Em Londrina, a Escola Municipal de Teatro começa o ano de 1999 buscando uma readequação de suas atividades depois que seus projetos não foram aprovados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Avesso a falar em crise, o diretor da escola, Maurício Arruda Mendonça, que completa um ano no cargo, considera difícil a situação, mas garante que o trabalho vai continuar.
A intenção, segundo ele é encontrar alternativas para captação de recursos junto à comunidade e à outras leis de incentivo, como a Rouanet. ‘‘Este mês vamos enviar vários projetos’’, afirma Maurício Mendonça. A palavra de ordem para ele é trabalhar para dar continuidade às atividades que vêm sendo desenvolvidas pela escola.
O diretor da EMT admite que a reprovação dos projetos pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura foi um duro golpe. Segundo ele, houve falta de sensibilidade da comissão julgadora. ‘‘Não consideraram o relatório de 1998 para verificar que todas as atividades propostas para 1999 eram uma continuidade do trabalho que já vinha sendo realizado’’, afirma.
Maurício ficou muito satisfeito com os resultados obtidos em 98. O objetivo da escola, segundo ele, é trabalhar a formação dos atores no sentido de oferecer informações para que tenham compreensão do universo teatral. Para isso, foram realizadas oficinas de iniciação teatral, cursos de perna-de-pau, de interpretação, de dramaturgia brasileira, cenotécnica, laboratórios, oficina de máscara, oficina de palhaço, além de 98 apresentações de ‘‘Alice Através do Espelho’’, montagem da primeira turma de formandos.
A escola apresentou ainda a peça ‘‘Baladavida’’, uma montagem com bonecos sobre Aids. Foram 20 apresentações em escolas municipais, inclusive em Tamarana, Alvorada do Sul e Rolândia. ‘‘Atingimos um público de três mil pessoas’’, afirma Maurício.
No ano passado a escola foi citada na revista Cena Lusofono, de Portugal, como uma das 10 principais escolas de teatro do Brasil. Todo este trabalho desenvolvido em 1998, na opinião do diretor da escola, daria respaldo para a aprovação dos projetos para 1999.
‘‘O que estávamos propondo era apenas uma repetição das oficinas que deram certo’’, diz. Apesar de acreditar que com um pouco mais de sensibilidade os projetos poderiam ter sido aprovados, Maurício admite que a reprovação foi motivada por questão jurídica. ‘‘Faltou o aceite dos profissionais que iriam realizar as oficinas’’, afirma.
Sem os recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a EMT começa o ano sem um cronograma de atividades. ‘‘As oficinas que iríamos realizar com profissionais de fora agora serão desenvolvidas pelos próprios professores da escola’’, afirma. Outra idéia é abrir estas oficinas para a comunidade, para com o dinheiro obtido trazer ao menos um profissional de fora.
Outras campanhas também serão estudadas. Maurício acredita que a escola terá o respaldo da comunidade por seu papel no formação dos jovens. Devido à sua localização, a EMT atende principalmente os adolescentes da zona norte. ‘‘Este jovem hoje tem aonde ir’’, afirma Maurício.
‘‘ De alguma forma vamos dar continuidade ao trabalho. A escola não vai fechar as portas’’, garante. Em fevereiro a segunda turma de formandos apresenta a montagem ‘‘Cabaré de Munchausen’’, dirigida por Paulo de Moraes. Em seguida começam as aulas com quatro turmas regulares.

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