Londrina é a primeira cidade fora do Rio de Janeiro a receber o aclamado espetáculo "Salina (a última vértebra)", da companhia carioca Amok Teatro. Indicada a oito categorias de três dos maiores prêmios nacionais de artes cênicas e reverenciada pelo público, a peça propõe um mergulho numa África ancestral, numa história de exílio, ódio e perdão contada por meio de reflexões, música e dança. Um dos grandes destaques da 47ª edição do Filo, a montagem será encenada hoje e amanhã, às 20h30, inaugurando o Espaço Petrobras.
A peça conta a saga da personagem que dá nome ao espetáculo. Casada à força e violada por seu marido, Salina dá à luz Mumuyê Djimba, um filho que ela detesta tanto quanto o pai. Acusada de deixar o esposo morrer agonizante num campo de batalha, Salina é banida de sua cidade. Exilada no deserto, ela alimenta seu desejo de vingança. Da sua ira, nasce Kwane, que trava uma guerra com seu irmão, Djimba, até que uma reviravolta surpreendente acontece no destino de Salina.
Dirigido por Ana Teixeira e Stephane Brodt, a montagem leva ao palco um texto ainda inédito no Brasil do escritor francês Laurent Gaudé. A obra é composta por elementos da tragédia grega e da epopeia africana. "O texto levanta questões muito importantes para o momento que estamos vivendo e levanta reflexões e análise de uma forma lindíssima e ligada a questões humanas que envolvem ódio e perdão", salienta a diretora Ana Teixeira.
Ela explica que a montagem foi concebida a partir de um projeto que envolveu diversas etapas: formação de atores, pesquisa de linguagem cênica, além de intercâmbios e ensaios. "Além de toda a beleza cênica e da força do texto belíssimo, o espetáculo traz um outro signo para a cultura brasileira, tirando atores negros dos convencionais papeis de empregados ou marginais para darem vida a personagens completos, complexos e profundos", enfatiza Ana.
Oitava montagem da companhia criada em 1998, "Salina (a última vértebra)" tem sido aclamado pelo público e pela crítica, e foi indicado aos prêmios Shell, Censgranrio e Questão de Crítica. "E a resposta do público também tem sido muito positiva. O espetáculo tem mais de três horas e meia de duração, com um intervalo no meio, mas ninguém vai embora antes da peça acabar", relata a diretora, acrescentando que, após estrear o Sesc do Rio de Janeiro em fevereiro deste ano, esta será a primeira apresentação fora do estado fluminense.

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