Erbo Stenzel muda para o São Lourenço
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de junho de 1998
Zeca Corrêa Leite 
O Parque São Lourenço, em Curitiba, passará a ostentar, a partir de hoje, um novo elemento em sua paisagem - a casa onde nasceu e viveu o escultor Erbo Stenzel. A construção de madeira, dividida em 11 peças, foi erguida no século passado. Ela foi relocada para o parque depois de passar por um processo de restauro.
A entrega oficial da casa ao município acontece às 11 horas, com a presença do prefeito Cassio Taniguchi. Este é um exemplo de respeito à memória e ao patrimônio público, disse o prefeito. Com este novo espaço cultural preservamos mais uma edificação histórica do município e trazemos para o conhecimento das novas gerações o legado do artista.
O imóvel resistiu ao tempo, na Travessa Francisco Lima e Silva, no bairro São Francisco. É um dos últimos remanescentes de madeira com dois andares. Tomado pelos cupins, caminhava para o desaparecimento. O crítico de arte Ennio Marques Ferreira sugeriu ao setor de Patrimônio Histórico do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o salvamento da construção.
DivulgaçãoMonumento à Emancipação Política do Paraná, de Erbo StenzelEla foi doada por um sobrinho do artista ao município. Uma equipe do Instituto, coordenada pela arquiteta Milna Oliveira Leone, passou então a cuidar do projeto. Para desmontar a residência e montá-la noutro local foi necessário levantamento minucioso de cada uma de suas peças. O trabalho teve patrocínio da Copel.
A importância do projeto não se esgota com a preservação da residência do artista. Há outro aspecto relevante na questão - o exemplar é um dos últimos do estilo arquitetônico que utiliza a técnica da construção com madeira, que teve seu auge em fins do século 19. Enfim, é o testemunho dinâmico da história urbana, segundo Milna.
A escolha pelo Parque São Lourenço não foi aleatória. Houve toda uma pesquisa até chegar a esse consenso. Precisávamos encontrar um espaço adequado e que, sobretudo, mantivesse a identidade da casa, explicou a arquiteta. Ainda em homenagem a Stenzel, a casa será rodeada por um jardim com parreira, butiá, pitangueira, bambus, palmeiras e plantas rasteiras. O artista cultivava essas espécies em seus momentos de folga.
A casa será administrada pela Fundação Cultural de Curitiba. A presidente do órgão, Margarita Sansone, optou por um espaço onde se encontram réplicas de obras do autor, e que sedie exposições temporárias. Ao invés de museu, queremos dar à casa uma conotação de espaço cultural, para que os curitibanos possam vir aqui e conviver com a riqueza cultural deixada por um dos artistas mais expressivos da cidade, comentou.
As réplicas estão sendo produzidas por um grupo de artesãos vindos especialmente do Rio de Janeiro. Especialistas no ramo estão utilizando uma técnica inédita em Curitiba, à base de argila, gesso e borracha líquida. As peças ganham alta definição, como se fossem o original. Oito obras serão expostas na casa, entre elas o Dorso do Trabalhador, Água pro Morro e Mãe do Artista.
Erbo Stenzel tem no Homem Nu, gigantesca escultura instalada na Praça 19 de Dezembro, em Curitiba, sua peça mais conhecida. Porém, pouca gente se ocupa em saber quem foi o criador. Aluno de Lange de Morretes, teve como ponto alto em sua formação os estudos na Escola de Música e Belas Artes do Rio de Janeiro. Foi professor na Embap, em Curitiba, e destacou-se em salões dos quais participou, sendo premiado em vários deles.


