O que também contribui para a sensação de "déjà vu" em algumas novelas é o elenco. Há autores que preferem trabalhar com determinados atores, com quem já tiveram bom resultado em tramas passadas. É o caso de Silvio de Abreu. "Gosto da maioria dos que já trabalharam e continuam trabalhando comigo. Por isso, em conjunto com a direção, os escalo sempre. Sei que se dedicarão integralmente à novela", explica. Gisele Joras, autora de "Balacobaco", da Record, também só enxerga vantagens em repetir certos atores. Para ela, uma escalação recorrente não é apenas uma conveniência prática; é uma interação artística. "Agora, se o telespectador lembrar da novela anterior, isso é uma questão pessoal. Não vou deixar que essa falsa preocupação atrapalhe meu trabalho", avisa.
Já Marcílio Moraes defende a visão oposta. Para ele, qualquer repetição – seja na escalação do elenco ou na construção das tramas – pode virar acomodação. "Cria uma facilidade inicial, que é o fato de que ninguém precisa pensar: nem o autor, nem o intérprete, nem o público. Todo mundo já sabe o que vai acontecer", ressalta ele, que reconhece o grande risco que um autor corre por não se reinventar. "Um dia, o público enche o saco. Ou aparece no canal concorrente uma história mais inovadora", analisa. (L.B./TV Press)

mockup