Eric Clapton deve ser uma das estrelas do Free Jazz
São Paulo, 06 (AE) - Em outubro, a 14ª edição do Free Jazz Festival, o mais importante festival de música internacional da atualidade no País, promete ser uma das mais "estreladas". Além da cantora americana Lauryn Hill (a grande vencedora do último prêmio Grammy americano), deverão vir ao evento o guitarrista inglês Eric Clapton e a banda americana Beastie Boys. Entre os jazzistas, deverão marcar presença o trompetista Terence Blanchard e o saxofonista Joe Lovano.
O festival será realizado no Museu de Arte Moderna do Rio e no Jockey Club de São Paulo, a exemplo da edição passada. Nenhum dos nomes do festival está ainda confirmado. A Souza Cruz
que patrocina o evento, pretende anunciá-los oficialmente em agosto, durante coletiva de imprensa.
A vinda do guitarrista inglês Eric Clapton é um velho sonho da organizadora da mostra, Monique Gardenberg, da Dueto Produções. Há dez anos tentam trazê-lo. Que Clapton está vindo, é certo: o empresário Roberto Medina, que vai realizar o Rock in Rio 3, no ano que vem, anunciou na semana passada que Clapton também está nos seus planos.
Embora seus últimos discos (como "Pilgrim") passem longe da unanimidade de crítica, ele é uma das lendas da guitarra. Nos anos 60, eram comum grafites nos muros de Londres e Nova York com a inscrição: "Clapton is God" (Clapton é Deus).
Sua carreira tem sido pontuada por grandes glórias artísticas e tragédias pessoais. Após sofrer anos com a dependência de drogas e álcool, perdendo amigos e familiares, ele viu morrer seu filho em um acidente trágico. Fez uma canção sobre isso, "Tears in Heaven". Com Jimmy Page e Jeff Beck (que esteve aqui no ano passado), Clapton formou a sagrada trindade da guitarra nos anos 70, sucedendo o mestre Jimi Hendrix.
O trio americano que atende pelo nome Beastie Boys ganhou o mundo com seu álbum "Hello Nasty", que abre com a frase "50 copos de café". Muito adequada à mistura forte que fazem: juntam a técnica de filtrar música em equipamento eletrônico, com samplers, e a execução musical ao vivo, em instrumentos musicais convencionais. Sua música passa pelo hip-hop, soul, música eletrônica, jazz, lounge, psicodelia e até pelo erudito.
Além de hip-hop e psicodelia, "Hello Nasty" incluía bossa nova, salsa, reggae drumnbass. Trafegando numa zona limítrofe do hip-hop, eles criaram uma espécie de gueto de vanguarda jovem em Nova York, juntando-se a uma turma que inclui a própria Lauryn Hill e o cantor Beck, além de Sean Lennon e suas parceiras japonesas do Cibo Matto.
Lauryn Hill, que tem contrato quase fechado com o Free Jazz, levou cinco Grammys na última festa do prêmio, em fevereiro. Ela bateu a recordista anterior, Carole King, que tinha levado quatro Grammys em 1971. Mãe de dois filhos, universitária e politizada, Lauryn Hill conquistou platéias seletas com seu discurso agressivo e o estilo confessional.
Ao receber o prêmio de disco do ano, Lauryn Hill comentou: "É uma loucura, porque isso é hip-hop", disse. No momento em que o rap comemora 20 anos de gravações oficiais, o álbum "The Miseducation of Lauryn Hill" tornou-se o primeiro álbum de hip-hop a ganhar o Grammy de disco do ano. Até pouco tempo, hip-hop não era nem sequer considerado uma forma musical autêntica, apenas uma colagem de discos, e o rap só virou uma categoria do Grammy em 1988.
O saxofonista Joe Lovano é uma estrela ascendente do jazz. Apresenta-se com o próprio conjunto. Segue a trilha de John Coltrane e Ornette Coleman. Ou seja: consegue transformar uma canção popular numa suíte de temas irreconhecíveis. Tem como parceiros habituais o guitarrista Bill Frisell, o baixista Charlie Haden e o pianista Christian McBride.
Em sua mais recente apresentação em São Paulo, tocou acompanhado da mulher, a soprano Judi Silvano (que canta no disco "Universal Language"), do baixista Dennis Irwin (seu parceiro no disco Tones, "Shapes and Colors") e do baterista Idris Muhammad, que fez discos memoráveis nos anos 70. Lovano lançou no ano passado o CD Celebrating Sinatra ("Blue Note"), reunião de 13 sucessos do cantor, um disco só de standards, entre eles Chicago, "All the Way" e "Ive Got You under My Skin".
No ano passado, o Free Jazz Festival reuniu cerca de 13 mil pessoas nos shows em São Paulo. Foram 18 apresentações em três palcos diferentes, dois deles montados em tendas gigantescas no Jockey Club. O sistema de tendas deve permanecer, mas a organização da mostra procurou aperfeiçoar o sistema para melhorar a acústica. Em 1998, a tenda que abrigava os shows "New Directions" (as novas vertentes do jazz) teve vazamento de som e alguns espetáculos, como o de Mavis Staples e Antonio Hart, foram prejudicados.





