Arquivo FolhaRisco brasileiroCrianças aprendem a usar o computador: informática e inglês serão essenciais, mas falta de investimentos ameaça educação no Brasil Aprender inglês será fundamental para quem quiser se adaptar à escola do futuro. Devido aos rápidos avanços da tecnologia, dificilmente alguém que não saiba mais de um idioma terá boas chances no mercado de trabalho. Além disso, o computador será um instrumento essencial. E as inovações tornarão a sala de aula no lugar mais agradável do mundo.
Foi pensando no próximo milênio que o americano Frederic Litto e o pernambucano Marcos Formiga formaram uma equipe com a incumbência de estudar como será a escola no século 21. E aí surgiu a Escola do Futuro, da USP, em 1987, criada para formar a base do ensino nas próximas décadas.
A sociedade atual não se baseia mais em trabalhos repetitivos porque os computadores fazem isso. Homens e mulheres que trabalham na linha de montagem estão sendo substituídos por robôs ou máquinas e as novas profissões exigem que se saiba usar bem a cabeça, não as mãos, afirmam os especialistas. O problema, no entanto, é que as escolas continuam preparando mão-de-obra para as fábricas e escritórios.
‘‘Não se pode continuar levantando a tampinha da cabeça do aluno e ficar despejando informações para que ele, glub, glub, glub, engula como se fosse suco de laranja, depois fechar a tampa e mandar esse produto para o mercado de trabalho como se fossem geladeiras’’, argumentou o profesor Litto, ao defender seu projeto. ‘‘Não se pode ensinar de um só modo porque, assim como cada aluno tem impressões digitais, timbre de voz e metabolismo diferentes, cada um tem um estilo de aprendizagem diferente’’. E, já que não se pode dar aula diferenciada a um grupo de 40 alunos em classe, por exemplo, é aí que entra o computador.
Diante disso, o papel do professor também terá de mudar. A idéia é programar novas tecnologias de modo a permitir que os alunos usem seu estilo diferente de aprendizagem para formar a base do seu conhecimento. Numa sociedade pluralista, onde a opinião de todos tem peso, o professor não deve assumir-se como dono da verdade, disse ainda Litto. ‘‘Há muitas verdades’’.
Já existem, em certas escolas brasileiras, salas de aula onde os alunos recebem informações do mundo todo, e a tendência é de que essa prática se estenda a todas as escolas, a médio prazo, com o uso cada vez maior dos computadores nas salas de aula. Na escola do futuro, a sala de aula será virtual, nada de ficar entre quatro paredes com o professor, ouvindo enunciados que nem sempre atraem a atenção. As novas tecnologias vão garantir que cada um aprenda de seu jeito, mas com muito mais entusiasmo do que hoje em dia, quando as pesquisas divulgadas pelo IBGE apontam uma realidade preocupante: cerca de 60% das crianças não terminam a escola de 1º grau no Brasil.
Na sala virtual, que já pode ser formada graças à Internet, qualquer matéria se torna mais dinâmica, o aluno tem a oportunidade de realizar projetos em grupo e internacionalmente. E assim irá se acostumando para, no futuro, seja arquiteto ou advogado, por exemplo, estar sempre presente no escritório, mesmo longe dele.
Se a escola do futuro será bem mais agradável do que a de hoje, é preciso, no entanto, achar as saídas para se evitar a confirmação de uma sombria previsão feita pela Organização das Nações Unidas, com base em algumas projeções: se os investimentos no setor educacional não forem ampliados consideravelmente, o Brasil - um dos países que menos investem em educação - poderá chegar ao próximo milênio com cerca de seis milhões de crianças sem escola.
Num artigo escrito para a revista ‘‘Conjuntura Econômica’’, da Fundação Getúlio Vargas, o professor Ib Teixeira adverte que o baixo investimento em educação provoca graves consequências para o mercado de trabalho. Ele estima que 60% dos trabalhadores no País não têm o primeiro grau completo. Apenas 15% dos que começam o curso básico chegam à oitava série e, de cada mil alunos matriculados no primeiro grau, só 45 completam o ciclo fundamental sem serem reprovados.

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