ERROS E ACERTOS
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O 9º Festival de Teatro de Curitiba, que apagou ontem as últimas luzes dos holofotes, ficou marcado pelo Fringe, a mostra paralela cuja finalidade é a de ser um grande apanhado daquilo que está acontecendo com grupos menores, por todo o Brasil. As reclamações dos atores motivaram a maior parte da entrevista concedida no sábado pelos empresários Victor Aronis, Cassio Chamecki e Leandro Knopfholz, que fizeram um balanço do evento em seu penúltimo dia.
Segundo eles esta edição contou com 65 espetáculos, sendo 21 convidados do festival e o restante do Fringe. Teve um público calculado em cerca de 40 mil pessoas, somando-se aí as mostras oficial e paralela, espetáculos de rua e oficinas. As 15 oficinas, que ofereceram 300 vagas, tiveram 250 inscrições.
As críticas quanto às dificuldades encontradas pelos grupos que vieram de fora para o Fringe foram consideradas pelo trio, mas eles deixaram claro que não se responsabilizarão pelas apresentações na cidade. Continuarão oferecendo pessoal técnico, espaço e algum tipo de suporte mas o risco de maior ou menor público ficará por conta de cada um.
O que eles vão discutir é quanto aos horários de apresentações. Nestes três anos de Fringe as peças se apresentam em horários definidos pela organização do evento. Em 2001 os próprios grupos definirão as sessões. No mais, o procedimento será o mesmo. Vamos manter o que prometemos quanto ao apoio, inclusive hospedagem e alimentação para os grupos de rua, que não têm bilheteria, reforçou Chamecki. Para o Fringe vieram artistas do Maranhão, Paraíba, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Brasília.
A proposta do FTC é a de trabalhar com tendências, como se esta fosse uma grande vitrine do comportamento teatral para o ano. Em 99 pipocaram monólogos, e foi o que aconteceu na cena brasileira nos meses seguintes, comentaram os empresários. Devido ao objetivo de antecipar aquilo que predominará nos palcos é que o evento contou com mais de dez estréias.
Seriam realmente estréias ou ensaio geral para testar o espetáculo e reformulá-lo para as platéias de sua cidade de origem? Victor Aronis não aceitou a dúvida (ou crítica); disse que a responsabilidade dos artistas é muito grande para fazer dessa participação um mero ensaio. Para Cassio Chamecki a prática de apostar no escuro pode levar a um festival horroroso, mas o evento reflete esse teatro.
Também é um risco que o próprio festival corre, porque nem eles sabem o que está vindo, mas para isso existe uma curadoria com parâmetros definidos para a escolha. Jogando com o imprevisto acertaram em cheio com Anjo Duro, monólogo levado por Berta Zemel, e deram tiro nágua com espetáculos como o internacional Caesar e Happy End.
O diretor-geral da Calvin (promotora do FTC), Victor Aronis, declarou que o evento não superou nem foi aquém das expectativas. Atingiu o esperado, consolidando as atividades e eventos paralelos, ou seja, os cursos, oficinas, exposições, debates e as mostras oficial e paralela. Sem contar o público, que ficou dentro do previsto. Nada muito a mais, nem muito a menos.
Quanto aos espetáculos escolhidos para compor a grade da Mostra Oficial, Aronis disse que, de uma maneira geral, a organização acertou. Quanto a possíveis equívocos: Tivemos alguns, como a falta de legenda em português no espetáculo Caesar, restringe-se o diretor.
As reclamações de grupos que participaram do Fringe, em relação à falta de público e até de infra-estrutura mínima nos teatros, não são procedentes na opinião do organizador. Até acho que existe uma concorrência grande e desleal por causa dos espetáculos da mostra oficial, mas alguns grupos não entenderam o principal objetivo da mostra paralela: a venda de seu espetáculo para a crítica, a imprensa do Brasil inteiro e até possíveis compradores, afirmou Aronis.
Para ele, os produtores não podem achar que é só o espetáculo no espaço. Tem que ter o corpo-a-corpo. Tivemos uma crítica, dizendo que um espetáculo não teve público no Canal da Música por causa da distância, o que não corresponde à verdade. Tivemos espetáculos no centro, sem público, e outros no Canal da Música, com público. Na opinião do diretor, faltou divulgação dos grupos. O festival é uma grande feira e cada um tem que puxar público para o seu espetáculo.
Aronis avalia que é o risco do negócio. Algumas apresentações também foram canceladas por falta de público. Para o diretor, deveria haver mais respeito ao espectador. Acho que os grupos teriam que apresentar nem que fosse para duas pessoas. O público que foi até o teatro merece assistir pelo que ele pagou.
A possibilidade de diminuir o número de espetáculos do Fringe está afastada pela organização. Muito ao contrário. Segundo Aronis, pensa-se sim na diminuição do espaço para a mostra oficial. O motivo é a ampliação do Fringe, dando opções de horários mais nobres.
Outra reclamação foi quanto ao preço dos ingressos (R$ 20,00 para a mostra oficial e entre R$ 5,00 e R$ 20,00 no Fringe). Também não é procedente, afirmou Aronis. A média do valor do ingresso da mostra oficial neste ano foi de R$ 11,00, considerando as meias-entradas e descontos.
Apesar de ainda não ter feito o balanço financeiro do festival, Victor Aronis acredita que o custo total não deve ultrapassar R$ 1,5 milhão. A verba do governo do Estado destinada ao evento este ano seria de R$ 200 mil, segundo ele. Mas de acordo com informações da Agência Estadual de Notícias, esses recursos chegariam a R$ 300 mil (R$ 100 mil a mais que no ano passado). É, acho que é isso mesmo, disse.Promotores do Festival fazem um balanço da edição e acenam com a ampliação da mostra paralela para o ano que vem
DivulgaçãoO espetáculo Anjo Duro, com Berta Zemel, foi um dos destaques deste anoMauro FrassonVictor Aronis, Cassio Chamecki e Leandro Knopfholz, responsáveis pelo Festival, acham que de maneira geral a organização acertou na escolha dos espetáculos da mostra oficial





