Era uma ilha muito engraçada...
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Aclamada como a maior série dos últimos anos, e responsável por causar - principalmente na sua 1 e 2 temporada - uma revolução no tratamento estético e mercadológico da narrativa televisiva, os capítulos finais do drama/ficção de LOST chegam finalmente na TV brasileira, nas madrugadas da programação da Globo.
Recheada de mistérios do começo ao fim, a história dos sobreviventes do acidente do voo 815 da Oceanic Airlines, que caiu em uma ilha 'estranha' - com ursos polares, um monstro de fumaça e escotilhas militares - começou em 2002 e foi concebida na cabeça dos criadores J.J. Abrams e Damon Lindelof.
Contando com um grande elenco e uma proposta fascinante, a história de LOST arrebatou milhões de fãs ao misturar elementos fantásticos com pensamentos filosóficos, fazendo o público embarcar em questionamentos profundos de uma maneira 'pop'; a própria natureza humana era refletida no caráter multi-dimensional dos sobreviventes, que não eram exemplos de virtude - quem acompanhou a série aos poucos foi apresentado para as histórias em flashbacks de um cirurgião obcecado, de um rockstar viciado em heroína, de uma ladra procurada pelo FBI e de um capanga da máfia coreana. Nenhum dos passageiros sobreviventes é o perfeito herói americano.
Os acontecimentos bizarros da ilha eram sempre conectados com o passado e a vida dos personagens, e os capítulos eram acompanhados de referências aos estudos de física quântica e de viagem no tempo. Todo mistério apresentado pela série parecia montar as peças de um grande quebra-cabeças, pensado cuidadosamente para guiar a audiência em direção a uma solução extraordinária.
Para além da série, algumas surpresas escondidas (chamadas de 'easter eggs') foram espalhadas pela internet, causando alvoroço entre os fãs. Os sites - já desativados - oceanic-air.com e thehansonfoundation.org são apenas dois exemplos de lugares na web onde, se você seguisse as pistas corretamente, conseguiria ver um vídeo do projeto Dharma ou revelar um conhecimento inédito sobre a ilha; nesse ponto, a experiência de Lost fundamentou uma nova era da narrativa multimídia, onde o espectador deixou de ser um elemento passivo e, se quisesse, poderia arregaçar as mangas e tentar descobrir a história por si mesmo.
Pelo conjunto de todas essas razões, o 'grand finale' da série foi tão esperado ao redor do mundo. Exibido no dia 23 de maio do ano passado na TV americana, o último episódio - uma epopéia de 4 horas e meia - acabou por abandonar os espectadores mais confusos do que nunca, levantando uma série de críticas: enquanto alguns poucos defenderam as 'respostas' que Lost ofereceu, a grande maioria do público acabou perplexa e furiosa com a não-solução de alguns dos principais mistérios da narrativa, responsáveis por atrair uma considerável atenção durante todas as temporadas.
Em entrevista recente com um dos criadores da série, J.J. Abrams confirmou que todas as reviravoltas de Lost foram sendo 'inventadas enquanto eram feitas'; ou seja, a falta de planejamento favoreceu para que os roteiristas ficassem perdidos no abismo de premissas que criaram e tentassem desesperadamente, no fechar das cortinas, consertar os buracos da história com um longo 'happy ending', digno de um dramalhão mexicano.
Apesar das falhas no roteiro, a última temporada de Lost é, tecnicamente, impecável: se você deseja apenas se divertir e se emocionar, ela vai atingir em cheio suas expectativas - mas talvez a novela das oito seja uma opção bem menos desgastante.
Serviço: Lost - 6 Temporada
Na TV Globo, de segunda a sexta, sempre após o Jornal da Globo.


