João Gordo é uma figura que intimida. Com 180 quilos, várias tatuagens e ‘‘percings’’ espalhados pelo corpo, o apresentador da MTV e vocalista do grupo Ratos do Porão tem cara de poucos amigos. Mas basta um minuto de conversa para perceber-se uma surpreendente tranquilidade. ‘‘O que acontece é que sou uma pessoa autêntica, falo muitos palavrões e estou cagando para a mídia’’, pondera. É com este espírito irreverente que ele volta a apresentar um programa na MTV – o último foi o musical ‘‘Gordo Pop Show’’. Na segunda-feira, das 22 às 23 horas, ele estréia o talk show semanal ‘‘Gordo a Go Go’’. ‘‘Quem tiver alguma coisa para acrescentar, vai participar do meu programa’’, avisa o apresentador, que irá receber dois convidados por noite.
Totalmente recuperado de uma infecção pulmonar – chegou a perder mais de 40 quilos e ficou internado no hospital por mais de um mês –, João Gordo explica que a carreira de apresentador foi uma necessidade em sua vida. ‘‘Com o dinheiro que ganho na MTV, pago minhas contas e vivo dignamente’’, justifica. João Gordo admite que não conseguiria viver apenas da música – no caso, o rock pesado, a sua maior paixão. ‘‘Só que não sou um cara marqueteiro. Não preciso ficar colocando uma loura gostosa dançando na frente da minha banda para ganhar dinheiro. Toco por prazer’’, alfineta.
Para comemorar os 18 anos da banda Ratos do Porão, ele vai fazer uma excursão pela Europa no próximo mês. Por isso, João Gordo vai deixar vários programas de frente gravados.
O que o ‘‘Gordo a Go Go’’ tem diferente do ‘‘Gordo Pop Show’’?
Há mais de dois meses, toda imprensa brasileira vem me enchendo o saco para saber o formato deste programa. Agora finalmente eu posso falar. Em primeiro lugar, o programa não vai ter tanto besteirol como antigamente. Será um talk show, onde irei entrevistar duas pessoas por noite, não necessariamente da área musical. Se tiver alguma coisa para dizer, vai participar do meu programa. Também teremos desenhos de animação e a participação do Max Fivelinha como enviado especial. Vamos levá-lo para fazer algumas matérias, como em terreiro de macumba e em velório também. O programa e as matérias serão gravados, porém, não editados.
Mas o besteirol sempre foi sua marca. Você não acha que assim o programa vai ficar desfigurado?
Mas é uma determinação da própria MTV. Vou até seguir uma pautinha para cada entrevista, que nunca fiz em quatro anos de emissora. Mas já disse que não quero diretor buzinando na minha orelha. Senão vou brigar no próprio programa. Não posso mudar meu estilo. Eu sou o besteirol em pessoa. Sou um cara sarcástico. Mas, agora, vou ter de seguir um roteiro.
Trabalhar na televisão foi planejado?
Porra nenhuma! Gostaria só de tocar em minha banda. Sou músico de rock pesado, pauleira mesmo. Faço um som radical e estou cagando para a mídia. Odeio este sistema onde os músicos têm de pagar para tocar nas rádios. Só que, com os anos, passei a gostar de apresentar o programa. O bagulho aqui é poderoso. A MTV me dá uma hora para falar o que bem entender. Tenho liberdade.
Então, você não sofreu qualquer tipo de censura na emissora...
Para falar a verdade, já. Principalmente quando a gente fala mal de algum artista, o bicho pega mesmo. Uma vez disse no ar que deveriam mandar matar o Caetano Veloso. Ele não gostou e falou com a direção da emissora, que pediu para eu pegar leve com o cara. Só que ‘‘mandar matar o cara’’ é um termo que uso bastante. E quando perguntaram para mim o que eu achava que deveriam fazer para melhorar o rock brasileiro, disse no ato: ‘‘Deveriam mandar matar o Caetano Veloso’’.
A sua rotina de vida mudou muito depois que você sofreu a infecção pulmonar?
Estou levando uma vida mais regrada. Parei de fumar, beber e ficar zoando por aí. Graças a Deus, já estou curado deste problema. Cheguei a perder 40 quilos no período em que fiquei internado. Só que, do meu trabalho, não abro mão. Principalmente da música. Em agosto, vou ficar quase dois meses fazendo uma turnê pela Europa. Por isso, estou gravando vários programas de frente.

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