Era uma vez...
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sábado, 05 de outubro de 2013
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
As princesas, bruxas, heróis e vilões das tradicionais histórias infantis têm um papel que vai muito além de garantir o entretenimento dos espectadores. Os contos de fadas são importantes para o desenvolvimento psicológico das crianças e também para garantir um equilíbrio entre a razão e os instintos na fase adulta.
A analista junguiana Sônia Lunardon Vaz explica que até os três anos de idade a criança tem pensamentos primários, que são baseados em instintos como raiva, carinho, inveja, amor, ciúmes e medo, entre outros. "Incentivar a linguagem do imaginário através dos contos de fadas é uma maneira de garantir que a criança cresça longe de neuroses e psicoses que podem chegar junto com o pensamento secundário, que é pautado pela razão e começa a se desenvolver nas faixas etárias seguintes", afirma.
Segundo ela, os contos de fadas ajudam a desenvolver a sensibilidade da criança. "As crianças absorvem as informações através dos sentidos, das sensações. Então, naturalmente, ao ouvir as histórias a criança aprende a processar suas próprias emoções. Por isso, é comum elas pedirem para os pais contarem a mesma historinha dezenas de vezes. A repetição é importante para que elas consigam assimilar as mensagens que estão recebendo. O mesmo ocorre com filmes e desenhos", esclarece a psicóloga.
Sônia explica que os personagens dos contos de fadas ajudam as crianças a entenderem fatos da vida real, mas que os pais não devem emitir valores morais durante a contação de histórias. "A criança precisa processar isso sozinha, no tempo delas. Até mesmo porque elas avaliam os fatos ocorridos nas histórias sob outra ótica. Quando o lobo mal come a vovozinha do chapeuzinho vermelho, por exemplo, a criança pode simplesmente pensar que isso ocorre porque o lobo é mais forte ou então sentir-se vingada de sua avó ou da própria mãe representada pela vovozinha da história. E dessa forma ela acaba dissolvendo a raiva que pode estar sentindo dos pais e que é absolutamente natural."
Ela orienta que aos invés de emitir juízos morais, no momento da contação os pais - ou quem estiver contando as histórias - devem criar mecanismos para dar ênfase em determinados momentos da história. "É possível criar um clima de suspense alternando o volume da voz, dando entonações diferentes para cada personagem e produzir enfoques diferenciados a fatos engraçados ou tristes. Dessa forma a criança vai processar melhor as informações que está recebendo", ensina.
Sob o ponto de vista psicológico, Sônia avalia como negativas as adaptações que são feitas em determinados contos de fada. "Não é porque a criança ouve uma história considerada politicamente incorreta que vai agir da mesma forma que os personagem. Ao contrário disso, geralmente quando ouvem a narrativa de bruxas muito más elas começam a pensar: por que tanta crueldade? isso não é correto. Lembrando que os pais não devem interferir nesse processo", enfatiza.
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