Reservado, mas não sisudo. Essa é a impressão que passa Wagner Polistchuk, novo regente titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina. A estréia oficial vai acontecer em agosto, num concerto a ser realizado no Cine-Teatro Ouro Verde. Até lá o maestro deve intensificar os contatos com os integrantes da corporação musical. Aos 38 anos, completados ontem, Polistchuk tem como missão pessoal elevar ainda mais a qualidade artística da Osuel. Para tanto, reivindicou e deverá ser atendido o reforço de instrumentos que, num primeiro momento, considera prioridade para melhor desempenho da orquestra fagote, trompa, violino, violoncelo e trombone. ''Precisamos sempre melhorar o nível artístico. Quanto mais melhoramos, mais teremos para onde ir'', disse ele.
Wagner Polistchuk parece saber muito bem o que quer. Tanto que no primeiro encontro com os músicos deixou claro que quer trabalhar num ambiente em que o respeito mútuo seja predominante. ''Se eu quero elevar o nível vou ter que ser um pouco linha dura quando for necessário'', avisa. Ao seu lado, vai trabalhar Henrique Vieira, como maestro adjunto, ambos selecionados no concurso feito pela Universidade Estadual de Londrina.
O currículo de Wagner Polistchuk é consistente. Resumidamente, é bacharel em trombone pela Faculdade Mozarteum de São Paulo, com especialização na Alemanha com o professor Branimir Slokar. Teve passagem pela música popular como músico de artistas como Roberto Carlos, Simone e do extinto grupo Rádio Táxi. No entanto, acabou enveredando-se para a música erudita. Paralelamente à carreira de instrumentista, ingressou na carreira de regente e estudou com maestros renomados como Eleazar de Carvalho, Dante Anzolini, Ronald Zollmann, Andreas Sprri e Roberto Tibiriçá. Ganhou vários concursos nacionais e internacionais. Até assumir a direção artística e regência da Orquestra Sinfônica da UEL, foi trombone-solo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. A seguir, os principais trechos da entrevista que Wagner Polistchuk concedeu à Folha2, onde fala dos planos à frente da Osuel e também de rock and roll, o estilo musical que mais aprecia depois do erudito.
Como será sua linha de trabalho, maestro?
A minha linha de trabalho será tentar exigir da orquestra o máximo que se tem na partitura. Quer dizer, tentar ser o mais fiel possível à partitura tanto em precisão quanto em ritmo, afinação. Enfim, ser o mais preciso em tudo.
Então quer dizer que os músicos da Osuel podem esperar um maestro exigente?
Vou ser. Já estou sendo nestes dias em que estou apenas supervisionando. Vou lá converso um pouquinho com um, converso com outro, vou no meio da orquestra sentado. É como o maestro Eleazar de Carvalho fazia. De repente, você estava sentado e ele ao lado olhando para ver como estava saindo tudo.
A orquestra está formatada ao seu gosto ou precisam ser feitas algumas modificações?
Temos uma desafasagem no corpo da orquestra, precisamos de mais algumas pessoas. Precisamos mais de cordas. Para fazermos obras maiores precisamos de mais violinos, violoncelos. Foram feitos contatos para preencher algumas vagas.
Quantas vagas?
Num primeiro momento, serão cinco. Por exemplo: qualquer obra exige dois fagotes e atualmente só temos um, então essa é uma vaga que precisamos preencher urgentemente.
Resumidamente, quais são as prioridades?
Fagote, trompa, violino, violoncelo e trombone. Vou tentar pegar um músico de cada instrumento.
Aliás, você fez algum pedido ou exigência no seu contrato para poder trabalhar?
Não. A única coisa que pedi, desde que fiz a entrevista, é quem me dessem condições de melhorar o nível artístico da orquestra.
O nível está ruim?
Não, não é isso. Trabalhamos com som, música e precisamos sempre melhorar o nível artístico. Quanto mais melhoramos, mais teremos para onde ir. Isso é de comum acordo entre mim e os músicos.
Então é uma boa orquestra?
É uma boa orquestra. Não gosto da expressão ''realidade brasileira'' porque isso faz com que se nivele por baixo, mas eu diria que é uma boa orquestra de nível médio.
De zero a dez, qual a nota você daria atualmente para a orquestra?
6,5 a 7. Pretendo chegar a 8,5 ou 9.
A entrevista continua na página 3.

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