ENTREVISTA FERNANDA TAKAI, DO PATO FU
Folha de Londrina: Vocês vão tocar músicas de carreira ou destacar o repertório do novo disco?
Fernanda Takai: Será um apanhado da carreira, faz tempo que tocamos aí pela última vez. Não faremos nada do repertório do ''Música de Brinquedo'' porque é outra formação da banda (precisamos de 10 pessoas no palco) e são outros instrumentos. Temos feito esse espetáculo mais em teatros. Shows em festivais geralmente têm a duração mais reduzida - uma hora, no máximo.
''Música de Brinquedo'' é o primeiro álbum só de versões do Pato Fu. Vocês já estão com material inédito? Vão tocar alguma música inédita em Londrina?
Não tocaremos nada de inédito, aliás quase nunca fizemos isso nos shows antes de lançar um disco. Gostamos de lapidar a canção em estúdio até o último momento de apresentá-la às pessoas.
''Música de Brinquedo'' foi pensado para o público infantil ? Como foi a escolha do repertório ? Por que selecionaram canções ''adultas''?
Num primeiro momento é um disco para adultos que gostam de música pop. Mas as vozes das outras crianças atraem os pequenos também e vira um álbum que a família toda pode ouvir. Escolhemos canções das quais gostamos muito como ouvintes. Elas representam bem o DNA musical do Pato Fu vindo de artistas daqui e de fora, de épocas diferentes.
O projeto Adriana Partimpim, da Adriana Calcanhotto, foi uma fonte de inspiração para o trabalho?
A nossa inspiração foi um disco com a turma do Snoopy cantando Beatles com instrumentos de brinquedo. É um lançamento de 1996, mas naquela época estávamos ainda começando, não seria bom lançar como terceiro disco, uma coletânea de músicas de outros artistas. Hoje aos 18 anos de Pato Fu e 9 álbuns autorais lançados anteriormente podemos fazer um trabalho assim, por conta unicamente da estética musical insólita e pela diversão.
Foi difícil gravar com peças de brinquedo e instrumentos de iniciação musical? Deu trabalho buscar a sonoridade ideal?
A sonoridade é justamente a não-ideal. Trabalhamos com as imperfeições dos instrumentos que são também seu maior charme. É difícil tocá-los porque são muito pequenos, têm uma afinação relativa, alguns nem tem todas as notas das quais precisamos. Foi preciso montar um quebra-cabeça com tudo o que a gente tinha para ir encontrando os barulhinhos que mais se pareciam com os instrumentos usados nos arranjos originais das canções.
Como você vê o atual momento do mercado musical, quando a música perde o valor comercial, já que pode ser baixada gratuitamente no computador? Como a própria banda tem sentido esse processo em seu dia a dia?
Os discos realmente têm sua venda muito diminuída, mas por outro lado nunca a música esteve tão presente na vida das pessoas: celular, internet, cinema, games, trilhas de todo jeito... e isso vem a ser uma nova fonte de renda para os artistas que licenciam seus títulos, por exemplo. Seria ótimo se a gente pudesse contar com a venda digital, mas está só começando um movimento para educar o público para a importância dessa ação.





