Depois de 16 anos de carreira na televisão, Giovanna Antonelli considera a Clarice de ''Sete Pecados'' sua primeira personagem realmente ''popular''. Isso no sentido de estar mais próxima da realidade das telespectadoras que acompanham o desenrolar da história de Clarice e Dante, de Reynaldo Gianecchini, seu marido na trama de Walcyr Carrasco. Por isso mesmo, Giovanna precisou observar com mais cuidado o dia-a-dia de algumas donas de casa e boas cozinheiras, características principais da mocinha das 19 horas da Globo. Principalmente porque, quando o assunto é tarefas domésticas, Giovanna não está nem um pouco por dentro. ''Costumo brincar e dizer que a minha parte é animar e decorar ambientes. De resto, sou uma excelente administradora do lar'', brinca. Mãe de Pietro, de dois anos, fruto de seu casamento com o também ator Murilo Benício, Giovanna agora só pensa em conciliar a profissão com a criação do filho, que virou sua grande prioridade desde o nascimento. ''A maternidade mudou minha forma de enxergar o mundo. Se não dá para estar perto do meu filho, não aceito trabalhar'', diz, taxativa, afirmando que só grava a novela de segunda a quinta-feira, para ter mais tempo livre.

Foi difícil compor Clarice, uma esposa e mãe que faz doces para fora e é completamente diferente de você ou das suas outras personagens?
Ela é diferente de tudo que já fiz sim, mas acho que qualquer mulher poderia ser a Clarice. Minha maior dificuldade foi passar aquela veracidade na hora de fazer os quitutes. Costumo dizer que sou uma ótima animadora de festas, dou o maior apoio. Adoro decorar ambientes, mas minha participação se resume a isso. Administro muito bem a minha casa, me orgulho disso. Mas longe das tarefas domésticas.

Interpretar uma dona-de-casa aplicada e apaixonada, com ar de mocinha, não influenciou na sua decisão?
Uma atriz vai sempre se dividir entre o universo das mocinhas e das vilãs. Seja para uma personagem principal ou coadjuvante, os papéis tendem a se separar por aí: estar do lado do bem ou do mal. Fiz muitas coisas na carreira. Fiquei feliz por fazer a Bárbara de ''Da Cor do Pecado'', que era uma louca. Depois tive meu filho, fiz ''Amazônia - De Galvez a Chico Mendes'', enfim, acho que uma mocinha agora caiu muito bem. E ela começou ingênua, mas já está mudando a personalidade. Sempre consegui fazer coisas diferentes, sofrer mudanças às vezes radicais na minha carreira. Eu adoro isso.

Que tipo de mudanças?
Cada personagem faz o ator se recriar. Sempre fui muito responsável, do tipo que estuda horas em casa e chega no estúdio com tudo na ponta da língua. Mas, quando você faz isso, acaba predefinindo um estilo de interpretação que fica impresso em você. Em ''Da Cor do Pecado'', tive uma sacada que mudou meu jeito de agir na carreira. Resolvi deixar as emoções fluírem. Quis dar um ar de maluca para a Bárbara e o João Emanuel Carneiro comprou a idéia. Então passei a decorar meus textos quase na hora de gravar. Se eu ficasse estudando, definiria ainda em casa como seria o jeito dela viver aqueles momentos. E ela era intensa e inusitada, precisava do fator surpresa. Com isso me libertei desse perfeccionismo. Eu chego em casa, leio meus capítulos e decupo minhas cenas. E só. Quando chego aqui eu leio de novo e decoro. Isso me deu uma rapidez enorme. E veio uma espontaneidade e segurança com isso.

A Capitu, de ''Laços de Família'', foi uma personagem que começou pequena e ganhou mais destaque ao longo da trama. Você esperava aquele sucesso?
Ninguém esperava, mas eu torcia. Meu trabalho em ''Laços de Família'' foi o verdadeiro divisor de águas na minha carreira. A partir dali várias pessoas passaram a me enxergar com outros olhos. E o mais engraçado é que o papel foi recusadíssimo por outras atrizes. Na verdade, eu faria uma outra personagem, a Simone, que era amiga da Capitu. Mas a emissora não conseguia escalar ninguém e decidiu lançar uma nova atriz. Ligava, pedia para fazer o teste, mas me diziam que precisavam lançar alguém que fosse exuberante...

Como você avalia sua carreira hoje em dia?
Comecei cedo, trabalhando com crianças, aos 15 anos, no ''Clube da Criança'', da Manchete. A Angélica apresentava. Hoje tenho 31, daqui a pouco estou com duas décadas de profissão. A cada ano que passa a gente amadurece mais e adquire outras oportunidades para mostrar versatilidade. Tento fazer isso na tevê, no cinema e, agora, no teatro. Sou muito crítica e brigo muito pelas coisas nas quais eu acredito. Cada vez eu quero melhorar, fazer diferente, e acho que até agora essa postura vem funcionando. Adoro trabalhar, não consigo imaginar o que eu seria se não fosse atriz. Tirando a época em que tive meu filho, estive sempre trabalhando ou em busca de bons papéis. Acho que tive um pouco de tudo. Empenho, sorte, dedicação... Tive bons personagens e isso contou muito. Se eu for fazer uma retrospectiva, dei muita sorte. Mas ela não serviria de nada se eu não tivesse muito respeito pela profissão e não me entregasse a ela.

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