos deverão estar acompanhadas de pais e responsáveis.

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