Fernando Miragaya
TV Press
Os insatisfatórios números de audiência que as novelas das oito vêm registrando fizeram a Globo se mexer. Depois de ‘‘Torre de Babel’’ registrar na maior parte do tempo 45 pontos de média e ‘‘Suave Veneno’’ raramente conseguir ultrapassar os 40 no Ibope, a emissora decidiu investir pesado no horário. Com ares de superprodução, ‘‘Terra Nostra’’ estréia hoje, como uma das esperanças da Globo para o ano.
Prevista para ter três fases – a primeira com 120 capítulos e as demais com 80 cada – e a um custo de R$ 90 mil por capítulo, a novela de Benedito Ruy Barbosa vai contar a saga italiana no Brasil desde o início do século, com a chegada dos imigrantes no País, com direito a locações em fazendas seculares, em navios antigos e a muitos figurantes.
A euforia de Jayme Monjardim, diretor-geral, é muita. A emissora realmente está tentando fazer de ‘‘Terra Nostra’’ um épico e por esse orçamento milionário – mais de R$ 25 milhões – está até sendo chamada de ‘‘Titanic brasileiro’’. Só as cenas feitas na Inglaterra para o primeiro capítulo consumiram mais de R$ 1 milhão – mais que muitos longas-metragens brasileiros.
O motivo da ‘‘viagem’’ foram os ‘‘takes’’ que mostravam o embarque dos italianos rumo ao Brasil: o navio S. S. Shieldhall. Segundo os produtores da novela, a embarcação era a única disponível com as características da época retratada – por volta de 1900.
O número de integrantes para gravar ‘‘Terra Nostra’’ também condiz com o estilo megalômano da novela. Na Inglaterra, foram cerca de 300 figurantes, mais de 2,4 mil peças de roupas utilizados, fora os mais de 50 profissionais envolvidos.
Nas demais locações, em fazendas antigas de Pinhal, no interior de São Paulo, e Rio Preto, em Minas Gerais, a figuração nunca é inferior a 100 pessoas.
Isso sem contar os cavalos e charretes. Na primeira fase serão 15 mil figurinos, 700 peças de produção de arte – louça, candelabros, talheres, etc – e 300 móveis espalhados por dezenas de cenários. Tudo respeitando a época abordada.
‘‘As malas dos imigrantes, por exemplo, tiveram de ser feitas, pois não existia o número que precisávamos à venda’’, valoriza a diretora de arte, Tiza de Oliveira. ‘‘Usamos todo o acervo da Globo e ainda tivemos de fazer muita roupa nova’’, conta o figurinista Paulo Lóis.
Jayme Monjardim definitivamente não ficou contando tostões para fazer de ‘‘Terra Nostra’’ um épico. Como cada fase da novela vai percorrer 30 anos, ele contratou o maquiador americano David Dopois, que fez o envelhecimento de Regina Duarte na minissérie ‘‘Chiquinha Gonzaga’’, também dirigida por Monjardim. O profissional vai acompanhar toda a novela e será responsável pelo visual envelhecido dos personagens.
Para fazer jus ao investimento, a Globo também foi estratégica ao escalar o diretor para a trama. A dupla Benedito/Jayme foi a responsável por um dos maiores sucessos da teledramaturgia: ‘‘Pantanal’’. Exibida pela extinta Manchete em 1990, a novela foi a primeira a abalar a Globo na audiência. E pela proposta, ‘‘Terra Nostra’’ vai adotar a mesma linguagem de ‘‘Pantanal’’. Uma história contada de forma mais lenta, mesclada com cenas detalhistas e belas paisagens. ‘‘Não se deve confundir o ritmo da novela com velocidade. Continuarei com meu estilo’’, avisa Jayme Monjardim.Com uma produção milionária, estréia hoje ‘‘Terra Nostra’’, novela de Benedito Ruy Barbosa que vai contar a saga italiana no Brasil
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