Entrevista custa US$ 100 e não garante o visto
São Paulo - A rigidez adotada pelas autoridades americanas após os ataques terroristas de 11 de setembro também pode ser sentida nos consulados. Desde junho, a entrevista pessoal tornou-se obrigatória para quase todos os requerentes, com exceção de crianças (abaixo de 16 anos), idosos (mais de 60 anos), diplomatas e para renovação de vistos expirados há menos de 12 meses. A taxa para marcar a entrevista é de US$ 100, sem garantia de que o visto será concedido.
A estudante de administração Tatiana Salla precisou de duas entrevistas no consulado de São Paulo para conseguir renovar seu visto de turista e embarcar em um cruzeiro da Disney pelas Bahamas, no mês passado. Ela conta que levou todos os documentos dela e do namorado, com quem iria viajar, incluindo carteira de trabalho assinada de ambos, comprovante de matrícula no último ano da faculdade, holerites, declaração do Imposto de Renda, comprovante de residência e de pagamento completo do cruzeiro, hotéis e passagens. ''Ele não quis olhar nenhum documento meu, só os do meu namorado'', conta.
''Depois, simplesmente negou o visto e carimbou meu passaporte. Disse que eu não tinha vínculos no Brasil e não mostrava interesse em deixar os EUA no fim da viagem.''
Com a viagem totalmente paga, Tatiana enviou no mesmo dia um fax, endereçado ao chefe do consulado, contando o que tinha acontecido. Sem aguardar uma resposta, pagou novamente a taxa de US$ 100 e marcou nova entrevista para o dia seguinte. ''Quando cheguei, fui atendida por uma outra pessoa, muito mais simpática, que estava com uma cópia do meu fax na mão.''
Dessa vez, o visto foi concedido. ''É um processo totalmente arbitrário'', reclama Tatiana. ''Você pode apresentar todos os documentos e, se a pessoa não vai com a sua cara, já era.'' A estudante também disse que não pretende mais voltar aos EUA. ''Vou gastar meu dinheiro em outro lugar.''





