A transformação do modo de vida caiçara e consequentemente do fandango no Paraná deve-se em parte à legislação ambiental que proibiu as comunidades nativas de cultivarem roçados como era costume na região. Com isso, muitas famílias deixaram suas terras. ''A lei tocou o pessoal do sítio. O litoral não tinha mais fandango, eu fiquei com aquela viola no braço para que não caísse essa produção'', conta o fandangueiro Leonildo Fidelis Pereira.
De acordo com o pesquisador e violeiro, Rogério Gulin, os filhos de fandangueiros não quiseram manter a tradição. ''Nos anos 80, os jovens tinham vergonha de fazer fandango, queriam ir dançar discoteca'', conta. Embora nunca tenha deixado Rio dos Patos, em Guaraqueçaba, Pereira também teve que enfrentar a resistência dos filhos à cultura de sua terra. ''Acharam que a gente não ganharia dinheiro. Mas era nosso baile, nosso amor'', lembra o veterano.
Atualmente, o interesse dos jovens pelo fandango no Paraná é crescente. ''Aqui o pessoal já está mais consciente, os mais jovens se animam mais. Estão divulgando bem mais a cultura do que em Cananéia e Iguape'', observa Paulo de Jesus Pereira, de 57 anos, do Grupo Viola de Ouro, de Cananéia.
Na quinta formação, o grupo do Mestre Romão, da Ilha dos Valadares, em Paranaguá, é um dos que reúnem fandangueiros veteranos e jovens, entre eles Brasílio Santos Ferres, 71 anos, no grupo há 16 anos. Ferres lamenta que o interesse da nova geração pelo fandango se limite à dança. ''Viola não tem ninguém que queira aprender'', observa.
Para Luiza Carla Cristina Alves, 17 anos, que dá aula de fandango nas escolas de Paranaguá, é preciso vencer a resistência inicial das crianças para ensinar a cultura local. ''Quando eu perguntava para eles o que era fandango, respondiam: Salgadinho da Elma Chips, professora'', conta Luiza, que também é integrante do grupo de Mestre Romão.
Para a fandangueira, a cultura de sua cidade pode conviver com as demais, sem que uma precise excluir a outra. ''Danço meu rock, meu funk, e tenho grande paixão pela minha cultura'', garante. ''Não é só pela memória dos idosos. Não é coisa de velho, é uma coisa nossa. Eles são a nossa história e nós seremos a história amanhã. Eu posso dizer: sou neta de fandangueira. Tenho o direito de me valorizar e valorizar o que é da minha cidade''.

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