Há pelo menos dois anos o mundo da moda vem proclamando o fim do fenômeno das supermodelos. O seleto grupo de modelos como Linda Evangelista, Cindy Crawford, Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Christy Turlington e Elle McPherson, que tanto fez sucesso no fim dos anos 80 e boa parte dos 90, está sendo substituído por outro padrão de beleza: o das estrelas de Hollywood. Revistas de moda e campanhas publicitárias estão apostando com força no poder de atrizes, cantoras, apresentadoras de TV e outras mulheres ‘‘com personalidade’’.
Uma boa prova da mudança do mercado pode ser vista por meio das capas das principais revistas de moda norte-americanas nos próximos meses. Pela primeira vez nos 110 anos de história da ‘‘Vogue’’, a edição de setembro, a mais concorrida do ano, recheada de anúncios e com 678 páginas, não vai trazer uma modelo na capa. Quem ficou com a vaga foi a atriz Renee Zellweger, conhecida por ter trabalhado com Tom Cruise em ‘‘Jerry Maguire’’. No mês seguinte, a ‘‘Vogue’’ aposta no calibre de Oprah Winfrey, que emagreceu 12 quilos para ser fotografada por Steven Meisel. De quebra, ela vai promover seu novo filme, ‘‘Beloved’’.
Enquanto isso, a ‘‘Harper’s Bazaar’’ coloca a atriz Calista Flockhart, do seriado ‘‘Ally McBeal’’, na capa de sua edição de setembro. A publicação cada vez mais faz dobradinha com o cinema, tendo escolhido para a capa de sua edição de agosto o casal Matt Dillon e Cameron Diaz, que está atualmente em cartaz nos cinemas norte-americanos com a comédia ‘‘There‘s Something About Mary’’. A ‘‘Mademoiselle’’ também deixa de lado as modelos e aparece com Neve Campbell, dos filmes ‘‘Pânico’’ e do seriado ‘‘Party of Five’’, em sua capa do próximo mês. A atriz estréia esta semana nos Estados Unidos com o filme ‘‘54’’, sobre o lendário clube nova-iorquino Studio 54.
Mas o que aconteceu com as editoras de moda e os publicitários? O motivo da nova estratégia seria a mudança do público. De acordo com pesquisas feitas com mulheres norte-americanas, ninguém mais quer apenas tentar se relacionar com padrões impossíveis de beleza. Ao ver uma atriz de TV transformada em modelo, com maquiagem elaborada e usando roupas de estilistas conhecidos, muitas leitoras dizem se identificar mais. A filosofia da ‘‘Vogue’’, por exemplo, é apostar que cada uma delas vai imaginar que a transformação poderia estar acontecendo com ela.
Outra vontade das mulheres atuais é dar valor à personalidade de rostos bonitos. Cada vez mais há uma procura por algo mais do que apenas formas perfeitas. Com as atrizes promovendo seus novos trabalhos, sempre há a possibilidade de extensas entrevistas que revelam algumas intimidades, além de imagens mais variadas.
Na propaganda de moda também há a procura por um diferencial. Um dos exemplo é o da marca de cosméticos Revlon, que, depois de anos tendo Cindy Crawford como porta-voz principal, resolveu incluir as atrizes Salma Hayek e Halle Berry em suas campanhas. Elizabeth Hurley é o rosto da marca Carolina Herrera e de Estée Lauder, enquanto Tommy Hilfiger acaba de lançar uma campanha com filhos de celebridades, feita em parceria com o roteirista da série ‘‘Pânico’’, Kevin Williamson, e com lançamentos da Miramax.
As agências de modelos estão se preparando para as novas tendências do mercado. Uma das mais tradicionais do mercado norte-americano, a Wilhelmina, saiu na frente ao fechar um contrato com a gravadora Atlantic para colocar artistas como Brandy e Lil‘ Kim em propagandas e desfiles, ao lado de suas principais modelos. As duas já emplacaram a campanha dos tênis Candie‘s e pretendem levar o novo ramo a sério.
Mas ninguém precisa ficar preocupado com as finanças de Linda, Naomi, Cindy e Claudia. Na verdade, foi a superexposição delas e a vontade de aparecer em outros campos de trabalho que acabou fazendo com que estilistas mais modernos fossem desistindo de gastar dinheiro com supermodelos em seus desfiles. Sem falar no trabalho de administrar as agendas concorridas e os egos cada vez mais inflados de algumas delas. A fama do grupo passou a ficar mais apropriada para produtos massificados e campanhas não necessariamente ligadas ao mundo fashion.
Elas não estão ligando nem um pouco, até porque a idade começa a aparecer. Enquanto Christy está preocupada em terminar um curso de artes na New York University, Naomi, Claudia e Elle estão apostando todas as suas fichas em Hollywood. Cindy, que é a que mais tem experiência como apresentadora de TV, vai aparecer em breve no especial ‘‘Sex With Cindy Crawford’’, que tem tudo para fazer sucesso.
As supermodelos viraram uma raça em extinção porque a cultura da moda mudou. Uma série de novos nomes vem aparecendo com frequência em revistas, desfiles e campanhas a cada temporada. A mudança está na diferença de atitude: hoje dura mais a modelo que for mais cool e escolher os trabalhos mais ousados e pessoais, ao contrário da geração anterior, que aumentava seu valor no mercado apenas pela quantidade de trabalhos. Assim, cria-se um grupo mais flexível de novos rostos, com padrões de beleza mais amplos, mais apropriados para o fim dos anos 90.ReproduçãoElizabeth
Hurley é o
rosto da
marca Carolina
Herrera e
de Estée LauderGuto Barra
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