Erros do cinema nacional
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Pedro Butcher<br> Folhapress 
A tese de Karl Marx sobre a inevitabilidade da repetição da história se confirma quando o assunto é a política cinematográfica brasileira. A dificuldade de aprender com os erros e o retorno sistemático a mecanismos já testados são elementos constantes na turbulenta trajetória da relação cinema e Estado no País. É esse o tema de ''Abre as Asas Sobre Nós'', série em seis capítulos que estreia no Canal Brasil em 10/11.
Ao conferir uma perspectiva histórica ao tema, a série mostra como mecanismos essenciais para a recuperação da produção de cinema, a partir dos anos 90, são remanescentes de antigos modelos. É o caso do artigo 3º da Lei do Audiovisual, que permite às distribuidoras descontar os valores investidos em produções nacionais do imposto sobre a remessa de ''royalties'' para o exterior - e que tem origem na Lei da Remessa de Lucros, de 1962.
Um dos pontos fortes é o farto uso do material de arquivo, revelador do discurso de cineastas e produtores atribuindo à força do cinema americano a difícil sustentação econômica das produções nacionais. Discurso que, como aponta o atual secretário de Cultura de São Paulo e ex-diretor da Embrafilme, Carlos Augusto Calil, surgiu na década de 30, quando, diante do caráter efêmero dos ciclos regionais de produção, os profissionais se organizaram e pediram ajuda ao Estado.
São entrevistados especialistas (os pesquisadores Fernão Ramos e Anita Simis) e vários protagonistas da história da política cinematográfica brasileira, entre eles produtores e cineastas (como Luiz Carlos Barreto, Gustavo Dahl e Roberto Farias), representantes da distribuição, da exibição e da política cultural. No material de arquivo, há depoimentos de Arnaldo Jabor, Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha e dos críticos Alex Viany e Paulo Emílio Salles Gomes.
O desejo de um cinema industrial e a vontade de comunicação com o público se impõem como forças motrizes. ''O cinema brasileiro só existe porque existe um público interessado'', diz Roberto Farias, ex-diretor da Embrafilme na época em que o cinema nacional teve as melhores bilheterias.
A era Embrafilme, aliás, responde por um dos trechos mais interessantes da série - emblema do poço de contradições que é o cinema brasileiro e também do grande potencial de comunicação, que se realizou com força plena nos anos 70 com sucessos de público como ''Dona Flor e Seus Dois Maridos'' e ''A Dama do Lotação''.
Serviço
- Abre as Asas Sobre Nós
Quando - A partir de 10/11; terças, 24h; reprises quartas, 10h, e domingos, 13h
Onde: no Canal Brasil


