EQUILÍBRIO, OUSADIA E CONTEMPORA- NEIDADE
De Curitiba
Obras geométricas representando o ar, a água, o fogo e a terra; pratos, xícaras e pires refletindo sobre a profissionalização; e línguas que discu tem o som e a fúria são os elementos trabalhados pelas artistas plásticas no MAP
Uma mistura de pratos de porcelana branca, línguas de carne e de fogo, e alvos lençóis compondo estruturas geométricas, poderá ser vista a partir de hoje no Museu de Arte do Paraná (MAP). Pela primeira vez, as artistas plásticas Mainês Olivetti, Eliana Borges e Soraya Wellner, fazem uma exposição conjunta e o resultado é um trabalho que mostra equilíbrio e ousadia mais do que contemporâneos.
Até o dia 19 de agosto, cada artista ocupará uma das salas do museu, adaptando seu trabalho ao espaço. Uma ocupação que acabou se tornando um novo desafio principalmente para Soraya Wellner. Responsável pela instalação dos lençóis, ela trabalha ainda com bambus, cabos de aço e granito, normalmente usando como sustentação as paredes. Coisa que não pôde fazer no MAP.
Tive que fazer um trabalho especial, conta ela. Como é uma casa tombada, eu não podia usar as paredes como apoio. E por isso tive que adaptar a exposição. Na hora fiquei um pouco desesperada. Mas o resultado acabou ficando bem interessante.
Sua obra, denominada Geometria, surgiu quando a artista ministrava uma das aulas da disciplina. Os lençóis e os bambus foram usados para dar noção de plano e de linha. Hoje, com os outros elementos, eles representam as quatro forças da natureza: o ar, a água, o fogo e a terra, sempre em equilíbrio.
Nada como um dia atrás do outro e Repetição não gera igualdade, são os dois títulos da exposição criada por Mainês Olivetti. Já conhecida por empilhar pratos, pires e xícaras em outras mostras, ela agora investe também em desenhos e transparências. E, no MAP, pretende mostrar a desvalorização das profissões, através da representação de funções comumente atribuídas às mulheres.
Numa sociedade todos têm os seus papéis, alguns mais, outros menos importantes, comenta Mainês. Mas todos têm o seu valor. Por isso volto às minhas pilhas e pilhas de porcelana branca, tentando chamar a atenção não só para o meu trabalho, mas também para as pessoas que me ajudam a montar a exposição, como os iluminadores, por exemplo. Geralmente a pessoa que vê a mostra nem tem idéia de quantos outros existem por trás da minha arte.
Arte que para Eliana Borges, a terceira mentora da exposição conjunta, vem retratada em línguas e mais línguas. De carne, ou de fogo, elas aparecem em todas as suas obras, captando vibrações ancestrais de som e de fúria. Uma expert em design gráfico, a artista já participou de inúmeros salões nacionais e internacionais e, ao lado de Mainês e Soraya, promete dar o que falar com a exibição de suas diversas línguas no Museu de Arte do Paraná.
Exposição coletiva das artistas Soraya Wellner, Mainês Olivetti e Elaine Borges. Museu de Arte do Paraná (Rua Kellers, 289 - Alto do São Francisco). De 22 de julho a 19 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h. E aos sábados, das 10h às 16h.





