Milton DóriaLuiz Taques: ‘‘Ninguém vive em barraca por diversão’’Os livros para crianças já não se valem apenas da fantasia. No momento em que expressões como latifúndio e reforma agrária estão definitivamente incorporadas ao cotidiano, o jornalista Luiz Taques leva a História para dentro da história e cria o enredo de ‘‘O Menino da Cidade de Lona’’ para mostrar às crianças da área urbana como vivem os meninos nos acampamentos dos sem-terra. A história de Zé Vida de Barraca tem a singeleza de um diálogo infantil com um tal Inácio explicando pacientemente para a amiga Fernandinha como vivem os meninos que não jogam videogame nem frequentam o shopping, mas passam os dias em lugares cobertos de lonas pretas. Fernandinha, que não tem nada de Patricinha mas é uma menina enturmada, quer saber tudo sobre os meninos como o Zé Vida de Barraca, um garoto franzino, 13 anos, que Inácio conheceu numa passeata em Brasília. Deste diálogo, nasce um enredo capaz de explicar para os pequenos leitores que ‘‘ninguém vive em barraca por diversão’’ e muito menos ocupa terras por ‘‘malandragem’’. Nesta troca de informações, o autor vai derrubando inverdades que se contam por aí até virarem verdades. O resultado é uma historinha criativa, que informa sem ficar chata.
Ao escrever o livro, Taques valeu-se da experiência em família. Pai de três filhos, ele teve a idéia escrever de forma didática o bê-à-bá do Movimento dos Sem-Terra, valendo-se de diálogos curtos, linguagem fácil e belas ilustrações criadas pelo publicitário Acir Alves. Sua intenção é colocar o livro à disposição das escolas públicas e promover debates entre a criançada que ‘‘de boba não tem nada e se interessa por temas que são notícia’’.
Entre as novidades do livro, tem o personagem japonês que leva o apelido brasileiro de Zé Vida de Barraca, mas chama-se José Sato Junior. Uma forma encontrada pelo autor para demonstrar a diversidade étnica dos integrantes do MST. ‘‘Japonês tem tudo a ver com a terra’’ - explica.
• O Menino da Cidade de Lona será lançado hoje, em Londrina, às 20 horas, na Casa do Jornalista (Rua Samuel Weiner s/nº). Com tiragem inicial de 1.500 exemplares, o livro custa R$ 10,00 nas livrarias Arles e também está à venda nas bancas de revista.

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