Escolas atualizam o patriotismo
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segunda-feira, 04 de setembro de 2017
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

Há mais de um século, o poeta Olavo Bilac levantou a primeira bandeira para fortalecer o civismo e patriotismo brasileiros. Ele criou a Liga de Defesa Nacional, em 1916, que teve um papel importante para robustecer o significado do Dia da Independência, o feriado de 7 de setembro. Foi por iniciativa da Liga, segundo o Portal Brasil, que as escolas passaram a dar ênfase aos símbolos da pátria, como por exemplo, o estudo e culto à bandeira e o canto do Hino Nacional.
Bem definida no currículo escolar, a Semana da Pátria segue direcionando os trabalhos de estudo e valorização desses símbolos, mas a historiadora e pós-doutora em Educação, Sandra Regina Ferreira de Oliveira aponta que este trabalho perde o significado quando não está aliado às aprendizagens sobre o que é ser um cidadão na atualidade.
"Se considerarmos que os professores podem usar o tema para pensar sobre o quanto somos diversos e ainda assim unos em nossa brasilidade, e o quanto precisamos pensar em todos para garantir a vida de cada um, aí sim o trato com esse conteúdo faz sentido e se torna importante", sustenta.
Pois para ela, "falar de patriotismo para que os alunos pintem símbolos e se coloquem em posição de sentido para cantar hinos dos quais não entendem o sentido da mensagem transmitida e, principalmente, o contexto no qual essas mensagens foram elaboradas, não tem importância alguma para a formação do sujeito."
Oliveira é professora de Didática do Ensino de História para os anos iniciais, da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e acrescenta que também é importante refletir sobre o que se entende por patriotismo.

Ela diz que enquanto disciplina ensinada na escola, a origem está na necessidade de cunhar o conceito de nação. "Durante o regime militar o que se entendia por patriotismo era a postura de aceitação aos ditames de um governo do qual a participação popular era quase nula. Vem desse período o culto aos símbolos, o cantar o hino em posição de sentido, como se faz nos quarteis. Ou seja, almejava-se um sujeito passivo", comenta.
Pensando no patriotismo que se almeja hoje, a educadora defende que é a possibilidade de compreender o país no qual se está e agir nele de forma a torná-lo um lugar melhor para todos.
"Assim, tudo o que diz respeito aos temas contemporâneos, oferece recursos e materiais para se trabalhar. Penso que uma das questões mais importantes para se pensar o viver em uma pátria que abrigue a todos, é trabalhar com o respeito pelas diferenças de todos os tipos", completa.

MUDANÇAS
Em sala de aula há 38 anos, a professora Ana Lúcia Silva acompanhou ao longo do tempo, diversas mudanças na didática de ensino e especialmente, nas gerações de alunos. "Temos que nos adaptar porque as crianças mudam. Hoje, os alunos chegam com um repertório ampliado, com mais informação e minha atuação tem sido aproveitar esse conhecimento para contextualizar temas atuais com o conteúdo dos livros", conta.
A professora dá aulas para o 5° ano da Escola Municipal Arthur Thomas, na região central, e como tarefa, pede para que os alunos assistam, acessem ou leiam o jornal para que possam discutir o assunto no dia seguinte.
De acordo com a docente, eles têm demonstrando uma grande preocupação com o conflito entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, além de apontarem muitas dúvidas sobre o decreto de extinção da Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados), em plena Floresta Amazônica.
"A gente precisa se informar sobre tudo o que está acontecendo no nosso País. Se a Amazônia acabar, por exemplo, não vai mais chover, não vamos ter um ar tão puro para respirar e os animais vão morrer ou vir para a cidade", comenta o aluno Ícaro Amaral, 10, quando questionado sobre o que podemos refletir no Dia da Amazônia, celebrado amanhã (5 de setembro).
Já em relação à política, Nicolas Batista, 11, reforça que cada um pode fazer sua parte. "Temos que pensar muito bem em quem votar, pensando no futuro do planeta", diz, enquanto a professora pega o livro "O Menino do Dedo Verde", de Maurice Druon.
"Achei uma boa oportunidade de trabalhar essa obra com a turma", completa Silva. O clássico traz uma mensagem de amor e esperança no menino que tem o poder de semear o bem por onde passa.
Além da tarefa diária, os alunos aprenderam a deixar a sala de aula arrumada e limpa após a batida do sinal e anualmente, encabeçam a campanha na escola para arrecadação de lacres de latas, que são doados ao Hospital do Câncer de Londrina.
"A ideia é ensiná-los que por trás de um detalhe, uma pequena ação, está todo um gesto de carinho, de doação, de preocupação com o outro e isso é ser patriota", ressalta.
Para celebrar a Semana da Pátria, iniciada no dia 1° de setembro, a Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Educação, promove atividades de hasteamento de bandeiras e canto do Hino Nacional, envolvendo escolas, entidades e instituições locais.
O Desfile cívico-militar no Dia da Independência marcará o encerramento, na Avenida Arcebispo Dom Geraldo Fernandes (Leste-Oeste), a partir das 9 horas.


