Apesar do Brasil ser um dos países que mais produz cerveja no mundo – cerca de 14 bilhões de litros em 2014 – a produção de cervejas artesanais ainda representa uma pequena porcentagem desse universo. De acordo com dados do setor, estima-se que, do total produzido, apenas 1% seja de cerveja artesanal. Mesmo assim, o interesse por esse tipo de bebida tem crescido de maneira considerável. Com o slogan "Beba menos, beba melhor", apreciadores e especialistas no assunto garantem que a cerveja artesanal diferencia-se drasticamente das comerciais/industriais brasileiras pelo cuidado que o cervejeiro tem durante todo o processo de fabricação, que vai da escolha dos ingredientes ao respeito pelo processo natural de fermentação e maturação da bebida. Uma artesanal leva, em média, 30 dias para ficar pronta. Uma comercial pode ficar pronta em menos da metade do tempo. Esses fatores influenciam diretamente no sabor e no aroma da cerveja.
Mas se o mercado é dominado pelas grandes marcas (apontadas, inclusive, de acrescentar ingredientes impróprios como milho), as cervejarias artesanais estão ganhando vez. Segundo a Associação das Microcervejarias do Paraná (Procerva), existem 38 estabelecimentos em todo Estado, que representam 14% do total no País.

Produção londrinense
Em Londrina, existem quatro cervejarias artesanais, algumas marcas de chopps artesanais e, agora, pelo menos, duas marcas engarrafadas começam a ser comercializadas. A cervejaria Von Borstel, por exemplo, lançou recentemente as cervejas St. Deutsch e Little London, ambas disponíveis em casas especializadas e bares. Segundo Marcus Von Borstel, diretor da empresa, a ideia de abrir um negócio em família no ramo vem de longa data, sendo que ele próprio é um apreciador da bebida há mais de uma década. "Em 2010 convidei meu filho para ir à Oktoberfest e conhecer uma cerveja verdadeira. Ele tomou gosto, iniciou o curso de gastronomia e se especializou como mestre cervejeiro", lembra.

Primeira cervejaria artesanal londrinense fabrica cerveja com malte alemão
Primeira cervejaria artesanal londrinense fabrica cerveja com malte alemão | Foto: Marcos Zanutto


Desde então, começaram a pensar os estilos de cerveja que iriam desenvolver dali para frente, e estudar os diversos tipos de malte e lúpulos. "Começamos com experiências caseiras, numa garagem mesmo, onde montamos as panelas e o fogareiro. Realizamos várias degustações em festas com a família e amigos. Quando chegamos ao ponto que procurávamos, demos início à parte de patentes, identidade visual e registros", conta o diretor. Segundo ele, a grande inspiração no desenvolvimento das receitas foi o avô, patriarca da família, que tinha uma plantação de trigo. "A primeira receita foi em homenagem a ele. Com a cerveja que leva seu nome, Edwino, buscamos resgatar os valores e a preservação da cultura familiar." Esta cerveja, composta essencialmente por maltes de trigo, deve ser lançada em maio deste ano.
No entanto, a St. Deutsch, uma German Pils, já está circulando em vários bares. Cerveja classificada do tipo lagger, é feita com 100% à base de malte de cevada, levando quatro tipos diferentes de maltes de cevada alemães. "Ainda vão três tipos de lúpulos, levedura e água." Por estas características, é considerada dentro dos parâmetros da "Lei da Pureza Alemã", que, a grosso modo, diz que não pode haver cereal não maltado na composição. "Esta cerveja possui 5% de álcool. A cada gole, o apreciador tem a sensação de refrescância", completa. Cada garrafa contém 500 ml que devem ser servidos à temperatura de 4 a 6 graus. A cerveja é de cor amarelada brilhante. Bem encorpada, ou seja, sente-se a densidade maior do líquido na boca, a bebida tem uma formação considerável de espuma que é sentida no gole. O amargor também é presente, mas não tão forte para quem não está acostumado. A produção da cerveja está na faixa de 4 mil garrafas por mês.

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